Nicolas Prattes interpreta Mirinho em A Nobreza do AmorEllen Soares / TV Globo
Publicado 08/04/2026 05:00
Rio - Conhecido por papéis marcados pelo romantismo e pela integridade, Nicolas Prattes, de 28 anos, assume um novo desafio na carreira ao interpretar o vilão Mirinho em "A Nobreza do Amor", novela das 18h da TV Globo. Ambientada nos anos 1920, a trama apresenta o ator em um papel distante do perfil de mocinho que o consagrou, dando vida a um herdeiro ambicioso que passa a interferir diretamente na trajetória do casal protagonista.
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"A cada capítulo que chega, eu penso: 'Mas eu vou falar isso mesmo?'", afirma. "Estou aprendendo um jeito novo de interpretar. São quase 12 anos fazendo aquele cara que sofre pela mulher amada, que tem uma responsabilidade muito grande de ser reto, o bonzinho apaixonado. Mirinho é o oposto disso. Eu não tenho nenhum sentimento bom envolvido para fazer qualquer atitude dele", explica o artista.
No folhetim, Mirinho é filho do poderoso coronel Casemiro Bonafé (Cássio Gabus Mendes), dono do maior engenho de cana-de-açúcar da fictícia Barro Preto, no interior do Rio Grande do Norte. De volta à cidade após estudar na capital, ele encontra um cenário que desperta rivalidade: o antigo amigo de infância Tonho, vivido por Ronald Sotto, se tornou homem de confiança do pai.
Incomodado com a proximidade entre Tonho e o coronel, Mirinho passa a tratar ele como empregado e articula situações para prejudicá-lo. Ao mesmo tempo, o personagem revela outra faceta ao se interessar por Lúcia, identidade assumida pela princesa Alika (Duda Santos). O envolvimento cria um triângulo amoroso que intensifica a disputa e evidencia traços como ciúme, posse e obsessão.
"Eu procuro entender as motivações que fizeram Mirinho ser assim. Esse cara não tem o amor do pai. Nunca teve. A mãe não queria amamentar esse bebê. Eu acho importante a gente mostrar o que pode acontecer com uma pessoa quando ela não é criada com amor. Mirinho é um exemplo disso. As atitudes dele vão ser movidas na busca desse amor e respeito do pai", analisa o ator.
Descrito como um típico "playboy" da década de 1920, o personagem mantém um relacionamento com Virgínia (Theresa Fonseca), que entra em crise com a chegada de Lúcia. Nos próximos capítulos, a obsessão de Mirinho atinge um novo patamar: determinado a conquistar a jovem, ele se declara e ultrapassa limites ao forçar um beijo, reação que resulta em um tapa da protagonista.
"Ninguém é totalmente bom ou totalmente mau, isso não existe. Para construir algo mais humano, é preciso entender que o herói também falha e o vilão não é feito apenas de maldade. No fim, acredito que existem dois impulsos: um que nos leva a tornar o mundo melhor e outro que o torna mais difícil. Cabe a cada um escolher qual deles quer seguir", reflete.
A escolha por um personagem mais sombrio representa uma virada na carreira de Nicolas Prattes, que acumula trabalhos como protagonistas em produções como "Malhação: Seu Lugar no Mundo" (2015), "O Tempo Não Para" (2018), "Fuzuê" (2023) e "Mania de Você" (2024).
Segundo ele, o desejo de explorar novas camadas partiu de uma inquietação pessoal. "Foi uma busca minha. Sou um cara que ama novela, que ama trabalhar. Eu queria me aprimorar, e a Globo me escutou. Outro dia, ouvi que gabaritei os horários de novela. Mas só tenho 28 anos, ainda sou um bebê na teledramaturgia, com muita coisa para aprender".
Fora das câmeras, o impacto emocional do papel exige um processo de recomposição. "Após as gravações, não vou direto para casa. Fico rodando de carro mais um pouco, escuto música para me 'resetar', zerar o emocional. Porque não são sentimentos gostosos de conviver. Ele tem um lado 'psicopatinha' (risos), com um leque de emoções amplo. Na mesma cena, pode estar com muita raiva e começar a rir."
Amor
Nesse contexto, o ator destaca o apoio da companheira, Sabrina Sato, com quem mantém um relacionamento há dois anos. "Ela me ajuda o tempo inteiro, é a pessoa com o melhor humor que conheço. Sabrina me faz lidar de forma leve com esse 'senhorzinho dos absurdos'", comenta. "Essa nossa correria de trabalhar e voltar para casa nos realiza. É muito importante estar feliz também profissionalmente. A gente tem isso em comum, é bonito de ver", diz, sobre a rotina entre Rio e São Paulo que divide com a amada.
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