Gabriela LoranReprodução / Instagram
Publicado 13/01/2026 17:48
Rio - Gabriela Loran, que interpreta Viviane na novela "Três Graças", falou abertamente sobre o processo de redesignação sexual durante participação no Mais Você, exibido nesta terça-feira (13). A atriz contou que realizou a cirurgia na Tailândia e revelou que o procedimento custou cerca de R$ 115 mil.
Publicidade

Segundo Loran, o reconhecimento de sua identidade veio ainda na infância, aos 7 anos, ao ver a modelo trans Roberta Close na televisão. “Quando a vi, eu estava na sala de casa com minha família, e pensei: ‘É possível. Eu sou isso. Eu sou igual a ela’. Aquilo me deu um conforto”, afirmou. Ela destacou que, mesmo tão nova, entendeu que o processo exigiria tempo e acolhimento. “Eu tive paciência, eu acolhi aquele sentimento muito nova.”

A atriz relatou que, apesar dos episódios de preconceito, sobretudo na infância, contou com o apoio dos familiares. “Assim como era uma coisa nova pra mim, era uma coisa nova pra eles. Então, o que mais tive foi paciência, porque eu também estava entendendo. Eu não digo que ‘transicionei, que virei outra coisa, que me transformei’. Eu digo que eu desabrochei.”

A decisão de realizar a cirurgia fora do Brasil surgiu após uma conversa com a ex-BBB Ariadna. “Eu queria fazer com o melhor, onde eu fiz é referência no mundo inteiro”, disse. Loran explicou que aguardou o momento certo para dar esse passo. “Eu esperei, tive o meu tempo. Quando eu juntei meu dinheiro, veio a novela Cara e Coragem e dei uma segurada.”

Além da terapia hormonal, ela optou pela vaginoplastia. A atriz permaneceu 27 dias na Tailândia e adquiriu um pacote que incluía todas as etapas do processo. “Paguei em torno de R$ 115 mil. Esse pacote inteiro contempla tudo: passagem aérea, estadia, o pós-operatório, me recuperando, com três enfermeiras comigo o tempo inteiro, aprendendo todos os processos”, detalhou.

Gabriela também explicou que o protocolo incluiu avaliações médicas e psicológicas. “A gente tem uma primeira consulta com o cirurgião, uma consulta com o psicólogo, com o psiquiatra, para validar mesmo todo esse processo e para se ter certeza de que você quer fazer.” Ela reforçou que a cirurgia não define a identidade de gênero. “Cirurgia não valida, ela não transforma uma pessoa trans como eu em mais mulher ou menos mulher. Até porque tem pessoas trans que não querem fazer e está tudo bem. Cirurgia nenhuma valida nada de ninguém.”

Ao falar sobre a decisão pessoal, Loran destacou que cada trajetória é diferente. “Tem pessoas que têm disforia, que precisam fazer mais rápido. Mas no meu caso específico, eu tive muita paciência para fazer porque eu fiz do jeito que eu sempre quis fazer.” A atriz comparou o procedimento a escolhas estéticas feitas por mulheres cis. “Assim como uma mulher cis opta por botar um silicone, fazer um lifting, pessoas trans também podem fazer isso.”

Por fim, ela comentou sobre a luta contra a transfobia e experiências difíceis que viveu antes da visibilidade como atriz. “O Brasil ainda é um país muito preconceituoso, é o país que mais mata pessoas trans no mundo inteiro. Eu mesma passei por situações bem difíceis, de ser posta pra fora de banheiro, de cliente recusar ser atendido por mim. Isso mexe com a nossa cabeça”, concluiu.
Leia mais