Itens chegaram ao total de R$ 770,19 na capital fluminense, comprometendo cerca de 57% do salário mínimo dos trabalhadoresDivulgação
Publicado 09/02/2023 16:29
Rio - Em janeiro, o Rio de Janeiro registrou um aumento no valor da cesta básica de 2,32%, se tornando a segunda capital com o produto mais caro do país, ficando atrás apenas de São Paulo, de acordo com o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com a alta dos preços e a inflação dos alimentos, os consumidores enfrentam cada vez mais dificuldades na hora de encher o carrinho de compras. Nesse cenário, especialistas ouvidos por O DIA explicam como tentar driblar os preços altos e dão dicas de práticas de economia na hora de comprar os alimentos básicos.
Segundo a pesquisa do Dieese, a cesta básica de alimentos no Rio pode ser encontrada a R$ 770,19. Além do aumento na capital fluminense, 11 das 17 capitais — monitoradas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos — registraram alta nos preços. Em São Paulo, por exemplo, é a capital onde a cesta apresentou o maior custo (R$ 790,57). Em terceiro lugar no ranking está Florianópolis, com os itens no total de R$ 760,65.
Com o salário mínimo fixado em R$ 1.302,00 neste ano, os consumidores encontram problemas para fechar as contas, caso adquiram todos os itens da cesta básica. Isso porque, quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu boa parte do seu salário.
Em média, em janeiro deste ano, ele vai perder mais da metade (57,18%) do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos. Em dezembro de 2022, com o salário mínimo em R$ 1.212,00, o trabalhador precisou usar 60,22% da renda líquida. Em janeiro de 2022, o percentual ficou em 55,20%.
Entre os itens que mais aumentaram está a batata, que subiu 19,3%. Em seguida, o tomate (15,71%), o feijão (6,6%) e o arroz (4,54%) que são produtos base no prato dos brasileiros, principalmente dos mais pobres.
O mestre em economia Diego de Vasconcelos afirma que, em um momento de alta inflação, o consumidor precisa ter planejamento financeiro, dedicando o seu tempo para fazer comparações dos preços em diferentes mercados varejistas.
"O principal ponto é o planejamento financeiro. E essa é uma coisa que é um problema no Brasil, a população da classe média do Rio de Janeiro, especificamente, tem um problema com essa questão. Então, para buscar soluções, o planejamento tem que ser feito, até por serem itens que o consumidor está sempre comprando, é um consumo corriqueiro. Os valores impactam diretamente no bolso e para fugir disso a dica é pesquisar em diversos mercados buscando o melhor preço", diz Vasconcelos.
Rica Mello, economista e gestor de negócios, também chama a atenção para o planejamento, e afirma que a primeira estratégia para economizar é fazer intervalos curtos de compras. "Faça um planejamento do que é preciso repor e busque fazer as compras em intervalos menores, como semanalmente ou a cada dez dias. Assim, você tem uma ideia mais clara de quanto irá gastar", afirma.
De acordo com o especialista, também é interessante evitar os primeiros dias de mês, época em que os itens estão mais caros. "O consumidor deve evitar ir ao supermercado com fome, o que pode fazê-lo gastar mais. Itens não perecíveis podem ser comprados em atacadões, mas é importante fazer as contas para ter a certeza de que a diferença de valor realmente compensa".
Mello ainda ressalta que aproveitar o dia da promoção de cada segmento (carne, legumes, e outros) para comprar mais barato é uma boa sacada para driblar a inflação. "É importante acompanhar os dias de promoções nos mercados e fazer as compras dos itens nessas datas. Compare preços e adquira os itens mais baratos em cada local, aproveitando ao máximo essas promoções", disse. "Na hora de comprar frutas e hortaliças, busque sempre as opções da estação e tente ir à feira na "hora da xepa". É no finalzinho da feira que você encontra itens de qualidade em preços mais em conta", acrescenta.
"Ao invés do consumidor ir um único dia e tentar fazer a compra total, se atentar a essas promoções, que mesmo com essas altas de preços, a tendência é que estejam com um preço um pouco mais bacana. A gente sabe que não é o ideal porque a população não tem disponibilidade para ir ao mercado todos os dias, mas se atentar a esses dias é uma saída que vale tentar encaixar no dia a dia para superar um pouco a alta de preço desses produtos", pontua Vasconcelos.
Os economistas também indicam que as dona de casa busquem novas receitas e maneiras de preparar o alimento, conseguindo usar itens mais em conta para as refeições. Além disso, outra tática para tentar driblar os preços é substituir alguns produtos.
"É possível procurar substitutos de acordo com o grupo em que o alimento se encaixa. Por exemplo, a batata pode ser substituída por mandioca, que geralmente tem o preço 30% menor. Outra solução é trocar a carne vermelha de alta qualidade por carne de segunda ou por uma proteína mais barata, como o frango", afirma o gestor de negócios Rica Mello.
"O consumidor também pode tentar trocar batata para uma batata doce ou aipim, buscar um produto que possa suprir e que não teve uma alta tão significativa", aponta Vasconcelos.
Outra dica importante é que vários supermercados têm produtos de marcas próprias, que costumam ser mais baratas que as marcas mais tradicionais e "não perdem em qualidade". Adquirir essas opções é uma boa forma de economizar. Além disso, observar os produtos próximos da data de vencimento, que geralmente ficam em gôndolas perto dos caixas, e têm excelentes descontos. "Mas é importante que o consumidor fique atento se o produto está na lista e será consumido dentro da validade", ressalta Mello.
Ele ainda indica aproveitar os programas de fidelidade dos supermercados. O cadastro é feito rapidamente e esse programa tem boas promoções para os clientes participantes. Se possível, deixar as crianças em casa. Elas podem pedir itens caros e que estão fora da lista, e dificilmente você vai conseguir negar.
"Também é importante ter cuidado ao planejar a alimentação da semana, evitando desperdícios. Os restos podem ser congelados e reaproveitados para novas receitas. Vale usar a criatividade para explorar o máximo possível. Jogar comida fora é jogar dinheiro fora", conclui.
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