Publicado 17/12/2025 05:00
Rio - Interpretado por Vinicius Teixeira, Vandílson é um dos capangas de Bagdá (Xamã) em "Três Graças", novela da faixa das 21h da TV Globo. Ambicioso, o personagem 'brinca com a cara do perigo' ao questionar algumas atitudes do chefão do tráfico da Chacrinha e quase foi jogado pelo bandido de um terraço depois de confrontar Jorginho Ninja (Juliano Cazarré) durante um acerto de contas entre os dois.
PublicidadeCom uma relação marcada entre lealdade e desejo de poder, Vinicius acredita que Bagdá e Vandílson podem se tornar grandes rivais ao longo do folhetim de Aguinaldo Silva. "Existem cenas que apontam para esse caminho. Eu estou tão curioso para ver o desenrolar da história quanto o público. Nas redes sociais, muitas pessoas mandam mensagem comentando sobre essa possibilidade de o Vandílson rivalizar com o Bagdá, e parece que as pessoas estão ansiosas para que essa possibilidade se concretize", comenta o ator.
A complexidade da relação entre os criminosos também é analisada pelo artista. "No passado, o Bagdá já foi um funcionário antes de conquistar o seu reinado. Se ele conquistou a liderança, Vandílson se sente capaz de fazer o mesmo. O Vandílson sente gratidão por Bagdá. O chefe é quase uma figura paterna. Ao mesmo tempo, o tratamento dele com Vandílson muitas vezes é ríspido e agressivo, o que começa a incomodar o jovem rapaz", aponta.
"Além disso, existe um olhar de admiração de Vandílson em relação a Bagdá que passa de uma vontade de ser como ele, a uma vontade de roubar o seu lugar na liderança da comunidade. Existe um afeto mas existe também uma ambição muito grande", complementa.
De acordo com Teixeira, as atitudes de Vandílson, um jovem da periferia de São Paulo, que cresceu cercado pela violência, são reflexos das vivências dele. "Vejo um rapaz que não teve muita escolha e muito caminho, e que luta para sobreviver dentro da realidade que lhe foi imposta. E, como ele, existem muitos na mesma situação no dia a dia. Não consigo enxergá-lo de uma forma maniqueísta, pensando em bem ou mal. Só consigo enxergá-lo de forma humana. E batalho muito para que essas complexidades sejam vistas pelo telespectador", destaca.
Apesar das maldades e da língua afiada, o criminoso caiu nas graças do público e até ganhou o apelido de "bandivo" devido sua beleza. "Me alegra muito essa recepção tão calorosa com o núcleo dos 'bandivos'. Eu, o Lucas Righi e o Xamã estávamos empolgados para ver como seria o feedback, mas nos surpreendemos positivamente com esse acolhimento tão rápido. Nós estamos nos dedicando muito para que seja legal e temos um entrosamento muito gostoso. A gente se diverte muito gravando as cenas. Fico feliz que isso esteja transparecendo e que as pessoas estejam gostando de assistir".
Mergulho no personagem
Para compor o bandido, Vinicius pesquisou bastante sobre o universo periférico. "Acho que esse processo foi essencial. Acredito muito que, ao invés de negar quem eu sou e me distanciar de mim para me aproximar de um personagem, preciso fundir o meu universo com o dele... Acredito, também, que quanto mais me preencho de conhecimentos, estudos e referências, mais isso aparece no meu olhar, nas minhas escolhas, nos meus movimentos e na minha subjetividade em cena... Gosto sempre de entrar em contato com músicas, filmes e livros que tenham a ver com o universo do personagem", lista.
Para compor o bandido, Vinicius pesquisou bastante sobre o universo periférico. "Acho que esse processo foi essencial. Acredito muito que, ao invés de negar quem eu sou e me distanciar de mim para me aproximar de um personagem, preciso fundir o meu universo com o dele... Acredito, também, que quanto mais me preencho de conhecimentos, estudos e referências, mais isso aparece no meu olhar, nas minhas escolhas, nos meus movimentos e na minha subjetividade em cena... Gosto sempre de entrar em contato com músicas, filmes e livros que tenham a ver com o universo do personagem", lista.
Cria do Méier, na Zona Norte do Rio, o ator passou um mês em São Paulo e filmou na Brasilândia, local onde a fictícia comunidade da Chacrinha é localizada na novela. "Pude trocar muito com os moradores locais, entender mais de perto a forma de falar, o sotaque e lidar com essa realidade de uma forma mais concreta e real", lembra.
Outros trabalhos
Antes de "Três Graças", o artista integrou o elenco de produções como "Babilônia", "Rock Story", da TV Globo, "Justiça 2" e "Carcereiros", do Globoplay. "Acho que todos os trabalhos que fiz até aqui foram me dando mais maturidade, responsabilidade, e aperfeiçoando as minhas ferramentas como ator. Me dedico bastante e estudo muito para sempre entregar o meu melhor", diz.
Ele, então, recorda as experiências profissionais. "'Babilônia' foi meu primeiro contato com o universo das novelas, então foi um momento de descobertas, de entender a linguagem. 'Rock Story' foi uma continuação desse processo, mas já com mais segurança. Quando passei no teste para fazer 'Carcereiros', eu vinha de uma sequência de trabalhos no cinema e no streaming. Sinto que, nessa fase, eu consegui aproveitar o processo de filmagens de uma forma mais madura. Em 'Justiça 2', me sentia mais confiante das minhas ferramentas para conseguir propor e me divertir em cena".
Em "Cinema de Enredo", disponível na Prime Box, Vinicius deu vida a Pedro. A série de 13 episódios foi inspirada em histórias e personagens de sambas-enredo das agremiações do Rio. "Foi um trabalho muito especial pra mim. É um projeto que se alinha muito com o que eu penso politicamente, e acho que ele tem uma importância muito grande na recriação de imaginários coletivos que precisam ser repensados no Brasil. Me dediquei muito no teste para esse projeto porque queria muito contribuir, de alguma forma, para contar aquela história. Gostaria muito que todos os episódios da série fossem mais vistos e tivessem um alcance amplo. Acho que é um bom exemplo de como a arte pode ser um agente muito importante de mudança e transformação numa sociedade".
Leia mais
