Publicado 16/09/2025 09:36
Meninas, pelo amor de Deus, que libido é esse da Odete Roitman! Interpretada por Débora Bloch, de 62 anos, a vilã de Vale Tudo está causando com sua libido lá em cima! Agora, além de ser a mais temida, Odete também é a mais insaciável e não está nem aí para julgamentos. Com um apetite sexual que desafia estereótipos, ela prova que prazer não tem prazo de validade.
PublicidadeMas será que essa libido toda é possível na vida real? Para entender um pouco mais desse assunto, conversei com a ginecologista Rachel Frota (@fler.rf), que falou um pouco sobre a vida sexual após os 60, mudanças hormonais, e como a autoestima está relacionada ao desejo sexual.
Confira o bate-papo com a doutora abaixo:
Odete Roitman de 2025 é segura e sexualmente ativa aos 62 anos. Essa representação reflete uma nova realidade para as mulheres que chegam aos 60 hoje?
Sim, essa representação dialoga com uma nova realidade, embora ainda marcada por contrastes. Pesquisas recentes mostram que muitas mulheres com mais de 60 anos continuam sexualmente ativas e interessadas em manter uma vida íntima, mas isso depende de múltiplos fatores — biológicos, emocionais, relacionais e culturais.
•Atividade sexual persiste após os 60: estudos apontam que entre 33% e 73% das mulheres com mais de 60 anos permanecem sexualmente ativas (Sciencedirect, 2021).
•Desejo sexual não desaparece: pesquisas qualitativas mostram que mulheres nessa faixa etária ainda desejam “sentir como antes” (PubMed, 2020), mas lidam com mudanças físicas (secura vaginal, desconforto, dor) e com fatores externos como saúde do parceiro, fadiga e estresse.
•Menos tabu: comparado a gerações anteriores, hoje existe maior abertura para falar sobre sexualidade na maturidade. Isso dá suporte para que mulheres expressem desejo e procurem soluções — desde tratamentos médicos até mudanças de estilo de vida.
•Qualidade do relacionamento conta muito: a intimidade emocional é apontada como um fator chave para a satisfação sexual após os 60 (PMC, 2012).
Em resumo: a imagem de uma mulher de 62 anos, confiante e sexualmente ativa, não é ficção — ela espelha a experiência de muitas mulheres hoje, que vivem mais, têm acesso a informação, a cuidados médicos e a uma cultura que começa a legitimar a sexualidade após os 60. Porém, essa não é ainda a realidade de todas, já que saúde física, acesso a tratamento e fatores sociais continuam a impactar bastante a vida sexual nessa fase
Em resumo: a imagem de uma mulher de 62 anos, confiante e sexualmente ativa, não é ficção — ela espelha a experiência de muitas mulheres hoje, que vivem mais, têm acesso a informação, a cuidados médicos e a uma cultura que começa a legitimar a sexualidade após os 60. Porém, essa não é ainda a realidade de todas, já que saúde física, acesso a tratamento e fatores sociais continuam a impactar bastante a vida sexual nessa fase
É comum mulheres com mais de 60 anos terem um libido tão ativo quanto o de Odete Roitman? Quais fatores biológicos favorecem ou dificultam isso?
Ter uma libido tão ativa quanto a de Odete Roitman é possível e real para muitas mulheres após os 60, mas não é universal.
A biologia coloca desafios — principalmente hormonais e de saúde física —, mas fatores como estilo de vida saudável, cuidados médicos adequados e a manutenção da intimidade emocional com o parceiro podem favorecer muito uma vida sexual ativa nessa idade
Quais mudanças hormonais ocorrem na menopausa que influenciam o desejo sexual? Até que ponto a queda de estrogênio interfere no libido?
Na menopausa, há queda acentuada de estrogênio e também de testosterona.
•Estrogênio: sua redução leva a secura e atrofia vaginal, menor lubrificação e dor na relação — fatores que indiretamente reduzem o desejo por causa do desconforto.
•Testosterona: mesmo em níveis baixos nas mulheres, está ligada ao desejo e à excitação; sua queda pode afetar o libido de forma mais direta.
Em resumo: a falta de estrogênio impacta mais o conforto físico da relação, enquanto a queda de testosterona e outros fatores (como saúde, emoção e qualidade da relação) têm papel maior no desejo em si.
•Estrogênio: sua redução leva a secura e atrofia vaginal, menor lubrificação e dor na relação — fatores que indiretamente reduzem o desejo por causa do desconforto.
•Testosterona: mesmo em níveis baixos nas mulheres, está ligada ao desejo e à excitação; sua queda pode afetar o libido de forma mais direta.
Em resumo: a falta de estrogênio impacta mais o conforto físico da relação, enquanto a queda de testosterona e outros fatores (como saúde, emoção e qualidade da relação) têm papel maior no desejo em si.
Como autoestima, imagem corporal e percepção social do envelhecimento influenciam o desejo sexual em mulheres mais velhas?
Pesquisas mostram que, após os 60, fatores emocionais e sociais têm mais peso sobre o desejo sexual do que os hormonais. A autoestima e a imagem corporal influenciam diretamente: mulheres que se sentem atraentes e valorizadas relatam mais interesse e satisfação sexual. Já a percepção social negativa do envelhecimento — que associa velhice à perda de feminilidade ou de atratividade — pode reduzir a libido, mesmo quando não há grandes limitações biológicas.
Assim, embora os hormônios expliquem parte do desejo (cerca de 20%), o que realmente sustenta a libido nessa fase é o estado emocional, a qualidade do relacionamento, a intimidade e o modo como a mulher se enxerga e é reconhecida socialmente.
Assim, embora os hormônios expliquem parte do desejo (cerca de 20%), o que realmente sustenta a libido nessa fase é o estado emocional, a qualidade do relacionamento, a intimidade e o modo como a mulher se enxerga e é reconhecida socialmente.
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