Adriano TolozaJoyce Braga / Divulgação
Publicado 21/03/2026 05:00
Rio - Em "Três Graças", Angélico, vivido por Adriano Toloza, conquistou o público ao mostrar que não é quem parece. Discreto, o espião é um dos aliado de Rogério (Du Moscovis) no plano de acabar com o esquema de distribuição de remédios falsos comandado por Santiago Ferretti (Murilo Benício). Os segredos envolvendo a história do personagem, no folhetim, foi justamente o que mais chamou a atenção do ator de 42 anos. 
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"O mistério é atraente em qualquer ser humano", diz. Segundo o artista, Angélico é daqueles personagens que se revelam aos poucos, obrigando o ator a construir sua personalidade ao longo da trama. Discreto, simpático e sempre atento, ele precisa equilibrar essas características para não levantar suspeitas. "A essência dele é boa. Ele está do lado certo", garante.

A complexidade aumentou ainda mais nos bastidores. Adriano conta que, no início das gravações, nem ele sabia que o personagem era, na verdade, um infiltrado na comunidade fictícia da Chacrinha à serviço de Rogério (Du Moscovis). A revelação veio poucos dias antes de gravar as cenas decisivas. "A direção pediu para eu manter esse ar de mistério, de alguém que você não consegue decifrar. Usei referências de filmes, mas também muita imaginação", explica.

A relação entre Angélico e Rogério (Du Moscovis) é um dos pontos altos da trama. Para o ator, o vínculo vai além do trabalho. "Existe uma lealdade extrema. Angélico admira muito o Rogério, vê nele um patrão, mas também um amigo, quase como um irmão mais velho". Nos bastidores, ele não economiza elogios ao colega de cena. "Contracenar com o Du é uma aula".

Outro elemento que vem movimentando a história é a possível relação amorosa de Angélico e Viviane (Gabriela Loran), uma mulher trans. Adriano enxerga o possível romance dos dois como um dos grandes presentes da novela.
"O Angélico gosta muito dela, e é um cara que lhe adiciona leveza, tranquilade, confiança e outras coisas que ainda serão esclarecidas . Acho que a força dessa (relação) está justamente em não fazer dela um manifesto explícito. O romance acontece porque duas pessoas se reconhecem, se desejam, se afetam. Ponto. A Viviane não entra na novela como um tema, ela entra como uma mulher inteira, com charme, contradições, humor, inteligência. E isso, por si só, já é profundamente político", acredita.
"Para mim, como ator e como homem cis, é um aprendizado enorme viver um personagem que se permite atravessar pelo amor sem medo do rótulo, do julgamento, do olhar externo. Num momento em que o ódio grita tanto, escolher contar uma história de afeto, de cuidado e de naturalização é quase um gesto de resistência silenciosa", complementa.
Sobre o retorno do público em relação a Angélico, Adriano brinca: "As pessoas vão do amor ao ódio em segundos". Ele, em seguida, destaca: "Mas estou muito feliz com o carinho".

Retorno à Globo e trajetória internacional

O papel também marca um retorno simbólico de Adriano à TV Globo, onde o ator iniciou sua trajetória no audiovisual. Após trabalhos no Brasil e no exterior, incluindo passagens por Portugal e pelo Irã, o artista destaca a importância de voltar à emissora. "Nenhum projeto tem o alcance de uma novela em horário nobre. Sinto que parte do público que me acompanhou no início não viu tudo que fiz depois. Esse retorno tem um peso especial". 

Com uma carreira marcada por produções reconhecidas internacionalmente, Adriano é o único ator brasileiro a participar de duas novelas vencedoras do Emmy Internacional, "Verdades Secretas" (2015), da TV Globo, e "Ouro Verde" (2017), de Portugal. Ainda assim, ele encara os prêmios como consequência de processos maiores. "O mais importante foram as equipes, as trocas, o aprendizado". 

Ao olhar para a própria trajetória, ele valoriza especialmente a experiência fora do país. "Trabalhar com pessoas de culturas diferentes foi transformador. No começo, parecem muito diferentes de você. Depois, percebe que existem pontos em comum, como se estivesse olhando para um espelho". 

Inspirado por um conselho que ouviu ainda jovem, em uma palestra de Raul Cortez, Adriano resume o que considera essencial para quem quer seguir na atuação. "Viajar. Conhecer pessoas, observar o mundo. Isso amplia o repertório e a compreensão do ser humano", conclui. 
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