Publicado 28/07/2026 09:36
Olá, meninas!
PublicidadeTem coisa mais gostosa do que uma boa amizade? Daquelas que atravessam os anos, sobrevivem às mudanças da vida, aos momentos de silêncio, às diferenças de opinião e que, quando a gente precisa, estão ali para segurar a nossa mão? Eu acredito que não. E talvez seja justamente por isso que a peça "Uma Vida de Amizade" tenha me tocado tanto. Porque, no fundo, ela fala sobre nós.
No palco, três mulheres que conhecemos tão bem de tantos trabalhos no teatro, na televisão, no cinema e na moda: Silvia Pfeifer, Adriana Garambone e Helena Fernandes. Juntas, elas dão vida a Gilda, Yasmin e Renée, três amigas que se conhecem desde a juventude e que mantêm o ritual de se encontrar uma vez por ano. É aquele tipo de encontro que começa com lembranças, risadas e histórias do passado, mas que logo abre espaço para questões muito mais profundas sobre a vida, o amor, as escolhas e, claro, sobre o próprio envelhecer.
No palco, três mulheres que conhecemos tão bem de tantos trabalhos no teatro, na televisão, no cinema e na moda: Silvia Pfeifer, Adriana Garambone e Helena Fernandes. Juntas, elas dão vida a Gilda, Yasmin e Renée, três amigas que se conhecem desde a juventude e que mantêm o ritual de se encontrar uma vez por ano. É aquele tipo de encontro que começa com lembranças, risadas e histórias do passado, mas que logo abre espaço para questões muito mais profundas sobre a vida, o amor, as escolhas e, claro, sobre o próprio envelhecer.

E eu gosto muito de falar sobre isso porque ainda vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, parece acreditar que a mulher tem prazo de validade. Como se, depois de determinada idade, fosse preciso diminuir os sonhos, esconder os desejos ou abrir mão do protagonismo. Mas nós sabemos que não é assim. Aliás, muitas vezes é justamente depois dos 50 que começamos a entender melhor quem somos, o que queremos e, principalmente, o que não queremos mais.
É essa mulher que *Uma Vida de Amizade* coloca em cena. Uma mulher ativa, desejante, independente, cheia de histórias e ainda com muita vida pela frente. Uma mulher que pode rir de si mesma, se apaixonar, mudar de ideia, errar, recomeçar e, acima de tudo, continuar escolhendo o próprio caminho.
A peça nasceu de uma ideia do dramaturgo Gustavo Pinheiro, que queria falar sobre o processo de envelhecimento feminino a partir da história de três mulheres que haviam sido modelos. A inspiração ganhou vida quando ele se deparou com uma foto de Silvia, Helena e Adriana e percebeu que aquelas três mulheres poderiam ser exatamente as suas personagens. A partir daí, encontros e conversas ajudaram a construir uma história que mistura afeto, humor e reflexões sobre a passagem do tempo.
E olha que interessante: as personagens têm personalidades bem diferentes. Gilda, vivida por Silvia Pfeifer, é a conciliadora. Aquela amiga que parece forte, equilibrada e que está sempre tentando colocar as coisas no lugar, mas que também guarda suas próprias fragilidades. Yasmin, personagem de Adriana Garambone, é a mais leve, espontânea e um pouco volúvel. Já Renée, interpretada por Helena Fernandes, tem um jeito mais rígido e crítico, sendo aquela amiga que não pensa duas vezes antes de dar sua opinião.
E quem nunca teve uma amiga assim? Ou melhor: quem nunca foi um pouquinho de cada uma delas em algum momento da vida?
A leveza de Yasmin e a coragem de ser feliz
Para Adriana Garambone, interpretar Yasmin foi também uma oportunidade de olhar para uma qualidade que ela admira profundamente nas mulheres: a capacidade de colocar a própria felicidade em primeiro lugar.
“A leveza e o desprendimento da Yasmin são qualidades que admiro muito, principalmente nas mulheres. Essa atitude de colocar a felicidade acima de tudo me desperta um certo encantamento e aquela ideia de que nunca é tarde para descobrir o que te faz feliz”, conta.
E que reflexão maravilhosa! Porque quantas vezes nós, mulheres, passamos anos cuidando de todo mundo e deixamos nossos próprios desejos para depois? Yasmin nos lembra que nunca é tarde para fazer novas escolhas, descobrir novos caminhos e perguntar para nós mesmas: “O que me faz feliz agora?”.
Aos 50, 60 ou em qualquer idade, a vida continua acontecendo. E Adriana acredita que é justamente nessa fase que o protagonismo feminino pode ganhar ainda mais força.
“Eu hoje tenho certeza que o verdadeiro protagonismo começa aos 40, 50, 60... É quando a gente realmente se olha mais profundamente, valoriza a vida e ousa ser quem a gente é sem medo de enfrentar nossas próprias questões. A gente finalmente entende que a vida não está passando lá fora, a vida está passando aqui dentro”, reflete.
Que frase, minhas amigas! Porque talvez amadurecer seja exatamente isso: parar de viver para corresponder às expectativas dos outros e começar a viver de acordo com aquilo que realmente faz sentido para nós.
E se tem um lugar onde Adriana ainda sente o coração acelerar é no palco. Com uma carreira marcada pela versatilidade, ela transitou pelo teatro, pelos musicais e pela televisão, mostrando que talento nunca cabe em uma única caixinha. Para ela, a magia do teatro está justamente naquilo que não pode ser repetido.
“Meu coração nunca vai deixar de acelerar no palco. O teatro é vivo, precisa da nossa presença o tempo todo, a plateia está ali respirando conosco, essa conexão é muito especial. E cada história contada, cada peça, cada apresentação é única. No palco tudo parece estar sempre por um triz e isso é muito bom!”
Renée e a delicada arte de dizer a verdade com amor
Helena Fernandes dá vida a Renée, uma mulher forte, crítica e cheia de personalidade. Aquela amiga que observa, analisa e, muitas vezes, fala o que ninguém mais teve coragem de dizer. Mas será que toda sinceridade é bem-vinda? Será que, quando amamos alguém, temos o direito de opinar sobre todas as suas escolhas?
Interpretar Renée fez Helena pensar justamente sobre isso.
“Me reconheço nela em vários momentos. Na sua força, alegria e no amor por aquelas amigas. E isso me faz refletir na maneira como ela se relaciona com as amigas, me colocando no lugar delas, de como elas recebem as críticas e as opiniões da Renée”, revela.
Para a atriz, existe uma delicadeza enorme na hora de falar sobre a vida de quem amamos. Afinal, podemos até querer ajudar, mas nunca enxergamos uma situação exatamente do mesmo lugar que a pessoa que está vivendo aquilo.
“Quando a gente opina na vida de quem a gente ama, precisamos ter muito cuidado, afeto e carinho. Nunca esquecer que um olhar de fora é diferente de quem está vivendo determinada situação. Sinceridade com respeito ao sentimento das pessoas que amamos.”
E essa é uma daquelas lições que servem para qualquer amizade. Porque amizade de verdade não significa concordar com tudo. Significa ter espaço para conversar, discordar, ouvir e, principalmente, respeitar.
Helena também acredita que existem alguns ingredientes que nós, mulheres, jamais deveríamos abandonar ao longo da vida: amizades sinceras, autoconhecimento, cuidado com a saúde física e mental, independência financeira e emocional e, claro, curiosidade para continuar aprendendo.
“Escuta ativa é fundamental para manter uma amizade longeva, e disso eu não abro mão”, afirma.
E eu assino embaixo! Porque escutar também é uma forma de amar. É dizer para o outro: “Eu estou aqui. Eu quero entender você”. E, em tempos tão acelerados, ter alguém que realmente nos escuta é um presente.
Depois de uma trajetória que passa pela moda, televisão, cinema e dublagem, Helena resume a maior liberdade que a maturidade trouxe para sua vida com uma frase simples e poderosa: “Me importar cada vez menos com a opinião alheia e me tornar melhor a cada dia, como pessoa e artista”.
E não é isso que todas nós queremos? Menos preocupação com o julgamento dos outros e mais compromisso com a mulher que estamos nos tornando.
Gilda e a beleza de admitir que também somos vulneráveis
Se Renée é a crítica e Yasmin é a leveza, Gilda, personagem de Silvia Pfeifer, é aquela que tenta equilibrar tudo. É a conciliadora, a mulher que muitas vezes parece ter as respostas e que se acostumou a ajudar todo mundo a encontrar o caminho. Mas, como acontece com tantas de nós, chega uma hora em que nem mesmo quem sempre foi forte consegue dar conta de tudo.
E é justamente aí que Gilda se torna tão humana.
Para Silvia, a personagem traz uma mensagem muito importante: não importa quantos anos tenhamos ou quantas experiências acumulemos, nunca estamos completamente prontas para tudo.
“Nós não estamos certos de tudo nunca, nós não estamos prontos para tudo nunca e sempre é hora de tomar e de procurar o caminho que nos liberte, que nos faça realmente mais felizes, mais íntegras, mais concordantes com os nossos pensamentos e a nossa fala”, explica.
É uma reflexão poderosa sobre vulnerabilidade. Porque ser forte não significa nunca fraquejar. Significa ter coragem para reconhecer quando alguma coisa não está bem e buscar um novo caminho.
E Silvia conhece bem as transformações que acompanham uma mulher ao longo da vida. Ela começou sua trajetória como modelo internacional, conquistou passarelas e capas de revistas e, depois, construiu uma sólida carreira como atriz, transitando pela televisão, pelo cinema e pelo teatro.
Hoje, ao olhar para a relação entre beleza, autoestima e maturidade, ela defende algo que considero essencial: a liberdade de sermos nós mesmas.
Para ela, a mulher de hoje está mais viva, participante, atuante e realizada. E essa força interior também é capaz de transformar a maneira como enxergamos a beleza.
“Quanto menos a gente fica presa a padrões, mais bonito também a gente fica. Então, eu acho que é sermos nós, sem querer sermos iguais ou perfeitas, ou ter um padrão de beleza como todas.”
Que bom ouvir isso, não é? Porque beleza também é liberdade. É se olhar no espelho e reconhecer a própria história. É entender que as marcas do tempo não diminuem uma mulher. Elas contam quem ela é.
Uma amizade que nos lembra quem somos
No fim das contas, *Uma Vida de Amizade* é muito mais do que uma comédia sobre três mulheres. É uma celebração das relações que construímos ao longo da vida e que, mesmo com todas as diferenças, permanecem.
Gilda, Yasmin e Renée são diferentes entre si, mas existe algo que as une: uma história compartilhada. Elas cresceram, mudaram, fizeram escolhas, erraram, acertaram e seguiram caminhos diferentes. Ainda assim, continuam encontrando um espaço para estar juntas.
E talvez seja essa a grande beleza da amizade feminina. Nós não precisamos pensar igual. Não precisamos viver as mesmas histórias. Não precisamos concordar o tempo todo. Precisamos apenas saber que, quando a vida apertar, existe alguém disposto a ouvir, acolher e, se for preciso, segurar a nossa mão.
Silvia acredita que é justamente essa disponibilidade para o outro que sustenta uma relação verdadeira. A peça, segundo ela, traz reflexões sobre intimidade, respeito, escuta e afeto, mostrando que quanto mais próximos somos de alguém, mais transparentes e, consequentemente, mais vulneráveis também podemos ficar.
E é aí que mora a beleza dessas relações: na possibilidade de sermos nós mesmas.
A peça nos convida a olhar para essas três mulheres e, de alguma maneira, encontrar um pedacinho de nós em cada uma delas. Talvez você se reconheça na leveza de Yasmin. Talvez tenha um pouco da sinceridade de Renée. Ou talvez carregue a responsabilidade de Gilda, tentando equilibrar tudo enquanto, por dentro, também enfrenta suas próprias questões.
Mas uma coisa é certa: nós somos muitas mulheres dentro de uma só. E não precisamos escolher apenas uma versão de nós mesmas.
Aos 50+, continuamos sonhando. Continuamos amando. Continuamos desejando. Continuamos aprendendo. Continuamos mudando de ideia. Continuamos fazendo planos. E, principalmente, continuamos protagonistas das nossas próprias histórias.
Que bom que o teatro está nos lembrando disso.
SERVIÇO
Uma Vida de Amizade
Texto: Gustavo Pinheiro;
Direção: Fernando Philbert;
Elenco: Silvia Pfeifer, Adriana Garambone e Helena Fernandes;
Gênero: Comédia;
Duração: 90 minutos;
Classificação: 12 anos.
A peça acompanha três amigas 50+, que se conhecem desde a juventude e mantêm o ritual de se encontrar uma vez por ano. Entre memórias, descobertas, conflitos e boas risadas, elas revisitam suas histórias profissionais, familiares e amorosas.
Local: Teatro Fashion Mall, Shopping Fashion Mall, Estrada da Gávea, 899, loja 216, São Conrado, Rio de Janeiro.
Ingressos: R$ 120 e R$ 60 (meia-entrada), disponíveis pela Sympla e na bilheteria do teatro.
Temporada: A programação inclui apresentação ainda em julho, no dia 31, às 21h, conforme os horários divulgados pela produção. Para agosto, a programação será:
02 de agosto - Dom - 19h30
07 de agosto - sex - 20h30
08 de agosto - Sab - 20h30
09 de agosto - Dom - 19h30
14 de agosto - Sex - 20h30
15 de agosto - Sab - 18h
16 de agosto - Dom - 19h30
21 de agosto - Sex - 20h30
22 de agosto - Sab - 20h30
23 de agosto - Dom - 19h30
28 de agosto - Sex - 20h30
30 de agosto - Dom - 19h30.
07 de agosto - sex - 20h30
08 de agosto - Sab - 20h30
09 de agosto - Dom - 19h30
14 de agosto - Sex - 20h30
15 de agosto - Sab - 18h
16 de agosto - Dom - 19h30
21 de agosto - Sex - 20h30
22 de agosto - Sab - 20h30
23 de agosto - Dom - 19h30
28 de agosto - Sex - 20h30
30 de agosto - Dom - 19h30.
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