Publicado 24/08/2026 09:29
Olá, meninas!
PublicidadeQuando a gente fala em amamentação, é muito comum pensar imediatamente nos benefícios para o bebê. Mas o que a ciência vem descobrindo é que o aleitamento também pode deixar efeitos importantes no corpo da mãe, inclusive muitos anos depois.
Uma das descobertas mais interessantes dos últimos tempos envolve justamente o câncer de mama. Pesquisas indicam que a amamentação pode estar associada a uma redução do risco de desenvolver a doença, principalmente alguns dos seus tipos mais agressivos.
E antes de qualquer coisa, vale aquele lembrete importante: estamos falando de **redução de risco**, não de uma garantia de que a mulher estará protegida contra o câncer.
O câncer de mama continua sendo um dos principais desafios da saúde feminina. No Brasil, são estimados cerca de 78,6 mil novos casos por ano no período de 2026 a 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Idade, histórico familiar, alterações genéticas, obesidade, consumo de álcool, sedentarismo e outros fatores podem influenciar o desenvolvimento da doença. E, nesse cenário, a amamentação aparece como um dos fatores que podem contribuir para diminuir esse risco.
Segundo Luciana Landeiro, líder nacional da especialidade de tumores de mama da Oncoclínicas, o desenvolvimento do câncer está relacionado à combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais. A amamentação é considerada um dos fatores modificáveis associados à redução do risco.
Uma espécie de memória que fica no organismo
Sabe aquela ideia de que o corpo guarda marcas das experiências que vivemos? Pois é. A ciência encontrou algo parecido quando analisou o tecido mamário de mulheres que passaram pela gestação, amamentação e pelo período de desmame.
Um estudo publicado em 2025 na revista *Nature*, realizado por pesquisadores do Peter MacCallum Cancer Centre, na Austrália, analisou tecidos mamários saudáveis de mais de 260 mulheres.
Os pesquisadores observaram uma presença maior de linfócitos T CD8+ entre as mulheres que haviam passado por todo esse processo. Essas células fazem parte do nosso sistema imunológico e ajudam o organismo a identificar e combater células anormais.
E veio uma das partes mais surpreendentes: essas células continuavam presentes no tecido mamário mais de 30 anos depois da gestação.
Em experimentos com animais, os pesquisadores também observaram um crescimento menor dos tumores mamários entre fêmeas que haviam passado pela gestação e amamentação. Quando essas células de defesa eram retiradas, o efeito observado desaparecia.
Ainda são necessários mais estudos para entender completamente essa relação, mas os resultados ajudam a explicar algo que pesquisas epidemiológicas já vinham apontando há bastante tempo: a amamentação pode ter um efeito protetor para a saúde da mulher.
E quanto mais tempo, melhor?
Outra descoberta importante é que o tempo acumulado de amamentação ao longo da vida parece fazer diferença.
Uma grande análise publicada na *The Lancet*, em 2002, reuniu dados de 47 estudos realizados em 30 países, envolvendo mais de 50 mil mulheres com câncer de mama e cerca de 97 mil sem a doença.
Os pesquisadores estimaram que, para cada 12 meses acumulados de amamentação, o risco de câncer de mama era aproximadamente 4,3% menor. O efeito se somava à redução associada a cada gestação.
Pesquisas posteriores também encontraram resultados semelhantes. Uma revisão publicada em 2022 apontou, por exemplo, uma redução aproximada de 20% no risco de câncer de mama triplo negativo, um dos subtipos mais agressivos da doença.
Também foram observados resultados importantes entre mulheres com mutação no gene BRCA1, grupo que apresenta maior risco de desenvolver câncer de mama.
Mas atenção: isso não significa que a mulher precise amamentar durante determinado período para estar “protegida”. A relação encontrada pelos estudos acontece em nível populacional e envolve vários outros fatores.
Um possível efeito ainda mais importante contra o triplo negativo
O câncer de mama triplo negativo representa cerca de 10% a 15% dos casos e costuma ser considerado um dos tipos mais agressivos da doença.
Ele também possui características que despertam o interesse dos pesquisadores quando o assunto é imunidade.
A hipótese é que, como esse tipo de tumor apresenta maior atividade do sistema imunológico, ele possa ser especialmente influenciado pelas alterações imunológicas associadas à gestação e à amamentação.
Em mulheres que tiveram câncer de mama triplo negativo, pesquisadores observaram maior presença dessas células de defesa nos tumores entre aquelas que haviam amamentado, além de resultados clínicos mais favoráveis.
É uma área que ainda está sendo estudada, mas que pode ajudar os cientistas a entender melhor a relação entre o sistema imunológico feminino e o desenvolvimento do câncer.
E aqui entra uma conversa muito importante entre nós, mulheres
Falar sobre os benefícios da amamentação é importante. Mas transformar essa informação em culpa não faz sentido nenhum.
Nem toda mulher consegue amamentar.
Algumas enfrentam dificuldades físicas ou emocionais. Outras precisam voltar ao trabalho rapidamente. Há quem não produza leite suficiente, quem tenha contraindicações médicas ou simplesmente quem viva circunstâncias que tornem o aleitamento inviável.
E nenhuma dessas mulheres deve carregar a sensação de que colocou a própria saúde em risco por não ter conseguido amamentar.
Como explica Luciana Landeiro, estamos falando de um fator que pode **reduzir** o risco, e não de uma proteção absoluta. Mulheres que amamentaram também podem desenvolver câncer de mama, enquanto muitas mulheres que não amamentaram nunca terão a doença.
Essa diferença é fundamental.
A ciência deve ajudar a ampliar nossas possibilidades de prevenção, e não criar mais uma cobrança sobre os ombros das mulheres.
O que pode vir daqui para frente?
Talvez uma das partes mais interessantes dessa descoberta esteja justamente no futuro.
Ao entender como a gestação e a amamentação estimulam determinadas células do sistema imunológico, os pesquisadores podem encontrar caminhos para reproduzir alguns desses efeitos de outras maneiras.
No futuro, esse conhecimento poderá contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção, inclusive para mulheres que não tiveram filhos ou que não puderam amamentar. Também existe a possibilidade de surgirem novas abordagens de imunoterapia e estratégias específicas para mulheres com maior risco genético.
Ainda estamos falando de possibilidades que precisam ser estudadas e comprovadas.
Mas existe uma mensagem importante por trás de tudo isso: o corpo feminino é muito mais complexo do que a gente imagina.
A amamentação pode alimentar um bebê, fortalecer vínculos e trazer benefícios conhecidos para a mãe. E agora a ciência também está entendendo que esse processo pode provocar mudanças profundas no organismo feminino, algumas delas capazes de permanecer por décadas.
No fim das contas, talvez essa seja a grande descoberta: **cuidar da saúde da mulher também significa entender o que acontece dentro do corpo dela ao longo de toda a vida.**
E, claro, isso não substitui aquilo que já sabemos ser essencial: acompanhamento médico, atenção aos fatores de risco e, principalmente, a realização dos exames recomendados para cada fase da vida.
Porque informação boa não serve para assustar. Serve para a gente se cuidar melhor.
Uma das descobertas mais interessantes dos últimos tempos envolve justamente o câncer de mama. Pesquisas indicam que a amamentação pode estar associada a uma redução do risco de desenvolver a doença, principalmente alguns dos seus tipos mais agressivos.
E antes de qualquer coisa, vale aquele lembrete importante: estamos falando de **redução de risco**, não de uma garantia de que a mulher estará protegida contra o câncer.
O câncer de mama continua sendo um dos principais desafios da saúde feminina. No Brasil, são estimados cerca de 78,6 mil novos casos por ano no período de 2026 a 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Idade, histórico familiar, alterações genéticas, obesidade, consumo de álcool, sedentarismo e outros fatores podem influenciar o desenvolvimento da doença. E, nesse cenário, a amamentação aparece como um dos fatores que podem contribuir para diminuir esse risco.
Segundo Luciana Landeiro, líder nacional da especialidade de tumores de mama da Oncoclínicas, o desenvolvimento do câncer está relacionado à combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais. A amamentação é considerada um dos fatores modificáveis associados à redução do risco.
Uma espécie de memória que fica no organismo
Sabe aquela ideia de que o corpo guarda marcas das experiências que vivemos? Pois é. A ciência encontrou algo parecido quando analisou o tecido mamário de mulheres que passaram pela gestação, amamentação e pelo período de desmame.
Um estudo publicado em 2025 na revista *Nature*, realizado por pesquisadores do Peter MacCallum Cancer Centre, na Austrália, analisou tecidos mamários saudáveis de mais de 260 mulheres.
Os pesquisadores observaram uma presença maior de linfócitos T CD8+ entre as mulheres que haviam passado por todo esse processo. Essas células fazem parte do nosso sistema imunológico e ajudam o organismo a identificar e combater células anormais.
E veio uma das partes mais surpreendentes: essas células continuavam presentes no tecido mamário mais de 30 anos depois da gestação.
Em experimentos com animais, os pesquisadores também observaram um crescimento menor dos tumores mamários entre fêmeas que haviam passado pela gestação e amamentação. Quando essas células de defesa eram retiradas, o efeito observado desaparecia.
Ainda são necessários mais estudos para entender completamente essa relação, mas os resultados ajudam a explicar algo que pesquisas epidemiológicas já vinham apontando há bastante tempo: a amamentação pode ter um efeito protetor para a saúde da mulher.
E quanto mais tempo, melhor?
Outra descoberta importante é que o tempo acumulado de amamentação ao longo da vida parece fazer diferença.
Uma grande análise publicada na *The Lancet*, em 2002, reuniu dados de 47 estudos realizados em 30 países, envolvendo mais de 50 mil mulheres com câncer de mama e cerca de 97 mil sem a doença.
Os pesquisadores estimaram que, para cada 12 meses acumulados de amamentação, o risco de câncer de mama era aproximadamente 4,3% menor. O efeito se somava à redução associada a cada gestação.
Pesquisas posteriores também encontraram resultados semelhantes. Uma revisão publicada em 2022 apontou, por exemplo, uma redução aproximada de 20% no risco de câncer de mama triplo negativo, um dos subtipos mais agressivos da doença.
Também foram observados resultados importantes entre mulheres com mutação no gene BRCA1, grupo que apresenta maior risco de desenvolver câncer de mama.
Mas atenção: isso não significa que a mulher precise amamentar durante determinado período para estar “protegida”. A relação encontrada pelos estudos acontece em nível populacional e envolve vários outros fatores.
Um possível efeito ainda mais importante contra o triplo negativo
O câncer de mama triplo negativo representa cerca de 10% a 15% dos casos e costuma ser considerado um dos tipos mais agressivos da doença.
Ele também possui características que despertam o interesse dos pesquisadores quando o assunto é imunidade.
A hipótese é que, como esse tipo de tumor apresenta maior atividade do sistema imunológico, ele possa ser especialmente influenciado pelas alterações imunológicas associadas à gestação e à amamentação.
Em mulheres que tiveram câncer de mama triplo negativo, pesquisadores observaram maior presença dessas células de defesa nos tumores entre aquelas que haviam amamentado, além de resultados clínicos mais favoráveis.
É uma área que ainda está sendo estudada, mas que pode ajudar os cientistas a entender melhor a relação entre o sistema imunológico feminino e o desenvolvimento do câncer.
E aqui entra uma conversa muito importante entre nós, mulheres
Falar sobre os benefícios da amamentação é importante. Mas transformar essa informação em culpa não faz sentido nenhum.
Nem toda mulher consegue amamentar.
Algumas enfrentam dificuldades físicas ou emocionais. Outras precisam voltar ao trabalho rapidamente. Há quem não produza leite suficiente, quem tenha contraindicações médicas ou simplesmente quem viva circunstâncias que tornem o aleitamento inviável.
E nenhuma dessas mulheres deve carregar a sensação de que colocou a própria saúde em risco por não ter conseguido amamentar.
Como explica Luciana Landeiro, estamos falando de um fator que pode **reduzir** o risco, e não de uma proteção absoluta. Mulheres que amamentaram também podem desenvolver câncer de mama, enquanto muitas mulheres que não amamentaram nunca terão a doença.
Essa diferença é fundamental.
A ciência deve ajudar a ampliar nossas possibilidades de prevenção, e não criar mais uma cobrança sobre os ombros das mulheres.
O que pode vir daqui para frente?
Talvez uma das partes mais interessantes dessa descoberta esteja justamente no futuro.
Ao entender como a gestação e a amamentação estimulam determinadas células do sistema imunológico, os pesquisadores podem encontrar caminhos para reproduzir alguns desses efeitos de outras maneiras.
No futuro, esse conhecimento poderá contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção, inclusive para mulheres que não tiveram filhos ou que não puderam amamentar. Também existe a possibilidade de surgirem novas abordagens de imunoterapia e estratégias específicas para mulheres com maior risco genético.
Ainda estamos falando de possibilidades que precisam ser estudadas e comprovadas.
Mas existe uma mensagem importante por trás de tudo isso: o corpo feminino é muito mais complexo do que a gente imagina.
A amamentação pode alimentar um bebê, fortalecer vínculos e trazer benefícios conhecidos para a mãe. E agora a ciência também está entendendo que esse processo pode provocar mudanças profundas no organismo feminino, algumas delas capazes de permanecer por décadas.
No fim das contas, talvez essa seja a grande descoberta: **cuidar da saúde da mulher também significa entender o que acontece dentro do corpo dela ao longo de toda a vida.**
E, claro, isso não substitui aquilo que já sabemos ser essencial: acompanhamento médico, atenção aos fatores de risco e, principalmente, a realização dos exames recomendados para cada fase da vida.
Porque informação boa não serve para assustar. Serve para a gente se cuidar melhor.
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