Regina Casé durante o Sem CensuraReprodução de vídeo
Publicado 30/06/2026 06:50
Rio - Regina Casé, de 72 anos, lembrou o preconceito que sofreu por apresentar o "Esquenta!" (2011-2017), da TV Globo, e comentou a rejeição de algumas pessoas em relação ao programa, que misturava entrevistas, roda de samba e personagens populares. Em entrevista ao "Sem Censura", da TV Brasil, nesta segunda-feira (29), ela desabafou sobre os ataques que recebeu e disse que foi uma personagem em novelas que "limpou sua barra". 
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"Não acho que foi uma implicância, foi uma latência de um tsunami conservador que veio e se manifestou claramente logo em seguida. Como ele ainda não era expresso e todo mundo não via, dava até a impressão de que era só comigo. Se você leva um casal gay muito bonitinho, loirinho, em um programa de noite é mais palatável. Eu levei, por exemplo, um casal de cortadoras de cana do sertão, duas mulheres casadas, que lutavam muito pela vida de outro jeito, o aspecto delas, tudo aquilo causava rejeição", disse a artista. 
"Ninguém sabe o nome daquelas pessoas (que participavam do programa). Todo o preconceito e ódio, você tem que botar em uma direção... Então, eu virei um ralo para isso. Foi muito duro um período, eu admito. Era muito violento. O que a gente chama hoje de hater e que entende assim, naquela época ainda era assim: 'mas por quê?'", acrescentou.
Regina disse que mesmo com o passar dos anos ainda tem uma "herança disso". "Barbaridades e mentiras muito graves na internet". A apresentadora, então, recordou as críticas que recebeu na época da atração. "Foi muito pesado. Grupos muito violentos, por preconceito."
O retorno da artista às novelas amenizou os ataques. "Hoje em dia, é mais suave. Quando você está na dramaturgia, não é você que está ali. Eu digo que a dona Lurdes me ajudou muito. Na hora em que eu não aguentava mais, dona Lurdes veio para limpar minha barra um pouco e eu dar uma respirada", declarou ela, se referindo a personagem em "Amor de Mãe" (2019). 
Na entrevista, Regina também mencionou a fama de antipática. A artista disse que sua fisioterapeuta se entristece em ver as mentiras inventadas sobre ela, já que a vê dando a atenção aos fãs quando caminha pelas ruas. "Aí, tadinha, ela entra a internet e falam: 'Regina é uma coisa na frente das câmeras, fora é outra, não fala com ninguém, não tira fotos'. Ela fala: 'Regina, mas é mentira. Eu ando com você há 18 anos, todo dia, de manhã e você tira foto com todo mundo'", contou.
A apresentadora, que comandou atrações como "Central da Periferia" (2006-2007) e "Programa Legal (1991-1992)", acredita que essa má fama virtual que lhe acompanha vem antes do "Esquenta". "Todos os trabalhos que eu fiz geravam muito, nesse tipo de grupo, ódio e preconceito. Um pessoal que quer na televisão aquela celebridade glamourizada. Eram só anônimos e pessoas da periferia. O auge realmente foi no 'Esquenta'". 
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