O Senado aprovou a MP que aumenta de 35% para 40% o limite da margem de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSSAgência Brasil
Por MARTHA IMENES
Publicado 05/10/2020 06:00 | Atualizado 20/03/2021 13:06
Os consumidores idosos são os que mais pagam em dia empréstimos pessoais e são mais cautelosos com o comprometimento da renda. Levantamento da Serasa Experian mostra que a média nacional do comprometimento de renda com empréstimo pessoal (13,7%) está muito próxima da média de quem tinha crédito consignado (14,2%) em maio. E que a pontualidade dos mais idosos está em 91,3%. E são justamente esses indicadores que atraem os espertalhões. Mas isso vou contar mais adiante...

"As duas modalidades de crédito são bastante populares e, por terem os menores juros do mercado, são mais saudáveis quando utilizadas de forma consciente pelo consumidor. Como o consignado só pode ser solicitado por quem é assalariado ou aposentado - por ter o desconto direto da fonte -, o pessoal acaba pegando uma parcela maior de pessoas que precisa de dinheiro emprestado", avalia o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi.

Ainda segundo o levantamento, a população desta faixa etária que tinha a modalidade contratada teve uma taxa de pontualidade de 91,3%. É o maior índice na comparação com os demais grupos de idade e está acima da média nacional (85,8%).

O economista explica que o empréstimo pessoal é uma linha de crédito procurada por quem precisa, por exemplo, quitar uma dívida, fazer uma compra mais cara evitando financiamento a juros mais altos e até mesmo substituir dívidas caras, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. "Os idosos, faixa que concentra também os aposentados, estão em uma fase mais madura e experiente, por isso, costumam priorizar melhor o pagamento em dia de suas contas para não desequilibrar o orçamento e manter uma vida financeira mais saudável", diz.

Antes de se animar com os indicadores e pegar um empréstimo é bom verificar as taxas que os bancos cobram. No site do Banco Central do Brasil (BCB) estão as taxas e as informações financeiras de milhares de empresas. A lista completa das instituições podem ser conferidas em https://www.bcb.gov.br/.
Desde março deste ano a taxa de juros do empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS mudou: passou de 2,08% para 1,80%, enquanto a taxa para o cartão de crédito será reduzida de 3% para 2,7%. Portanto é bom estar atento às taxas cobradas pelas instituições.

Confira os que mais usam crédito
O estudo também mostra que 16,8% da população do país que está no Cadastro Positivo tinha algum empréstimo pessoal ativo em maio. Na visão por idade, a maior utilização fica na faixa dos idosos - acima de 60 anos, com 22,4%, e a menor no grupo de jovens - 18 a 25 anos, com 11,1%. No intervalo estão: 26 a 35 anos (14,8%), 36 a 50 anos (16,4%) e 51 a 60 anos (17,8%).

Quando o recorte é por faixa de renda a distribuição é mais homogênea. Isso significa que a modalidade é bem democrática e consegue atrair os mais diferentes tipos de pessoas. Quem mais utiliza são aqueles que ganham até R$ 1 mil (17,8%). Na sequência estão os da faixa de R$ 5 mil a R$ 10 mil (17,5%), de R$ 1 mil a R$ 2 mil (17,4%) e por último os que recebem acima de R$ 10 mil (17%). A faixa intermediária de R$ 2 mil a R$ 5 mil, é a que menos procura esse tipo de empréstimo (15,3%).

Isca para golpistas
E é justamente essa facilidade de crédito e a pontualidade dos idosos que atrai os "espertinhos", que veem nos mais velhos uma vítima em potencial para aplicar golpe. O alerta é da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Com o uso mais intenso dos meios digitais para atividades cotidianas durante a pandemia do coronavírus, criminosos aproveitam o maior tempo online das pessoas para tentar aplicar golpes. Levantamento da federação revela que no período de quarentena houve um aumento de 60% em tentativas de golpes financeiros contra idosos.

Para combater as fraudes financeiras, a Febraban lançou uma campanha para informar e conscientizar sobre as tentativas de golpes financeiros, com o apoio da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e Banco Central.
A iniciativa contará com medidas para proteção e enfrentamento à violação de direitos das pessoas idosas.
“Os bancos investem R$ 2 bilhões por ano em segurança da informação para garantir tranquilidade e segurança a seus clientes e colaboradores e desenvolvem os mais modernos sistemas, tecnologias e ferramentas destinados a assegurar a autenticidade de transações e operações financeiras”, afirma Isaac Sidney, presidente da Febraban.

“Entretanto, estamos intensificando nossas ações, pois quadrilhas se aproveitaram do aumento das transações digitais causado pelo isolamento social e da vulnerabilidade dos consumidores, em especial dos idosos, para aplicar golpes por meio da engenharia social, que consiste na manipulação psicológica do usuário para que ele forneça informações confidenciais”, acrescenta Isaac.
Acesso não autorizado a informações
Levantamento da Febraban aponta que 70% das fraudes estão vinculadas à engenharia social, quando o cliente é induzido a informar os seus códigos e senhas para os estelionatários. Segundo Adriano Volpini, De acordo com o diretor da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da federação, os criminosos abusam da ingenuidade ou confiança do usuário para obter informações que podem ser usadas para que tenham acesso não autorizado a computadores ou informações bancárias.

Um exemplo de ataque de engenharia social se dá quando o criminoso liga para a casa do cliente, diz ser do banco e pede para confirmar algumas informações, como dados pessoais e senhas. Ao fornecer informações pessoais e sigilosas, como a senha, o consumidor expõe sua conta bancária e seu patrimônio aos criminosos. Há também casos em que o fraudador se apresenta como um “funcionário do banco” e pede para o cliente realizar uma transferência como um teste. Os bancos nunca ligam para clientes para realizar transações.

Durante o período de quarentena, as instituições financeiras chegaram a registrar aumento de mais de 80% nas tentativas de ataques de phishing - que se inicia por meio de recebimento de e-mails que carregam vírus ou links e que direcionam o usuário a sites falsos, que, normalmente, possuem remetentes desconhecidos ou falsos.

O jornal O DIA já mostrou que o golpe do falso motoboy subiu 65% durante o período de isolamento social, mas nunca é demais ressaltar. E como funciona? Criminosos entram em contato com as vítimas se fazendo passar pelo banco para comunicar a realização de transações suspeitas com o cartão de crédito do cliente. Usando técnicas de engenharia social para obter dados, os golpistas informam que um motoboy será enviado para recolher o cartão supostamente clonado para que sejam feitas outras análises necessárias para o cancelamento das compras irregulares.
DE acordo com o alerta da federação, "para passar uma imagem de segurança, os criminosos orientam a vítima a cortar o cartão ao meio, para inutilizar a tarja magnética, antes de entregá-lo ao motoboy. No entanto, o chip permanece intacto, o que permite que a quadrilha faça compras com o cartão, ainda que o plástico esteja partido ao meio".

Confira os principais golpes
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