Publicado 15/03/2026 05:00
Rio - Com mais de três décadas de carreira, Lázaro Ramos, de 47 anos, inicia um novo capítulo na televisão, desta vez interpretando o primeiro vilão. O ator estreia como o ambicioso Jendal em "A Nobreza do Amor", trama das 18h da TV Globo, que substitui "Etâ Mundo Melhor!", a partir desta segunda-feira (16). O personagem é o primeiro-ministro do reino de Batanga, um estrategista que trai a família real para tomar o poder e força um casamento com a protagonista Alika (Duda Santos).
PublicidadeNa entrevista, o marido de Taís Araujo fala sobre o papel no folhetim de Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Júnior, amizade com Wagner Moura, indicado ao Oscar como Melhor Ator, pelo trabalho em 'O Agente Secreto', e brinca sobre a chance de ser o próximo artista brasileiro a brilhar em premiações no exterior. Confira!
- Você está de volta às novelas. Como tem sido essa experiência? O que te encantou na trama?
É uma novela que eu estou tão feliz em fazer, tão encantado. É um desafio fazer vilão, que eu nunca fiz, mas estou fazendo com uma paixão como se eu estivesse começando na profissão. Antes de saber o detalhe do personagem, eu disse: 'Nossa, eu quero estar nessa novela'. Essa estética do continente africano junto com a estética nordestina anos 1920 com humor, vilania, uma fábula com a primeira princesa negra. Eu quis estar dentro dessa história.
- O que mais te instiga no vilão que você interpreta?
Ele é um personagem patético, mas malvado. É muito ambicioso, manipulador, vaidoso e, com poder nas mãos, vai causar muitos problemas. No geral, o sorriso do Lazinho está sempre presente, e esse é um personagem diferente. Cada cena desse texto que chega eu faço com muita dedicação, como se fosse uma peça de teatro.
- Tem sido difícil interpretar um antagonista?
Eu estou achando difícil porque, no geral, quando a gente chega para fazer as cenas, já tem recursos que são sedutores de fazer. E o Jendal tem que estar em outro lugar. Para a gente amar a Alika e o Tonho (Ronald Sotto), precisamos odiar alguém. Então, estou aqui servindo a função.
- Apesar de ser um personagem duro, você acredita que ele tem algum tipo de afeto?
Acho que ele tem. Não quero defender, mas acho que ele tem afeto pela família dele. Acho mesmo que ele ama a personagem da Duda Santos. O problema é o que ele faz com esse amor. É um homem que foi rejeitado e, a partir disso, quer que todo mundo sofra. Ele tem afeto, só não o que fazer com ele.
- Você acha que personagens ambiciosos como o seu ainda refletem comportamentos presentes na sociedade?
A história do mundo é feita dessas pessoas que querem ter poder e, com o poder nas mãos, viram tiranos. A gente vê esse espelho desde o começo do mundo. Quando uma novela tem esse poder de encantar, divertir, mas também provocar reflexão e identificação, é aí que vira clássico.
- Seus filhos João Vicente e Maria Antônia, que são adolescentes, costumam assistir aos seus trabalhos?
Eles vão ter que assistir essa novela. Essa novela é obrigatória. Eu já falei para eles: 'Vocês têm que assistir', porque essa novela é um pouco para eles também.
- Após receber um convite do seu amigo Wagner Moura para acompanhar a cerimônia do Oscar ao lado dele, você pretende ir à premiação e torcer pelo filme "Agente Secreto"?
Se eu for, nem sei o que será de mim. Estou com medo de pagar mico (risos).
- O cinema brasileiro vive um momento de grande visibilidade internacional. Como você enxerga essa fase?
A gente está muito na moda porque está fazendo filmes que falam do nosso Brasilzão, mostrando as paisagens do nosso Brasil, contando as histórias que estão no nosso coração. A gente está ganhando o mundo porque está sendo a gente mesmo. Muito legal de ver.
- Depois de nomes como Fernanda Torres e Wagner Moura ganharem projeção internacional, você se vê nesse caminho também?
A lista é assim: Fernanda Torres, Wagner Moura, Camila Pitanga ano que vem e eu sou 2028. Saneamento Básico, de Jorge Furtado, é a previsão dos prêmios internacionais do cinema brasileiro (risos).
- Você iniciou a carreira ao lado de Wagner e Vladimir Brichta. Naquela época, imaginava que poderiam chegar a esse reconhecimento?
Eu nem sabia que esses caminhos existiam, para ser sincero. Nosso grande sonho era fazer teatro na nossa terra, em Salvador, e ter espaço para as nossas histórias. O caminho que o cinema e a televisão nos proporcionaram é muito bonito, mas o que me deixa mais orgulhoso é que mantivemos a nossa coerência. O compromisso com a profissão, o desejo de levar assuntos importantes e contar bem as histórias, isso a gente trouxe lá do começo e não abriu mão.
- Como está sendo conciliar os projetos atuais, especialmente com a circulação do filme "Feito Pipa" em festivais, no qual faz parte do elenco?
"Feito Pipa" agora dá uma pausinha. Eu lanço a novela, depois lanço "Velhos Bandidos", que é o filme com dona Fernanda Montenegro, e "Feito Pipa" agora são os festivais.
Leia mais
