Publicado 12/01/2026 09:32
Isabel Veloso encantou-se hoje, uma jovem mulher que se tornou conhecida nas redes sociais ao compartilhar, com coragem e transparência, sua luta contra o linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que a acompanhou desde a adolescência. Ainda muito nova, ela precisou aprender a conviver com tratamentos invasivos, incertezas constantes e a dura consciência da finitude, algo que muitos só enfrentam no fim da vida.
Mesmo doente, Isabel escolheu viver.
Casou. Teve um filho. Sonhou. Amou. Planejou o amanhã enquanto lutava, dia após dia, para permanecer no hoje. Essas escolhas, que deveriam ser acolhidas com respeito, foram transformadas em julgamento público. Nas redes sociais, sua vida virou tribunal. Questionaram suas decisões, sua maternidade, sua fé e até a legitimidade da sua dor, doença, medo, porque o mundo é cruel, infelizmente.
O adoecimento já é, por si só, um território de extrema vulnerabilidade. Ele impõe limites ao corpo, desafia a mente e exige uma força emocional que ninguém vê.
Ainda assim, Isabel precisou carregar um peso adicional: o da desumanização virtual. Pessoas que nunca sentiram sua dor se acharam no direito de opinar sobre escolhas que não precisaram enfrentar.
Mas há algo que os julgamentos nunca conseguiram tirar dela: a dignidade.
Ela foi guerreira não por romantizar a doença, mas por se recusar a deixar que ela definisse quem ela era.
Foi forte não porque não sentia medo, mas porque escolheu amar apesar dele.
Foi corajosa por gerar vida enquanto lutava pela própria.
Quando Isabel se encantou, não partiu em silêncio.
Deixou um legado que vai além da sua história pessoal. Sua vida escancarou uma verdade incômoda sobre o nosso tempo: julgamos demais vidas que não conhecemos, dores que não sentimos e batalhas que jamais travamos.
Ela nos deixa uma lição simples, urgente e profundamente humana: julgue menos e viva mais.
Porque a vida é curta demais para ser desperdiçada com ódio e preciosa demais para não ser vivida com empatia.
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