Levantamento com cerca de 5 mil pacientes mostra disparidades de gênero que ainda impactam o cuidado cardiovascular no Brasil.Reprodução/Internet
Publicado 11/05/2026 09:52
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Quando o assunto é saúde do coração, existe um dado que merece atenção: mulheres entre 45 e 55 anos podem ter um risco maior de morrer após um infarto. Esse alerta aparece em um estudo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, que investigou como idade e sexo influenciam a mortalidade de pacientes com infarto agudo do miocárdio atendidos na rede pública de Curitiba.

Para entender melhor esse cenário, pesquisadores acompanharam cerca de 5 mil pacientes internados pelo Sistema Único de Saúde entre 2008 e 2015. A mortalidade total da amostra foi de 29,5%. O dado que mais chamou atenção foi que mulheres na meia-idade, entre 45 e 54,9 anos, apresentaram risco significativamente maior de morte após um infarto quando comparadas aos homens da mesma faixa etária, independentemente do histórico médico anterior.

Os números também mostraram outro ponto importante: em geral, as mulheres costumam sofrer infarto em idades mais avançadas. Ainda assim, o grupo feminino de meia-idade se destacou como uma exceção que merece olhar cuidadoso.

“Persistem disparidades de gênero que afetam particularmente as mulheres. Em geral, elas sofrem infarto em idade mais avançada e na presença de mais comorbidades. A idade média das mulheres no momento do IAM foi aproximadamente cinco anos superior à dos homens (65,1 para eles e 60,3 para elas). No entanto, há o que chamamos de paradoxo de gênero, pois esse grupo da meia-idade tende a apresentar menos fatores de risco que, em tese, estariam associados a um melhor prognóstico na população geral”, explica José Rocha Faria Neto.

Na prática, isso acende um sinal importante para a saúde cardiovascular feminina. Segundo o estudo, mulheres no início da meia-idade formam um subgrupo de alta vulnerabilidade e precisam de uma atenção mais direcionada dentro do sistema de saúde.

“Esses achados representam um importante alerta para a necessidade de abordagens clínicas diferenciadas e direcionadas a esse grupo. No Brasil, especialmente no sistema público de saúde, ainda há escassez de dados sobre o tema. A redução dessas disparidades entre os sexos exige investimento em educação médica continuada, maior compreensão das barreiras ao tratamento adequado e intervenções voltadas aos determinantes sociais da saúde”, destaca Faria Neto.

Mas afinal, por que isso acontece? Os pesquisadores apontam que essa maior vulnerabilidade pode ter relação com mudanças hormonais típicas da perimenopausa e do início da menopausa, além de fatores vasculares e emocionais. Também entram nessa conta sintomas que muitas vezes fogem do padrão clássico do infarto, como fadiga intensa, náuseas e dor na mandíbula. Esse quadro pode dificultar o diagnóstico, atrasar o tratamento e comprometer o acompanhamento adequado.

Por isso, falar sobre infarto em mulheres é cada vez mais necessário. Muitas vezes, os sinais podem ser mais discretos e até confundidos com cansaço, estresse ou mal-estar passageiro. Quanto mais cedo o reconhecimento dos sintomas e a busca por atendimento médico, maiores são as chances de um desfecho melhor.
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