Publicado 25/05/2026 22:07
Duque de Caxias - A atriz Tulanih, 37 anos, tem seu rosto conhecido por atuar em diversos trabalhos da dramaturgia da rede Globo. Teve estreia com destaque em Falas Negras, participou de Falas de Orgulhos e em novelas participou de Família É Tudo, Fuzuê , Volta por Cima, Vale Tudo e teve destaque com a personagem Janaína em Vai na Fé, oportunidade que inclusive gerou o convite para integrar o elenco de sua primeira novela vertical " Amor sob Vigilância". Confiram a entrevista abaixo.
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O DIA - Quais suas expectativas para a estreia de " Amor sob Vigilância"? Você tem vasta experiência no audiovisual, mas esse formato é novo. Fale sobre essa experiência.
Tulanih: "As minhas expectativas são as melhores possíveis. Tem um sabor diferente em fazer uma novela vertical, já que é pensada para ser vista no celular. E a gente leva ele pra todo lugar né?! Então eu estou ansiosa pra ver o tempo do alcance da novela e em como será o feedback das pessoas. De maneira geral eu acho que é um desafio interessante para a atriz, o ator e até mesmo para direção. Tudo precisa estar alinhado de tal forma, que na hora do ação a entrega seja com muita precisão".
O DIA - A Baixada Fluminense é um polo cultural gigantesco que a cada dia mais projeta talentos como você, qual a importância da representatividade de atores da Baixada nas telas na sua opinião?
Tulanih: "Eu acho que quem for esperto e minimamente conectado com o movimento do mundo e das artes, principalmente, com o audiovisual, tá nesse momento olhando para os artistas periféricos. Ainda mais para a galera da Baixada Fluminense. Sempre quiseram nos colocar à margem das grandes oportunidades, mas mesmo assim, não teve nenhum lugar nessa estrada da vida que percorri como atriz que não pude encontrar um caxiense ou alguém da Baixada trabalhando brilhantemente. Mas esses, assim como eu, foram os que furaram uma bolha difícil e cruel. De onde viemos tem muito mais, cada vez mais preparados e sempre muito talentosos. Aguardem!".
Como a sua vivência, a cultura e a realidade de Duque de Caxias ajudaram a moldar a sua sensibilidade e o seu talento como atriz?
Eu acho que qualquer pessoa que cresce em territórios marcados pela violência, ou melhor, lidos só por esse contexto, aprende que precisa estar mais do que preparada tecnicamente e que, principalmente, vai precisar mais do que só talento… Então nosso treinamento é focado em aproveitar toda oportunidade que surgir e se ela não aparecer a gente vai atrás. Criaremos estratégias pra chegar onde a gente sabe que merece e pode.
Muitos artistas da Baixada enfrentam a barreira do transporte, do acesso e das oportunidades físicas no centro do Rio. Quais foram os maiores desafios que você enfrentou saindo de Caxias para correr atrás do seu sonho na atuação? Você acredita que hoje a Baixada tem mais visibilidade também através de grupos de teatro locais?
Perdi as contas de quantas vezes dormi em casas de amigos no Centro, na Zona Sul, para estar mais perto do compromisso do dia seguinte, ou virava a noite em algum lugar movimentado pra voltar só de manhã pra casa, pois ou não tinha busão ou era “menos perigoso”. Essa questão do transporte sempre foi um problema e faz parte do projeto dificultar o acesso e a democratização do usufruto da cidade por toda sua população e não somente para uns. Para driblar esse obstáculo eu fiz o que nem todo mundo consegue ou deseja, eu saí da Baixada. Mas minha família ainda vive lá. No início foi um pouco difícil, financeiramente falando mesmo. A vida fica mais cara, mas a gente segue, vivona e vivendo.
Que mensagem você deixa para os jovens de Caxias e de toda a Baixada Fluminense que assistem a você hoje e também sonham em viver da arte?
Se viver da arte é o chamado do seu coração, então vá em busca disso! Mas não seja ingênua. Estude! Esteja atenta ao mercado. Se prepare. Tenha planos B ao logo do caminho. Não fique triste se não estiver trabalhado com o que verdadeiramente ama, nem sempre a gente consegue fazer o que gosta. Guarde dinheiro. Planeje cada passo. Seja íntegra com sua verdade e nunca abaixe a cabeça. Olhar erguido, mirando o que se quer conquistar. Acredite que o mundo e as coisas boas do mundo também são feitas para você. Você será aquilo que você está se preparando para se tornar. Honre os seus e confie no processo. Confie em você!
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