Publicado 10/03/2026 09:35
Olá, meninas!
PublicidadeEntre um compromisso e outro, sentei para bater um papo daqueles bons com a maravilhosa Andréa Cunha da Silva Monken. E olha… que mulher! Daquelas que chegam com firmeza, mas também com um olhar cheio de sensibilidade para as causas que realmente importam.
Arte-educadora, socióloga e hoje ocupando o cargo de vereadora em Maricá, Andréa é o tipo de mulher que não passa despercebida: fala com propósito, age com coragem e mostra, na prática, que lugar de mulher também é nos espaços de decisão. Nosso bate-papo foi sobre política, cultura, proteção das crianças e, claro, sobre o que significa ser um verdadeiro mulherão nos dias de hoje. Confira abaixo:

Andrea, a gente sabe que a política ainda é um espaço muito dominado por homens. Como é pra você ser mulher e ocupar esse lugar de decisão?
Olha, entrar nesse espaço da política como mulher é mais do que ocupar uma cadeira — é assumir um pacto com muitas outras mulheres que esperam ver ali alguém que as represente, que escute, que leve suas pautas. Para mim, significa trazer um olhar que junta sensibilidade com rigor, porque o mundo exige que a gente seja firme — mas também cuidadosa. E para transformar essa presença em resultado, tem que haver política com compromisso.
Por isso, por exemplo, assumi com alegria a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e Enfrentamento à Violência na Câmara. A mulher no poder não é exceção: ela vem para mostrar que liderança, transformação e protagonismo feminino fazem parte da construção de uma cidade mais justa.
Com que importância você vê a arte e a cultura ajudando o fortalecimento do papel da mulher na sociedade?
A arte e a cultura são instrumentos de expressão, de visibilidade — de fazer com que a mulher não fique à margem, mas atue, crie e transforme. Quando uma mulher escreve, pinta, dança, produz, ela reivindica espaço e dignidade. Na prática política isso se traduz em legislar para cultura que valorize as mulheres.
Um exemplo é minha indicação ou apoio a programas de valorização cultural local, sobretudo envolvendo mulheres, jovens e periferias — é ali que a arte fortalece autoestima, presença e voz. E cultura não é ‘festa apenas’ — é política pública. Deve haver previsão orçamentária, espaços públicos, acessibilidade. Quando mulheres ocupam esses espaços artísticos, rompem estigmas, inspiram.
São políticas como essas que ajudam a construir uma sociedade em que a mulher não aguarda autorização: ela cria, propõe, lidera.
Recentemente estivemos juntos no lançamento do Projeto 'Proteja os seus Filhos', no qual fui uma das co-autoras. Pensando nesse tema tão sensível, mas tão importante, na sua visão quais são as maiores dificuldades que as famílias enfrentam hoje pra proteger as crianças e adolescentes?
Essa iniciativa 'Proteja os seus Filhos' traz algo muito forte: o alerta de que as garotas e os garotos não estão sozinhos — nem suas famílias. Na prática, vejo três dificuldades principais: o tempo de atenção, a vulnerabilidade digital e a fragmentação da rede de cuidado.
Por isso, minha proposição da Lei Meninas Crescendo Sem Medo, aprovada na Câmara (PL 07/2025), é uma resposta concreta: garantir programa de prevenção e educação para meninas vulneráveis. Proteger crianças e adolescentes exige vontade política, estrutura, e colaboração de todos — não dá para delegar só à família ou só à escola.
Muita gente acha que cuidar das crianças é só papel da escola ou da família. Como você enxerga o papel da comunidade nessa proteção?
A comunidade é essencial nessa rede. Nenhuma criança cresce sozinha, e nenhum pai ou mãe dá conta sozinho. Quando a gente vive num bairro onde as pessoas se conhecem, se respeitam, olham umas pelas outras, o risco diminui.
A comunidade pode ser o primeiro espaço de acolhimento, de escuta, de cuidado. Como vereadora, tenho trabalhado por indicações que estimulem esse protagonismo comunitário — de modo que a proteção das crianças e adolescentes seja compartilhada, não isolada.
Você é arte-educadora e socióloga. Como essas duas áreas se juntam no seu jeito de fazer política?
Arte-educadora me deu a crença de que cada pessoa é capaz de se expressar, aprender, criar. A sociologia me deu o ferramental para entender as desigualdades, os contextos, as estruturas que criam obstáculos. Assim, meu modo de fazer política junta o olhar humano com a análise social.
Por exemplo, na lei de prevenção ao feminicídio e no programa de endometriose que apresentei, vejo ação direta: uma visão de saúde, direitos humanos e educação — reunidos em políticas integradas. Então política, pra mim, é arte de transformar e sociologia de entender o que precisa mudar.
Como a escola pode ser um espaço mais acolhedor e criativo pra crianças e jovens?
Quando penso em acolhimento e criatividade, imagino uma escola onde o aluno se sinta pertencente, incluído e motivado. São ações como incluir arte no currículo, espaços para expressão cultural, diálogo entre professor e aluno, e projetos de gênero e diversidade — como o programa 'Meninas Crescendo Sem Medo'.
Também penso em políticas de ambiente físico e currículo vivo. E legislativamente, a revisão do Plano Municipal de Educação da cidade (PL 209/2021, do qual fui coautora) é um marco para garantir esse planejamento acolhedor e criativo.
Andréa, para você, o que é ser um mulherão?
Pra mim, ser um mulherão é conjugar presença, potência e cuidado. É saber o próprio valor e usar isso pra transformar o que está à volta. É fazer políticas como as que apresentei — programa de enfrentamento ao feminicídio, programa de endometriose, Lei Meninas Crescendo Sem Medo — porque mulherão é ação, é mudança. E, acima de tudo, mulherão é reconhecer que nunca está sozinha — que inspira e levanta outras mulheres também.
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.