Afastada das novelas desde 2015, Sophie Charlotte está de volta em 'Todas as Flores': 'Estava com saudade'

Atriz vive jovem com deficiência visual no novo folhetim de João Emanuel Carneiro, exibido no Globoplay: 'Tem sido uma transformação imensa na minha vida'

Sophie Charlotte vive Maíra, a protagonista de Todas as FloresDivulgação / TV Globo
Publicado 23/10/2022 07:00
Rio - A atriz Sophie Charlotte, de 33 anos, está vivendo um grande desafio este ano. Ela é a protagonista da novela "Todas as Flores", de João Emanuel Carneiro, exibida no Globoplay. Na trama, Sophie interpreta Maíra, uma jovem que tem deficiência visual. A artista conta que a personagem transformou sua forma de ver o mundo. 
"Todos os personagens que vêm pra nossa vida, eu acredito que não seja por acaso. A Maíra e a vivência dessa novela têm sido de uma transformação imensa na minha vida. Ter a oportunidade de entrar em contato com pessoas com deficiência, deficientes visuais, no dia a dia, na construção desse personagem tem sido uma transformação para sempre", afirma. 
Sophie chama atenção para a luta contra o capacitismo, que é o termo usado para designar qualquer tipo de atitude que discrimina ou denota preconceito com pessoas com deficiência. "Eu acho que tudo que eu tenho vivido e trocado com essas pessoas me marcou. Eu consegui entender, nessa prática, a importância de nós, pessoas que não convivemos com essa deficiência, estarmos na luta anticapacitista no mundo. Tenho tentado fazer uma ponte disso para o meu ofício, para a dramaturgia, para a construção dessa mulher (a personagem Maíra), que entende a deficiência como uma condição com a qual ela convive, mas que não a define exclusivamente".
"Todas as Flores" tem pessoas com deficiência à frente e por trás das câmeras, como é o caso da atriz Camila Alves, que vive a personagem Gabriela, e da assistente de direção Nathália Santos. "Fica pra mim um divisor de águas muito grande e um privilégio de poder conviver com a Nathália, com a Camila. Todas as nossa trocas e aprendizados, em sentido dramatúrgico também... entender e dar voz em potencial para todas essas pessoas que merecem o seu reconhecimento, pelas pessoas que são, pelo ofício que exercem", completa Sophie.
Parceria em cena
Outro grande presente que "Todas as Flores" trouxe para Sophie Charlotte foi a parceria com Regina Casé, que vive sua mãe, Zoé; Letícia Colin, que interpreta sua irmã, Vanessa; e Mariana Sousa Nunes, sua madrinha, Judite. "Eu estou muito feliz e entusiasmada de estar trabalhando com Mariana, Regina. E a Letícia ser minha irmã foi um presentaço na minha vida. Admiro muito a Letícia e acho que a gente precisa de muito afeto, de muita confiança e parceria pra se colocar em situações de risco como essas duas personagens estão fazendo o tempo todo, emocionalmente, e em alguns momentos de vida também… É preciso ter muita confiança com seu parceiro de cena, como eu tenho com a Letícia. Eu tenho por ela um afeto que eu posso realmente visitar lugares difíceis de serem visitados (em cena)", comemora. 
Na novela, Maíra é uma jovem que mora em Pirenópolis, em Goiás, com o pai e sua vida vira de cabeça pra baixo com a chegada de sua mãe, Zoé (Regina Casé), que ela acreditava estar morta. Maíra vai com a mãe para o Rio de Janeiro e conhece também sua irmã, Vanessa. A relação entre as duas será muito diferente do que Maíra esperava, já que Vanessa é uma alpinista social, que só pensa em dinheiro. Para piorar, o noivo de Vanessa, Rafael (Humberto Carrão), vai se apaixonar por Maíra. 
"Quando a Maíra conhece a Vanessa, conhece uma irmã que ela não sabia que existia, ela projeta nessa pessoa todo o imaginário do que significa ter um irmão. Ela chega nessa relação com o coração aberto pra conhecer uma nova pessoa que vai fazer parte da vida dela. Mas ela logo entende que essa relação não vai ser como ela gostaria que fosse. É uma relação muito complexa, vai falar muito dessa relação de família tóxica. Até que ponto você tem que batalhar por essas relações? Até onde isso faz sentido? A Maíra chega com o coração limpo e insiste bastante, até, pra manter essa relação idealizada e desejada", explica Sophie.
"O destino também faz parte dessa história de um jeito muito trágico, muito grego, que é ela (Maíra) chegar e se apaixonar sem saber pelo noivo da irmã, mesmo que a Vanessa não tenha esse amor romântico pelo Rafael, é só financeiro... É o destino que aproxima a Maíra do Rafael e essa aproximação vai gerar na Vanessa cada vez mais combustível. A Maíra, sem querer, vai dando combustível pra tudo borbulhar", analisa. 
Afastada da TV aberta
Afastada das novelas desde 2015, em que viveu a personagem Alice de "Babilônia", Sophie revela que a ausência dos folhetins não foi proposital e que já estava com saudades.
"É curioso porque não foi exatamente planejado. Foi acontecendo. Eu fui realmente emendando trabalhos, séries (no streaming). Fiz a primeira série original do Globoplay que foi 'Ilha de Ferro', foi um super desafio. Depois fiz 'Passaporte para a Liberdade', 'Todas as Mulheres do Mundo', projetos dos quais eu me orgulho bastante. E essa novela ("Todas as Flores"), como foi noticiado antes, era para a TV aberta e depois foi pro streaming. As pessoas estavam me perguntando: 'poxa, você não vai mais fazer novela?'. E eu estava: 'vou'. Mas agora vou fazer uma novela e vou continuar no streaming, as duas coisas se uniram", explica a artista. 
"Eu já estava com saudade. Comecei a fazer novela com 17 anos, né? É praticamente toda a minha vida me relacionando com essa dramaturgia", completa.  
Esta é a primeira vez que a Globo exibe uma novela fora da TV aberta. Sophie está ansiosa para descobrir como será a repercussão do público, a longo prazo, com essa nova forma de fazer dramaturgia. "Estou muito empolgada, muito curiosa de entender essa dinâmica, os capítulos sendo liberados cinco episódios por semana... É a primeira vez que eu trabalho assim e quero entender como vai ser esse diálogo com o público, os próprios ganchos (que o autor deixa para os próximos capítulos)", diz Sophie, que acredita que a dramaturgia está passando por um processo de revolução. 
"Eu acho que isso revoluciona muita coisa no nosso fazer. A gente faz uma ponte nova, inédita, entre o folhetim clássico, que a gente está acostumado e ama, com o universo das séries, com o on demand, que é você poder maratonar, assistir no seu ritmo. Se você estiver mais empolgado, pode avançar a madrugada. Na TV aberta, nem sempre a gente consegue estar ali na frente da televisão (no momento em que a novela está passando). Então, é bom explorar essa possibilidade que eu acho que também vai ser um caminho novo, bacana de a gente trilhar", afirma.
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Afastada das novelas desde 2015, Sophie Charlotte está de volta em 'Todas as Flores': 'Estava com saudade'

Atriz vive jovem com deficiência visual no novo folhetim de João Emanuel Carneiro, exibido no Globoplay: 'Tem sido uma transformação imensa na minha vida'

Sophie Charlotte vive Maíra, a protagonista de Todas as FloresDivulgação / TV Globo
Publicado 23/10/2022 07:00
Rio - A atriz Sophie Charlotte, de 33 anos, está vivendo um grande desafio este ano. Ela é a protagonista da novela "Todas as Flores", de João Emanuel Carneiro, exibida no Globoplay. Na trama, Sophie interpreta Maíra, uma jovem que tem deficiência visual. A artista conta que a personagem transformou sua forma de ver o mundo. 
"Todos os personagens que vêm pra nossa vida, eu acredito que não seja por acaso. A Maíra e a vivência dessa novela têm sido de uma transformação imensa na minha vida. Ter a oportunidade de entrar em contato com pessoas com deficiência, deficientes visuais, no dia a dia, na construção desse personagem tem sido uma transformação para sempre", afirma. 
Sophie chama atenção para a luta contra o capacitismo, que é o termo usado para designar qualquer tipo de atitude que discrimina ou denota preconceito com pessoas com deficiência. "Eu acho que tudo que eu tenho vivido e trocado com essas pessoas me marcou. Eu consegui entender, nessa prática, a importância de nós, pessoas que não convivemos com essa deficiência, estarmos na luta anticapacitista no mundo. Tenho tentado fazer uma ponte disso para o meu ofício, para a dramaturgia, para a construção dessa mulher (a personagem Maíra), que entende a deficiência como uma condição com a qual ela convive, mas que não a define exclusivamente".
"Todas as Flores" tem pessoas com deficiência à frente e por trás das câmeras, como é o caso da atriz Camila Alves, que vive a personagem Gabriela, e da assistente de direção Nathália Santos. "Fica pra mim um divisor de águas muito grande e um privilégio de poder conviver com a Nathália, com a Camila. Todas as nossa trocas e aprendizados, em sentido dramatúrgico também... entender e dar voz em potencial para todas essas pessoas que merecem o seu reconhecimento, pelas pessoas que são, pelo ofício que exercem", completa Sophie.
Parceria em cena
Outro grande presente que "Todas as Flores" trouxe para Sophie Charlotte foi a parceria com Regina Casé, que vive sua mãe, Zoé; Letícia Colin, que interpreta sua irmã, Vanessa; e Mariana Sousa Nunes, sua madrinha, Judite. "Eu estou muito feliz e entusiasmada de estar trabalhando com Mariana, Regina. E a Letícia ser minha irmã foi um presentaço na minha vida. Admiro muito a Letícia e acho que a gente precisa de muito afeto, de muita confiança e parceria pra se colocar em situações de risco como essas duas personagens estão fazendo o tempo todo, emocionalmente, e em alguns momentos de vida também… É preciso ter muita confiança com seu parceiro de cena, como eu tenho com a Letícia. Eu tenho por ela um afeto que eu posso realmente visitar lugares difíceis de serem visitados (em cena)", comemora. 
Na novela, Maíra é uma jovem que mora em Pirenópolis, em Goiás, com o pai e sua vida vira de cabeça pra baixo com a chegada de sua mãe, Zoé (Regina Casé), que ela acreditava estar morta. Maíra vai com a mãe para o Rio de Janeiro e conhece também sua irmã, Vanessa. A relação entre as duas será muito diferente do que Maíra esperava, já que Vanessa é uma alpinista social, que só pensa em dinheiro. Para piorar, o noivo de Vanessa, Rafael (Humberto Carrão), vai se apaixonar por Maíra. 
"Quando a Maíra conhece a Vanessa, conhece uma irmã que ela não sabia que existia, ela projeta nessa pessoa todo o imaginário do que significa ter um irmão. Ela chega nessa relação com o coração aberto pra conhecer uma nova pessoa que vai fazer parte da vida dela. Mas ela logo entende que essa relação não vai ser como ela gostaria que fosse. É uma relação muito complexa, vai falar muito dessa relação de família tóxica. Até que ponto você tem que batalhar por essas relações? Até onde isso faz sentido? A Maíra chega com o coração limpo e insiste bastante, até, pra manter essa relação idealizada e desejada", explica Sophie.
"O destino também faz parte dessa história de um jeito muito trágico, muito grego, que é ela (Maíra) chegar e se apaixonar sem saber pelo noivo da irmã, mesmo que a Vanessa não tenha esse amor romântico pelo Rafael, é só financeiro... É o destino que aproxima a Maíra do Rafael e essa aproximação vai gerar na Vanessa cada vez mais combustível. A Maíra, sem querer, vai dando combustível pra tudo borbulhar", analisa. 
Afastada da TV aberta
Afastada das novelas desde 2015, em que viveu a personagem Alice de "Babilônia", Sophie revela que a ausência dos folhetins não foi proposital e que já estava com saudades.
"É curioso porque não foi exatamente planejado. Foi acontecendo. Eu fui realmente emendando trabalhos, séries (no streaming). Fiz a primeira série original do Globoplay que foi 'Ilha de Ferro', foi um super desafio. Depois fiz 'Passaporte para a Liberdade', 'Todas as Mulheres do Mundo', projetos dos quais eu me orgulho bastante. E essa novela ("Todas as Flores"), como foi noticiado antes, era para a TV aberta e depois foi pro streaming. As pessoas estavam me perguntando: 'poxa, você não vai mais fazer novela?'. E eu estava: 'vou'. Mas agora vou fazer uma novela e vou continuar no streaming, as duas coisas se uniram", explica a artista. 
"Eu já estava com saudade. Comecei a fazer novela com 17 anos, né? É praticamente toda a minha vida me relacionando com essa dramaturgia", completa.  
Esta é a primeira vez que a Globo exibe uma novela fora da TV aberta. Sophie está ansiosa para descobrir como será a repercussão do público, a longo prazo, com essa nova forma de fazer dramaturgia. "Estou muito empolgada, muito curiosa de entender essa dinâmica, os capítulos sendo liberados cinco episódios por semana... É a primeira vez que eu trabalho assim e quero entender como vai ser esse diálogo com o público, os próprios ganchos (que o autor deixa para os próximos capítulos)", diz Sophie, que acredita que a dramaturgia está passando por um processo de revolução. 
"Eu acho que isso revoluciona muita coisa no nosso fazer. A gente faz uma ponte nova, inédita, entre o folhetim clássico, que a gente está acostumado e ama, com o universo das séries, com o on demand, que é você poder maratonar, assistir no seu ritmo. Se você estiver mais empolgado, pode avançar a madrugada. Na TV aberta, nem sempre a gente consegue estar ali na frente da televisão (no momento em que a novela está passando). Então, é bom explorar essa possibilidade que eu acho que também vai ser um caminho novo, bacana de a gente trilhar", afirma.
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