João Vitor Silva interpreta Rafael em Quem Ama CuidaGlobo/ Manoella Mello
Publicado 21/06/2026 05:00
Rio - Depois de viver um dos papéis de destaque de "Garota do Momento" e integrar o elenco de "O Agente Secreto", João Vitor Silva, de 30 anos, atravessa uma das fases mais movimentadas da carreira. Com mais de duas décadas de trajetória artística, o ator está no elenco de "Quem Ama Cuida", novela das 21h da TV Globo, na pele de Rafael, um dermatologista ambicioso que integra a família Brandão.

Com a morte do milionário Arthur (Antonio Fagundes) e a passagem de seis anos na trama, o personagem ganha ainda mais espaço na história. Beneficiado pela fortuna da família, Rafael finalmente realiza o sonho de comandar a própria clínica, núcleo que passará a abordar temas como vaidade e a busca por padrões de beleza. Ao MEIA HORA, João fala sobre a nova fase do personagem, o relacionamento com a cantora Iza e o filme musical "Deixa Acontecer", que estreou no Telecine.
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- Me fala um pouco sobre essa nova fase do Rafael na trama?

Rafael é esse menino da família Brandão, sobrinho do Arthur, filho da Pilar, irmão da Ingrid e da Brigitte. É uma família disfuncional, rodeada de desamor, que claramente não teve muito afeto no crescimento desses filhos. Ele sonha em ser um médico muito bem-sucedido, é dermatologista e passa a vida querendo ter a própria clínica. Quando Arthur morre, esse sonho parece ficar mais próximo. A Pilar coloca a mão na herança e monta a clínica para ele. Essa fase já está sendo gravada e a clínica vai virar um ambiente importante da novela. Vamos falar sobre pressão estética e essa busca pela beleza que existe hoje. Fiquei bem animado com essa segunda fase. Ele está realizando o sonho dele, de usar marcas, coisas mais caras. Essa família se importa muito com isso.

- Você buscou referências para viver um dermatologista?

Tenho uma prima que é esteticista e andei frequentando o consultório dela para acompanhar alguns procedimentos. Também dei uma olhada no Instagram de dermatologistas que são influenciadores. Acho que o Rafael tem essa pegada de divulgar o trabalho, é um cara muito vaidoso e preocupado com a imagem. Acabei observando mais esses profissionais focados nas redes sociais e mais falastrões.

- Como foi construir um personagem que não recebeu afeto da mãe?

Tenho muitos amigos que têm problemas com os pais e acompanhei isso de perto. Quando li o texto, fiquei um pouco preocupado, mas na sala de ensaio vi a forma como a Isabel construiu essa mãe. Não é uma coisa óbvia, o desprezo está ali no fundo do olhar. Isso ajuda muito a construir o Rafael. Explica a vaidade dele, esse jeito mais autocentrado. No fim, tudo isso ajuda a tornar essa família mais real.

- Como é voltar a interpretar o irmão de Agatha Moreira em folhetins? 

Acho que agora era até pior, na verdade (risos). É um presente. A Agatha virou minha irmã na vida desde "Verdades Secretas". Tenho muito carinho por ela. Vira e mexe estou na casa dela e ela na minha. Agora temos a oportunidade de trabalhar juntos de novo com ainda mais intimidade do que há dez anos. O jogo fica muito vivo porque a gente se olha e já sabe o que o outro está pensando.

- Sua família ajudou na construção do personagem?

Sou o décimo filho dos meus pais. Claro que tenho mais afinidade com alguns irmãos do que com outros, tem uns com quem brigo mais. Para construir o Rafael, acabei buscando essas relações mais distantes e de implicância. A relação dele com as irmãs tem muito disso, de um provocar o outro. Mas sempre com amor envolvido, porque acho que família também é isso.

- Como você enxerga o namoro do Rafael com a Andréia (Duda Almeida)? Tem futuro? 
Eu também estou descobrindo isso. Estão chegando coisas novas nos blocos e ainda não tenho uma resposta definitiva. Mas é uma relação estranha mesmo. Acho que o Rafael vê a Andreia como um troféu. Ela é linda e isso reforça a imagem que ele quer passar. Ao mesmo tempo, sinto que existe alguma coisa escondida nessa história. Mas acho que ele gosta dela de verdade, não acredito que seja um relacionamento fake.

- Você sente que a pressão estética chegou até você?

Sempre fui um cara muito desprendido dessa questão estética. Mas, de uns anos para cá, senti que essa pressão chegou para mim também. Com alguns personagens, comecei a perceber que o público estava olhando mais para isso, vendo o João adulto, bonito. Passei a ouvir mais esse tipo de comentário. Tenho tentado lidar da melhor forma possível, investindo em autocuidado. Até comecei a fazer skincare, coisas que antes não fazia. Isso me ajuda com o Rafael e também na vida.

- Como você vê essa busca por padrões de beleza?

Eu fico preocupado. Acho que, quando existe alguma coisa que incomoda muito a pessoa, é válido buscar uma mudança. O problema é perder o controle e o limite da saúde. Quando você deixa de se enxergar como realmente é e começa a apagar as próprias características, entra em um lugar mais complicado. Acho importante a novela falar sobre isso porque a dramaturgia ajuda as pessoas a se reconhecerem.

- Na sua opinião, quem matou Arthur Brandão?

Estou começando a desconfiar de todo mundo. Já passei por vários suspeitos e agora acho que até o Rafael pode ter matado o Arthur. Ele não apareceu no casamento, não apareceu em lugar nenhum. Para mim, todo mundo é suspeito.

- O que a sua namorada Iza está achando da novela?

Ela ama novela. A gente assiste todos os capítulos juntos e, quando perde algum, corre para o Globoplay. A Iza é muito noveleira. Está apaixonada pela novela.

- E o que ela acha do Rafael?

Isso eu não pergunto porque morro de vergonha... Mas ela fala que está adorando a novela e esperando ver mais do Rafael. Eu falei para ela ter paciência que vai chegar.

- A Iza comentou sobre a pressão estética, tema que também será abordado pelo seu personagem?

Não. A gente não comentou nada pessoal sobre ela, mas conversou sobre o quanto era importante a novela abordar esse tema. Como ela já tinha passado por isso, achou interessante falar sobre o assunto em uma novela das nove, que alcança muita gente no país. Mas não chegamos a aprofundar nada sobre isso.

- Mudando para o cinema, como foi viver o pagodeiro João Mendes em "Deixa Acontecer"?

Sempre tive uma relação muito forte com a música e vontade de trabalhar com isso. Quando recebi o convite da Natalia Grimberg, corri para fazer o melhor teste possível. Fui para o estúdio sozinho, gravei uma música e enviei o material já pensando no personagem. Quando deu certo, me encantei. Pude cantar músicas autorais, ensaiar coreografias e gravar cenas de show. Foi uma forma de viver um pouco desse outro sonho dentro da atuação.
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