Publicado 11/07/2026 05:00
Rio - Depois de estrear nas telinhas como Stephany em "Dona de Mim", Nikolly Fernandes brilha como Kênia em "A Nobreza do Amor", que ocupa a faixa das 18h da TV Globo. Filha de Jendal (Lázaro Ramos), a personagem desfruta dos privilégios que lhe cercam, apesar de sofrer por causa de algumas atitudes do pai, o rei de Batanga, e vive um romance proibido com Dumi (Licínio Januário).
PublicidadeCorajosa e espirituosa, Kênia rapidamente conquistou a atriz. "O que mais me chamou atenção nela foi a coragem. A Kênia não tem medo de falar, de fazer, de pensar ou de se mostrar. Tudo o que ela sente transparece. Além disso, ela tem um humor muito especial. É aquela pessoa que fala exatamente na hora em que ninguém espera e acaba trazendo leveza para situações mais densas."
Em capítulos previstos para ir ao ar a partir de quarta-feira (15), Kênia será encarcerada a mando de Jendal depois dele descobrir que a filha protegia os rebeldes. Dumi tentará libertar a amada, mas será surpreendido por Pascoal (Luciano Quirino). No capítulo de sexta (17), o rei decidirá soltar a filha, mas vai mantê-la refém em seu castelo.
O amadurecimento da personagem, que tem percebido as atrocidades feitas pelo pai ao longo da trama, agrada Nikolly. "Ela sempre buscou a aprovação do pai e, durante muito tempo, tentou se encaixar naquilo que ele acreditava ser o certo. Mas, à medida que amadurece, percebe que não é parecida com ele. É muito bonito acompanhar esse processo de construção da própria identidade."
A artista lembra com carinho da personagem Stephany, mas reconhece em Kênia uma conexão especialmente profunda. "Desde o início da minha carreira, existiam duas coisas que eu sempre quis transmitir através do meu trabalho: ancestralidade e representatividade. E eu sinto que não poderia existir personagem melhor do que a Kênia para representar isso."
E por falar em representatividade, a atriz torce para que cada vez mais as pessoas se reconheçam nas telinhas. "A sociedade evolui e o audiovisual precisa evoluir junto. Quero ver cada vez mais histórias que reflitam a diversidade real do Brasil, personagens complexos, humanos e protagonistas das próprias trajetórias. Quanto mais a televisão se aproximar da realidade do país, mais forte e verdadeira ela será."
"Em 'Dona de Mim', tive a oportunidade de contracenar com Pedro Fernandes e Haonê Thinar, dois atores maravilhosos que são PCDs. E achei incrível vê-los interpretando personagens cujas histórias não giravam exclusivamente em torno da deficiência", recorda.
Filha de um músico sambista e de uma bailarina apaixonada pelo carnaval, a artista Nikolly Fernandes cresceu cercada pela arte. O primeiro contato com a atuação aconteceu aos seis anos, por meio de um projeto social em Niterói. "Eu me senti em casa. O teatro me permitia cantar, dançar, criar personagens e viver diferentes histórias. Quando olho para trás, percebo que minhas brincadeiras de infância já eram sobre atuação. Eu inventava cenários, criava situações e imaginava vidas que nunca tinha vivido."
Ao longo da trajetória, Nikolly se apaixonou pelo teatro. "Eu amo desafios e amo transformações. O teatro me transforma de dentro para fora. Os personagens, as conexões e as composições que construo acabam transformando a Nikolly também. Aprendi muito do que sei hoje através dessa arte."
Relação com o carnaval
Além da atuação, a artista tem uma forte ligação com o carnaval. "Representa tudo para mim. Cresci nesse ambiente. Foi ali que aprendi sobre a minha cultura, sobre os meus ancestrais e sobre a minha beleza", comenta ela, que lembra da importância que figuras femininas do samba tiveram em sua formação. "Eu tive a oportunidade de ver Juliana Alves e Evelyn Bastos ocupando lugares de destaque quando eu era muito nova. Eu realmente acreditava que elas eram rainhas. Eram as rainhas do meu imaginário."
Foi também nesse universo que ela construiu sua autoestima. "O carnaval me ensinou a enxergar beleza, força e potência em quem eu era. De certa forma, isso me blindou de muitas coisas."
Foi também nesse universo que ela construiu sua autoestima. "O carnaval me ensinou a enxergar beleza, força e potência em quem eu era. De certa forma, isso me blindou de muitas coisas."
Atualmente, Nikolly celebra a chance de poder inspirar outras meninas negras. "Eu acredito muito em um princípio africano chamado Ubuntu, que diz: ‘Eu sou porque nós somos’. As oportunidades que tive vieram porque outras pessoas abriram portas antes de mim. Então sinto que preciso honrar quem veio antes e, ao mesmo tempo, abrir caminhos para quem está chegando."
Nos ensaios da Mangueira, a artista diz que percebe o impacto que essa representatividade já provoca. "Às vezes vejo crianças se aproximando de mim e me enxergando como alguém que representa um sonho, uma possibilidade. Isso é muito emocionante. Acho fundamental que crianças negras possam sonhar e imaginar futuros diferentes para si mesmas."
Nos ensaios da Mangueira, a artista diz que percebe o impacto que essa representatividade já provoca. "Às vezes vejo crianças se aproximando de mim e me enxergando como alguém que representa um sonho, uma possibilidade. Isso é muito emocionante. Acho fundamental que crianças negras possam sonhar e imaginar futuros diferentes para si mesmas."
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