Daphne Bozaski interpreta vilã em trama do horário nobre da TV GloboDivulgação/Carmen Campos
Publicado 22/02/2026 05:00
Rio - Na pele de Lucélia em "Três Graças", novela das 21h da TV Globo, Daphne Bozaski vive um marco duplo na carreira: sua primeira vilã e a estreia no horário nobre da emissora. A atriz mergulha em uma personagem complexa e surpreende o público com facetas sombrias que colocam ambição e conflitos familiares no centro da história.
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A morte do pai leva a jovem a se mudar para a casa do tio Kasper (Miguel Falabella) e do marido dele, João Rubens (Samuel de Assis), o que redefine as ambições dentro da família. "A falta de dinheiro e status é uma questão. Lucélia quer uma vida melhor pra ela. Quando chega na casa dos tios, que são cheios de grana, ela sabe muito bem o que ela quer e precisa para conquistar o que deseja. Ali Lucélia encontra a oportunidade para ser quem ela quer ser", conta. 
O convívio familiar é marcado por cinismo, principalmente após Lucélia descobrir que não foi incluída no testamento e que a herança dos tios ficará com a filha adotiva deles, Maggye (Mell Muzzillo). "É um balde de água fria, pois ela almeja bicar essa grana e se dar bem. Para essa construção, eu busquei sentir junto a ela essa rejeição. Uma pessoa que não enxerga o acolhimento, mas enxerga a falta."
Daphne ressalta que evita julgamentos sobre a personagem e busca transparecer as frustrações por trás das ações controversas da vilã. "Ela é a sobrinha de sangue e vai atrás de todas as armas possíveis para conseguir esse lugar que acha que é direito, mesmo que seja pelos caminhos mais tortos e imorais, os lados ganancioso e narcisista falam mais alto nessa personagem. Busco não a julgar, mas mergulhar esse universo sombrio que ela traz como camada base para suas atitudes", diz.
O sentimento de exclusão em relação à prima excede os limites quando Lucélia coloca a gravura de um dos quadros da galeria dos tios na mochila de Junior (Guthierry Sotero) para acusar o rapaz de furto e atingir Maggye. "Acho que o afeto, o amor que ela vê na relação dos tios com a prima. Ela não aceita que a prima adotiva esteja numa posição mais favorável que ela, que nasceu naquela família".
O envolvimento com Bagdá (Xamã), chefe do tráfico na Chacrinha, marca uma virada na trajetória de Lucélia e desperta a busca da personagem por controle. "Bagdá estava à procura de um amor e Lucélia em busca de um parceiro para conquistar seu lugar no poder. O encontro cai como uma luva, pois ele tem esse poder e através dessa aliança ela consegue ajuda para colocar seus planos mais sombrios em prática", explica. 
Apesar disso, a artista adianta que o relacionamento está longe de ser equilibrado. "Essa relação não é uma via de duas mãos, acredito que ainda teremos muitas reviravoltas sobre o querer de cada um e para onde isso irá levá-los".
Em sequência exibida na última semana, a vilã executou o plano de sequestrar os tios após a saída de um restaurante para conseguir parte do dinheiro que acredita merecer e contou com ajuda de Alemão (Lucas Rigui) e Vandílson (Vinicius Teixeira), comparsas de Bagdá. "É o momento de glória dela. Arquitetar o plano, mas não fazer o trabalho sujo. Ela está no controle da situação. O diferencial de fazer uma personagem assim é trazer o prazer, mesmo que seja passando em cima de todos", afirma. 
Daphne aponta que o momento simboliza a escalada de Lucélia no território da criminalidade. "Diria que é uma psicopatia que tanto vemos em noticiários, em situações que realmente acontecem na vida real. E agora ter a oportunidade de vivenciar é difícil e desafiador, ao mesmo tempo, é um baita estudo como atriz e mudança de registro perto de outras personagens que já vivi".
Instalada na galeria dos tios, a jovem dá mais um passo calculado ao se tornar informante de Santiago Ferette (Murilo Benício). Ela revela ao empresário detalhes da vida de Lorena (Alanis Guillen) após o vilão expulsar a filha de casa devido ao namoro com Juquinha (Gabriela Medvedovsky).
"A aproximação parte dessa busca em estar em contato com a alta sociedade, estar perto de aliados que a favoreçam. Acredito que Lucélia sabe muito bem quem ela quer do lado dela, e não teme, pois tem uma inteligência de saber se fazer útil e assim conseguir do outro algo que a beneficia", relata. 
A transição de papéis queridos para uma vilã de destaque tem sido uma experiência curiosa para Daphne Bozaski. Após viver a doce Lupita em "Família é Tudo", a atriz percebe reações intensas do público diante da frieza de Lucélia em "Três Graças".
"Vejo o público com muita raiva da Lucélia, isso é ótimo. Acredito que por toda minha trajetória, eles conseguem separar a personagem da atriz. É divertido ver a força do meu trabalho gerando esse conflito nas pessoas, que ao mesmo tempo vem com muito carinho falar comigo sobre o meu desempenho e como isso faz com que eles tenham vontade de saber mais os porquês das ações dela, e ver até onde ela é capaz de chegar".
Empreendedorismo 
Fora das telinhas, Daphne Bozaski também se dedica a um projeto muito especial: um restaurante-casa idealizado pelo marido, Gustavo Araujo. "Quando começamos a namorar, ele já recebia as pessoas na casa dele para um jantar mais intimista, eram poucas pessoas e só funcionava com reserva. A ideia sempre foi ser um momento de pausa na correria de São Paulo", destaca a atriz.
Com o tempo, a artista passou a se envolver diretamente no restaurante, apoiando a expansão do projeto e cuidando de questões do dia a dia. "Entre um trabalho e outro, sempre estive ao lado dele para ajudar nesse novo sonho. Apoio, dou ideias, cuido das mídias sociais do restaurante... Vai além de empreender na gastronomia, mas sim de fazer algo que acredito ser essencial para nossa família. Ajudar a realizar essa reabertura e estar presente lá para mantermos a ideia que queremos que as pessoas sintam ao estar na nossa casa, é o que me move e o que me realiza de fazer parte desse projeto com o Gustavo".
Daphne vem conciliando uma rotina intensa de gravações da novela com a gestão do restaurante-casa e a maternidade de Caetano, de 7 anos. "Os últimos meses têm sido bem intensos, mas quando a gente faz o que amamos, o peso fica bem mais leve. Tento me organizar nos tempos que tenho e priorizar cada um. Tiro momentos para estar mais presente com meu filho, outros preciso me ausentar e estudar meus textos, outros preciso recusar convites para festas e Carnavais para conseguir descansar", revela.
Para ela, o segredo está em manter o foco e equilibrar as prioridades de cada fase da vida. Eu acho que todo momento de construção na vida necessita de foco. Esse é o momento da minha vida. Organizar as prioridades e curtir para colher os frutos dessas dedicações", completa. 
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