Publicado 31/05/2026 05:00
Rio - Isis Valverde chamou a atenção, recentemente, ao revelar que foi internada três vezes neste ano devido à doença celíaca. A declaração da artista abriu espaço para o debate sobre a importância de reconhecer sintomas da condição autoimune, buscar o diagnóstico correto e entender como ela pode afetar diretamente a qualidade de vida quando não é acompanhada de perto.
Publicidade"A doença celíaca é uma doença autoimune associada a ingestão de glúten, o que causa uma inflamação no intestino delgado, causando problemas de absorção intestinal, diarreia entre outros sintomas", esclarece o gastroenterologista e endoscopista Fabio Seleri Fernandes.
No relato, a atriz de 39 anos comentou que foi diagnosticada com a doença aos 19 e que por menor que seja seu contato com o glúten, presente em alimentos feitos com trigo, cevada e centeio, ele pode lhe causar reações intensas. Isis, ainda, definiu sua condição como "muito agressiva".
O médico explica, que como qualquer doença, a celíaca pode ter diversos níveis de gravidade. "Pode-se ter sintomas leves, que são facilmente contornados, até casos graves como por exemplo desnutrição grave e infecção generalizada. O tratamento é a dieta com retirada do glúten. É importante o acompanhamento com nutricionista", destaca.
A doença, inclusive, não deve ser confundida com alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten. Apesar de poderem provocar sintomas parecidos, são condições diferentes. Na doença celíaca, há produção de anticorpos e reação autoimune após a exposição ao glúten. Já a sensibilidade e a alergia podem causar sintomas gastrointestinais, mas não seguem o mesmo mecanismo.
O diagnóstico costuma ser feito por exames de sangue, para detectar anticorpos relacionados à doença, e por endoscopia digestiva com biópsia do duodeno. "É importante a testagem em vigência do glúten porque o paciente pode melhorar com a retirada e atrapalhar o diagnóstico", alerta o gastroenterologista.
"A predisposição genética é um fator importante", diz Fabio. Parentes próximos de pessoas diagnosticadas têm risco maior de desenvolvê-la. Para mulheres que são mães, como Isis, é importante observar sintomas persistentes nos filhos, e buscar avaliação médica quando houver sinais como dor abdominal recorrente, diarreia frequente, anemia, baixo ganho de peso, cansaço persistente ou alterações no crescimento.
Além da predisposição genética, a intolerância ao glúten "pode ser desencadeada por outros fatores". "Como infecções intestinais, medicamentos e algumas cirurgias gastrointestinais. E ela pode se manifestar em qualquer idade", afirma o profissional.
O gastroenterologista também explica que alguns suplementos podem ser necessários. "Reposição de vitaminas (B12 e D), ferro e sais minerais dependendo da gravidade da inflamação e do prejuízo da absorção intestinal", lista. O médico, por fim, ressalta que a pessoa celíaca que adere ao tratamento e faz acompanhamento regular raramente necessitará de atendimento médico com urgência.
*Reportagem da estagiária Carolina Irigoyen, sob supervisão de Isabelle Rosa
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