Publicado 16/03/2026 05:00
Rio - Uma história de amor capaz de atravessar um oceano. É com essa proposta que a novela "A Nobreza do Amor" estreia nesta segunda-feira (16), na faixa das 18h da TV Globo. Ambientada nos anos 1920, a trama acompanha o encontro improvável entre a princesa africana Alika e o trabalhador nordestino Tonho, personagens vividos por Duda Santos e Ronald Sotto.
PublicidadeEscrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr., a novela apresenta uma fábula afro-brasileira que conecta dois universos fictícios: o reino africano de Batanga e a cidade de Barro Preto, no interior do Rio Grande do Norte. Entre disputas políticas, fuga da realeza e o despertar de um romance inesperado, a história mistura aventura, humor e drama.
"O ponto de partida é a reconexão histórica entre África e Brasil, através de caminhos que, mesmo marcados por um início traumático para o povo preto, deram origem à formação do país. A trama revisita essas rotas de ida e volta, refletindo sobre identidades e nobrezas arrancadas durante o sistema de escravização e que, muitas vezes, não puderam retornar às suas origens mesmo após a abolição. No meu coração, a novela carrega justamente essa ideia: a possibilidade de reconstruir esse “caminho de volta”", diz Elisio Lopes Jr.
Vivida por Duda Santos, Alika é a herdeira do trono de Batanga, uma ex-colônia portuguesa na costa ocidental africana. O destino da princesa muda drasticamente quando um golpe de Estado derruba o rei Cayman II (Welket Bungué). O responsável pela traição é o ambicioso primeiro-ministro Jendal (Lázaro Ramos), que toma o poder após seus planos de ascensão política, que incluíam um casamento arranjado com a própria princesa, serem frustrados.
Durante a fuga, o rei acaba ferido e morre, mas antes consegue revelar à filha e à rainha Niara (Erika Januza) qual deve ser o destino das duas: o Brasil. Mãe e filha contam com a ajuda de Omar (Rodrigo Simas), um turco que estava em visita a Batanga e se envolve na fuga após se apaixonar pela princesa. Já em terras brasileiras, elas seguem para o interior do Nordeste, onde passam a viver escondidas sob novas identidades: Alika assume o nome de Lúcia, enquanto Niara se apresenta como Vera.
"Estou muito grata de receber esse presente que é a Alika e poder descobrir esses mundos dentro de mim. Temos uma dívida ancestral e também um lugar de nobreza dentro da gente. É uma novela que estávamos sedentos para assistir. A Duda criança está pulando de felicidade", afirma Duda Santos.
É em Barro Preto que os caminhos da princesa e de Tonho se cruzam. Trabalhador de um engenho de cana-de-açúcar, o jovem sonha em conquistar um pedaço de terra para melhorar a vida da família e da comunidade. De acordo com o ator, o romance entre os protagonistas surge de forma inesperada e acaba transformando a trajetória dos dois.
"O Tonho é um cara muito ligado ao trabalho e aos objetivos de vida, quer ter sua terra e dar o melhor para a família. No meio disso tudo ele encontra o amor da vida dele e tudo fica confuso. Ele vai descobrir junto com o público o que é viver um amor ancestral, algo que ele nem entende direito", explica o artista.
De acordo com a autora Duca Rachid, não será só a vida de Tonho que será modificada por Alika. "Outra personagem que ela transforma, por exemplo, é a Mundica (Samantha Jones), uma jovem negra que deseja ascender, ser respeitada, e acredita que só conseguirá isso através do casamento, através de um homem. Alika mostra, abre seus olhos para que enxergue sua capacidade de conquistar tudo isso por conta própria, com seus próprios recursos. A presença dela ilumina as melhores facetas dos demais personagens, despertando algo novo. Alika é uma protagonista que provoca transformação por onde passa, e essa é uma das mensagens mais fortes que a novela traz", adianta.
Julio Fischer, por sua vez, conta de que maneira espera que o folhetim impacte o público. "A sociedade está acostumada a não olhar para a África. Nossa esperança é que ‘A Nobreza do Amor’ possa levar as pessoas a direcionarem seus olhares para lá. A novela não vai trazer tudo do continente, mas pode acender um desejo de conhecer mais sobre esse lugar e essa cultura tão especiais. Há tantas histórias, tantos dramas que sequer chegam até aqui, que não aparecem nos telejornais, e acabamos sem ter acesso a essa dimensão da realidade africana. Então existe, sim, um desejo nosso de que a novela deixe uma sementinha nesse sentido. Que essa fábula possa, de alguma forma, despertar curiosidade, abrir portas, criar pontes, e incentive o público a buscar mais, a procurar entender melhor a África e toda a riqueza que ela representa".
Conflitos e intrigas
Mesmo longe de Batanga, Alika não escapa das ameaças. A obsessão de Jendal passa a ser capturar a princesa que um dia lhe foi prometida como mulher. Ao mesmo tempo, a jovem tenta encontrar formas de ajudar seu povo e recuperar o reino.
Enquanto isso, em Barro Preto, novos conflitos surgem. Tonho enfrenta as pressões do trabalho no engenho e precisa lidar com as armações de Mirinho (Nicolas Prattes), herdeiro da propriedade onde o rapaz trabalha. O interesse de Mirinho por Alika também desperta o ciúme da namorada Virgínia (Theresa Fonseca), que passa a conspirar contra a recém-chegada.
"Mirinho não teve amor. As atitudes dele serão movidas pela busca do amor e do respeito do pai, coronel Casemiro Bonafé (Cássio Gabus Mendes), mas ele não vai conseguir, porque faz isso de um jeito torto, de um jeito não amoroso. Eu, Nicolas, acredito que ninguém é 100% mau ou 100% bom. O Mirinho tem um jeito meio psicopatinha (risos) e acaba sendo responsável por fazer atrocidades", pontua Nicolas Prattes.
A produção reúne um grande elenco, com nomes como Ana Cecília Costa, Cassio Gabus Mendes, Danton Mello, Fabiana Karla, Marco Ricca, Marcelo Médici, Rayssa Bratillieri e Zezé Motta, entre outros.
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