Publicado 04/08/2026 22:19
Duque de Caxias - Com a chegada de agosto, tem início um dos períodos mais significativos do calendário religioso para os adeptos das religiões de matriz africana que cultuam Omolu, orixá associado à cura, à renovação, à sabedoria e à transformação espiritual. Considerado um mês de recolhimento, oração e reflexão, o período mobiliza milhares de fiéis em diferentes terreiros do país, fortalecendo tradições centenárias e reafirmando valores como solidariedade, respeito e comunhão.
PublicidadeÀ frente do Ilê À balúwáiyé Jagun, fundado em 1978, em Duque de Caxias, o Bàbálórìà Célio D’Omolu (Pai Celinho) destaca que agosto vai além das celebrações religiosas e representa um momento de profunda conexão entre o ser humano, a espiritualidade e a coletividade.
“Agosto é um tempo em que somos convidados a silenciar o coração para ouvir aquilo que a espiritualidade tem a nos ensinar. Omolu nos mostra que toda transformação começa dentro de nós. É um período de respeito, disciplina espiritual, fortalecimento da fé e renovação da esperança”, afirma o sacerdote.
Segundo Pai Celinho, Omolu ocupa um papel de grande relevância dentro da tradição yorubá e das religiões afro-brasileiras por simbolizar não apenas a cura das enfermidades físicas, mas também o equilíbrio emocional, a regeneração espiritual e a superação das dificuldades que fazem parte da caminhada humana.
Durante o mês de agosto, diversas casas de axé realizam momentos de oração, obrigações religiosas e celebrações que reforçam a importância da união da comunidade. Entre os principais rituais está o Olubajé, considerado uma das maiores homenagens dedicadas ao Grande Rei, marcado pela partilha de alimentos sagrados e pela reafirmação dos valores de acolhimento, solidariedade e cuidado com o próximo.
Para o Bàbálórìà, o simbolismo desse período ganha ainda mais importância diante dos desafios enfrentados pela sociedade contemporânea.
“Vivemos tempos em que muitas pessoas carregam dores que nem sempre são visíveis. Há enfermidades físicas, emocionais e espirituais. Omolu nos ensina que a verdadeira cura nasce da fé, da humildade, da paciência e da capacidade de recomeçar. Seu ensinamento nos lembra que nenhuma dificuldade é maior do que a força de quem acredita e persevera.”
Pai Celinho também ressalta que agosto é uma oportunidade para fortalecer a prática da caridade, do respeito às diferenças e da valorização da ancestralidade, princípios que fazem parte da essência das religiões de matriz africana.
“Omolu nos convida a olhar para o outro com compaixão. A verdadeira espiritualidade se manifesta quando somos capazes de acolher, compartilhar e estender a mão a quem mais precisa. A cura que ele oferece ultrapassa o indivíduo e alcança toda a comunidade.”
Com quase cinco décadas de atuação religiosa, o Ilê À balúwáiyé Jagun mantém viva uma trajetória dedicada à preservação da cultura afro-brasileira, à transmissão dos conhecimentos ancestrais e ao acolhimento de pessoas que buscam orientação espiritual, fortalecendo a importância dos terreiros como espaços de fé, tradição, cidadania e resistência cultural.
Ao iniciar o mês considerado sagrado para Omolu, o Bàbálórìà Célio D’Omolu deixa uma mensagem de esperança aos fiéis.
“Que agosto seja um tempo de renovação da fé, de fortalecimento espiritual e de transformação. Que Omolu cubra cada família com seu manto sagrado, trazendo saúde, equilíbrio, proteção e paz. Que nunca nos falte coragem para enfrentar os desafios da vida e sabedoria para compreender que toda cura começa pela fé. Atotô, meu Pai Omolu.”
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