Publicado 26/05/2025 09:29 | Atualizado 26/05/2025 09:31
Olá, meninas!
PublicidadeHoje o assunto é especialmente direcionado aos papais e responsáveis. Desde muito nova, sempre acreditei no poder transformador da educação. No entanto, ao observar a realidade de tantas crianças brasileiras, percebo o quanto esse caminho ainda é repleto de obstáculos.
A precariedade nas escolas, a falta de apoio individualizado e os desafios sociais profundos tornam o processo de aprendizagem um verdadeiro teste de resistência.
Além disso, como mãe, me preocupa ver o desinteresse crescente pelos estudos diante das distrações tecnológicas que, sem orientação adequada, acabam afastando nossos pequenos do conhecimento. Diante disso, conversei com o professor Júlio Furtado, que é psicopedagogo e mestre em Educação. Confira abaixo a entrevista:

Quais hábitos familiares podem contribuir para despertar o interesse da criança pelos estudos?
Os principais hábitos são:
1- Hábito de leitura - ao ver familiares lendo, as crianças tendem a internalizá-lo. Ao comentar com as crianças sobre o que estamos lendo, elas tendem a dar significado à leitura.
2- Instigar a curiosidade da criança - isso desperta interesse pela descoberta, que é uma característica natural nas crianças. Caso a criança esteja estudando sobre plantas, por exemplo, instiga-la com curiosidades sobre o assunto pode despertar o interesse.
3- Criar ambientes instigadores e atraentes para a criança estudar - imagens dos personagens que a criança gosta dizendo frases de incentivo aos estudos, boa iluminação e acesso a materiais de pesquisa são algumas sugestões.
Como lidar com a resistência da criança diante das tarefas escolares do dia a dia?
Como lidar com a resistência da criança diante das tarefas escolares do dia a dia?
Em geral, a recusa em estudar é indício de que a criança não está engajada com o processo de aprendizagem e isso, em geral, é porque ela não está aprendendo.
Um bom início é entender o porquê da resistência através do diálogo não ameaçador. Um próximo passo pode ser propor estudarem juntos para que possamos identificar, especificamente, se há dificuldades e quais são elas.
Fazer perguntas que ajudam a perceber o quê, exatamente a criança não sabe, facilita a comunicação entre a ela e a professora. Por exemplo: “Você não está sabendo como fazer quando vai um na conta, é isso?”
De que forma os pais podem motivar o filho a estudar sem recorrer a punições ou recompensas constantes?
Isso vai depender da faixa etária da criança. Em geral, crianças até os três anos somente aprendem através de brincadeiras. Brincar é o caminho nessa fase.
Dos quatro aos seis anos, a linguagem lúdica continua valendo, mas é mais eficaz no formato de jogos. Como essa é uma fase em que a criança aprende apenas no concreto, o uso de material palpável como apoio ajuda muito.
Dos sete aos nove anos a criança precisa de ajuda para se organizar. Fazer cronogramas e colar em local visível é uma boa dica. Nessa fase, também, a criança já deve ser incentivada a expressar o que aprendeu através de outras linguagem, como desenhos, esquemas e dramatizações.
Dos 10 aos 12 anos o pensamento abstrato já começa a ser elaborado e ajudá-los a fazer resumos do que aprendeu ajuda a acelerar esse desenvolvimento. O uso da tecnologia para pesquisas e produção de sínteses deve começar nessa idade.
Dos 13 anos em diante, ajudar a planejar, incentivar a aprendizagem colaborativa (grupos online, por exemplo) e motivar o aprofundamento do que aprendeu são atitudes que podem motivar o adolescente a estudar.
Que estratégias simples os responsáveis podem adotar para transformar o momento de estudo em algo mais lúdico e interativo?
Além das já citadas na primeira pergunta, “gamificar” o estudo é uma ótima estratégia. Transformar o momento de estudos num jogo em que a criança seja progressivamente desafiada e ao ter sucesso passa para uma fase superior é a forma infalível dos games. A sensação de ter sucesso em desafios progressivos é uma fórmula infalível para motivar.
Outra estratégia interessante é contextualizar o assunto estudado com algum foco de interesse da criança (caso a criança se interesse por dinossauros, por exemplo, contextualizar o assunto com algo do tipo: “Imagina se o Tiranossauro Rex derrotar nove velociraptores num dia, e no outro ele derrotar mais cinco. Quantos velociraptores ele terá derrotado ao todo?)
Como perceber se a criança está desmotivada por fatores emocionais, como ansiedade ou insegurança?
Ansiedade e insegurança, em geral, levam a reações de desequilíbrio emocional frequente e facilmente observável. Por exemplo, é relativamente normal, vez ou outra, crianças não quererem fazer as tarefas. Se essa recusa tornar-se frequente, podemos pensar em fatores emocionais.
Qual é o equilíbrio ideal entre tempo de estudo e tempo livre para crianças em idade escolar?
Mais uma vez precisamos pensar em faixas etárias. Dos 6 aos 8 anos, meia hora por dia (2 períodos de 15 minutos de estudos, intercalados com intervalo de 10 minutos pra brincar) é o ideal. Dos 9 aos 12 anos, 1 hora de estudos (3 períodos de 20 minutos intercalados com intervalos de 10 minutos) e, finalmente, dos 13 anos em diante, 1h30min. por dia (3 períodos de meia hora, intercalados por intervalos de 5 minutos) é o tempo ideal.
Com relação ao tempo livre, ele deve permitir que a criança descanse, recarregue energias, explore interesses pessoais, desenvolva habilidades sociais através da interação com pares. O tempo livre deve ser inversamente proporcional à idade. Quanto menor a faixa etária, maior a necessidade de tempo livre.
Quais sinais indicam que pode ser necessário procurar apoio profissional, como psicopedagogos ou terapeutas, para ajudar na motivação escolar da criança?
São muitos os sinais, mas os principais são dificuldade de aprendizagem persistente, queda inexplicável no desempenho escolar e ausência de concentração e atenção.
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