Publicado 09/09/2025 09:32
Olá, meninas!
PublicidadeHoje eu queria mostrar a todas vocês a história de um verdadeiro mulherão que é a atriz consagrada Sônia de Paula, também idealizadora de um projeto maravilhoso chamado "Lê pra Mim".
Aos 72 anos, ela carrega no olhar a doçura de quem acredita no poder da leitura, e coordena este lindo projeto que já transformou a vida de milhares de crianças.
Entre memórias com sua filha, desafios como mulher no mundo da cultura e a alegria de ver tantas vozes femininas abraçando sua causa, ela nos lembra que educar, inspirar e semear literatura é também um ato de amor e de coragem. Confira a entrevista abaixo:

Sônia, você idealizou o "Lê pra Mim?" há 15 anos. O que te motivou, como mulher e artista, a criar um projeto tão especial voltado para a infância?
Atualmente, sou a idealizadora do "Lê pra Mim" atualmente, mas não idealizei o projeto no início. Foi uma benção o que eu tive. Em um domingo à tarde, estando sozinha, pois minha filha havia acabado de sair, surgiu a imagem dela, ainda pequena, me mostrando um livro e dizendo "Lê Pra Mim".
O livro que ela mostrava foi a "Chapeuzinho Vermelho". Mas, na verdade, o primeiro livro que li para ela foi "O Meu Pé de Laranja Lima", de José Mauro de Vasconcelos. Foi, portanto, uma bênção que recebi de Deus, através da minha filha.
Ao longo dessa trajetória, você já impactou milhares de crianças. Qual foi o momento mais emocionante que você viveu nesses encontros literários?
Bom, nessa trajetória de 15 anos, o impacto com as crianças foram todos! Porque costumo dizer que o "Lê pra Mim", todo dia e em toda leitura é uma estreia.
Então, todos os momentos que eu vivo foram emocionantes.
A leitura sempre foi um espaço de afeto e troca. Como você enxerga o papel das mulheres – mães, avós, professoras – nesse incentivo ao hábito de ler?
Tenho convicção de que a relação entre mulheres, mães, avós e professores propicia uma genuína troca de afeto e um incentivo à leitura nas crianças.
Ao compartilhar esse processo, revivemos nossos próprios sonhos, aqueles que cultivamos quando éramos agraciados com a leitura de nossos pais, avós e professores.
O projeto já reuniu artistas incríveis, de Juliana Paes a Fátima Bernardes. Como é, para você, ver tantas mulheres fortes e inspiradoras abraçando essa causa?
O projeto já reuniu artistas incríveis, de Juliana Paes a Fátima Bernardes. Como é, para você, ver tantas mulheres fortes e inspiradoras abraçando essa causa?
Sinto-me muito abençoada por ter contado com o apoio de Juliana Paes, Fátima Bernardes, Laura Cardoso, Elke Maravilha, Nicette Bruno, Fafá de Belém... São tantas figuras inspiradoras, tanto mulheres quanto homens. Ao abraçar esta causa, sinto-me abençoada por partilhar este sonho realizado com essas pessoas.
A cada edição, vocês distribuem livros para que as crianças levem para casa. Como você imagina que esse pequeno gesto pode transformar o futuro dessas meninas e meninos?
A cada edição, vocês distribuem livros para que as crianças levem para casa. Como você imagina que esse pequeno gesto pode transformar o futuro dessas meninas e meninos?
Sim, em todas as nossas atividades de leitura, distribuímos livros. Quando realizamos essas atividades nas escolas, doamos os livros para as bibliotecas.
Acreditamos que esse pequeno gesto é transformador. Porém desejamos que os pais, tios e avós continuem a fomentar esse hábito, para que as sementes que plantamos floresçam.
Em tempos de tanta conexão digital, como foi o desafio de manter a leitura viva, especialmente durante a pandemia, quando o projeto precisou migrar para o online?
Apesar da relevância da conexão digital, considero o contato humano insubstituível. Acredito na importância de manter a leitura ativa e valorizo a experiência presencial.
Durante a pandemia, diante da impossibilidade de contato físico, propus a alguns atores a leitura de livros em suas residências, disponibilizando os vídeos em nosso canal "Lê Pra Mim".
Você é atriz, produtora e idealizadora. Como mulher, quais foram os maiores desafios para manter o projeto vivo por tantos anos?
Como atriz, produtora, idealizadora e mulher, os desafios se mostram constantes na minha jornada artística: buscar financiamento, coordenar parcerias e manter a união entre os envolvidos.
É essa dinâmica que sustenta o projeto ao longo do tempo. Felizmente, tenho encontrado apoio valioso em parceiros e patrocinadores, bem como na colaboração de colegas de profissão e de artistas de diversas áreas, como cantores, que têm sido generosos ao abraçar este sonho.
O "Lê pra Mim?" já beneficiou mais de 44 mil crianças. Qual é o legado que você, pessoalmente, sonha deixar com esse projeto?
O "Lê pra Mim?" já beneficiou mais de 44 mil crianças. Qual é o legado que você, pessoalmente, sonha deixar com esse projeto?
Ao longo destes 15 anos, colaborei para o desenvolvimento de 45 mil crianças. Sinto que plantei uma semente, e peço a Deus que me conceda vida e saúde para continuar a fazê-lo, alcançando ainda mais crianças. No próximo ano, celebrarei 55 anos de carreira como atriz, mas almejo ser lembrada pelo "Lê pra Mim".
Acredito que o conhecimento constrói a pessoa, e a literatura é a principal fonte desse saber, pois permite a leitura, a compreensão, a distinção entre o certo e o errado, além de proporcionar a capacidade de sonhar com lugares que podemos ou não conhecer. A literatura oferece tudo isso, somado a grandes viagens e experiências.
Muitas mulheres querem empreender em cultura, mas encontram barreiras. Que conselho você daria para quem sonha em criar um projeto social ou cultural, como você fez?
Muitas mulheres querem empreender em cultura, mas encontram barreiras. Que conselho você daria para quem sonha em criar um projeto social ou cultural, como você fez?
Em qualquer profissão, deparamo-nos com desafios. É fundamental acreditar nos objetivos que nos propomos a alcançar. Com fé e determinação, a concretização se torna possível.
O trabalho social oferece inúmeras oportunidades. Fui agraciada com a experiência de um, e creio que todos nós possuímos em nosso interior um projeto social. Portanto, manifestem-no com amor, dedicação e conhecimento, pois tenho certeza de que seu projeto será igualmente abençoado, como o "Lê pra Mim" o é para mim.
Sônia, o que é ser um mulherão?
Sônia, o que é ser um mulherão?
Eu não vou ser modesta não, eu me considero mulherão!
Eu acho que nesses 72 anos de vida, a minha trajetória foi muito abençoada. Eu fui muito ajudada, acolhida e amada. Muitas portas se abriram, muitas também se fecharam, mas elas também fazem parte desse crescimento dessa mulher, desse mulherão que eu me tornei. Eu tenho muito orgulho de mim.
Outro dia me perguntaram o que eu diria para a Sônia de Paula. Eu diria que sinto muita admiração. Me admiro muito pela minha trajetória!
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.