Rio - Segundo o Índice de Aluguel QuintoAndar Imovelweb, em 2024, a locação de imóveis no Rio de Janeiro aumentou para R$41,40 o metro quadrado. Desde o valor até a localização, muitos são os desafios das pessoas que buscam alugar ou comprar imóveis na Cidade Maravilhosa.
A reportagem de O DIA conversou com imobiliárias, advogados e pessoas em busca de imóveis para entender a melhor maneira de encontrar o espaço ideal, sem manipulação ou exploração. Saiba como:
Busca
Marcela Elis, universitária de 19 anos, passou por algumas situações até encontrar um bom apartamento perto da faculdade onde estuda. “Já vi quartos completamente insalubres, lugares em que o prédio todo compartilhava um banheiro só…”, conta. A estudante de Jornalismo explica que os maiores desafios durante o processo de busca foram os preços e localização dos imóveis.
“Uma vez, a proprietária de um imóvel perguntou se eu tinha problemas com barulho. Quando cheguei na casa dela, vi que a pergunta era porque ela tinha várias araras, que ficavam ao lado do quarto onde eu iria dormir. Eu pensei: ‘meu sono até é pesado, mas aqui não vai rolar’”, relata a universitária.
André Lancellotti, servidor do judiciário de 46 anos, conta que procura um imóvel há aproximadamente três meses. Ele já teve experiências negativas durante a procura. “Já tive que me deslocar e encontrar um imóvel totalmente diferente do anúncio várias vezes”, conta.
Para ele, a melhor opção para fugir dos estresses do processo é utilizar as plataformas de imóveis. “Em geral, procuro pelo QuintoAndar. É uma plataforma que eu gosto”, afirma. André conta que a motivação por trás da mudança é encontrar um lugar para morar mais tranquilo e sossegado.
A imobiliária digital brasileira QuintoAndar foi fundada em 2013Divulgação/QuintoAndar
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Bairros
O grupo QuintoAndar informou que os bairros mais disputados no Rio de Janeiro estão na Zona Sul da cidade. “Os bairros de lá historicamente possuem a maior demanda e menor quantidade de imóveis disponíveis”, explica Eduardo Alves, gerente comercial de locação da plataforma.
De acordo com o levantamento das imobiliárias QuintoAndar e Imovelweb, em 2024, sete bairros da Zona Sul estavam entre os top 10 bairros mais caros do Rio. São eles: Leblon, Lagoa, Ipanema, Botafogo, Copacabana, Flamengo e Laranjeiras. Segundo a empresa, localização, espaço, condomínio e serviços disponíveis nas redondezas são aspectos comumente exigidos durante a procura, ainda que os perfis e necessidades dos clientes variem.
O Estudo Radar Imobiliário DataZAP, do Grupo OLX, por sua vez, revelou que os três bairros na capital fluminense com maiores números de cliques em anúncio entre 2023 e 2024, são Barra da Tijuca (10,94%), Recreio dos Bandeirantes (8,32%) e Copacabana (8,02%).
Imóveis
Segundo o grupo QuintoAndar, um imóvel pode ficar mais tempo no mercado a depender de sua precificação, estado de conservação ou disponibilidade para visitas, por exemplo. “Deixar as chaves na portaria, na lockbox, na porta do apartamento, ou ainda com um corretor, ampliam a disponibilidade para visitas e aumentam a liquidez”, orienta o porta-voz.
De acordo com o Radar Imobiliário DataZAP, bairros à beira-mar e com ampla infraestrutura são os mais atrativos. A pesquisa também mostra que a procura por imóveis mais compactos, de até 50 m², aumenta desde 2022, tanto para vendas, quanto para locação. Confira os dados nos gráficos abaixo.
Tipologia de imóveis para vendasRadar Imobiliário DataZAP
Tipologia de imóveis para locaçãoRadar Imobiliário DataZAP
Contrato
Na hora de fechar o contrato, especialistas recomendam uma análise cautelosa para verificar a existência de cláusulas abusivas. A advogada Alessandra Freitas, 43 anos, orienta a diferenciar o tipo de locação (comercial ou residencial) e sempre checar o prazo (30 meses para imóveis residenciais, podendo variar, e 60 meses para comerciais).
Segundo a advogada, uma das práticas abusivas mais comuns acontece na garantia. “Quando a garantia é feita através do depósito do caução, em dinheiro, ela se limita a três vezes o valor do aluguel, exclusivamente”, explica. “Também não pode haver acúmulo de garantias. Não é possível exigir um fiador e um seguro fiança, por exemplo”.
Para a advogada Mônica Nicácio, 57 anos, abusos raramente surgem quando as duas partes concordam e conferem o contrato. Segundo as profissionais, a qualificação das partes (pontos básicos), o prazo estabelecido, preço do aluguel, quais encargos o locatário deverá pagar, garantia e o direito ou não da retenção de benfeitorias não podem faltar em um contrato dentro da legalidade.
Locadores podem negligenciar a manutenção do imóvel, locatários podem não pagar o aluguel dentro dos termos contratados… Seja qual for a natureza do conflito, as advogadas dizem que o melhor caminho para solucioná-lo é a mediação. “Levando o conflito para o Judiciário, você terá mais despesas e ainda pode não solucioná-lo. Muita coisa não é resolvida porque as pessoas não sentam à mesa para conversar”, diz Alessandra.
Para Mônica, há espaço para negociações a depender da situação e do perfil do locatário. “Se é um bom inquilino, e pedir para não reajustar, não reajuste. É melhor mantê-lo do que ficar com o imóvel vazio”, explica.
“A mediação, até mesmo através da arbitragem, é um bom caminho para solucionar os problemas”, afirma Alessandra. Para Mônica, o principal é conversar e “chegar em um acordo”.
Mônica conta que o mais comum entre os brasileiros é adiar ao máximo a procura de um profissional do direito imobiliário: “As pessoas só buscam advogado depois que tiveram um contrato ruim, de estarem devendo aluguel ou com problemas na documentação”. Segundo a advogada, o correto é se precaver antes de ter qualquer prejuízo.
Para quem procura imóvel, é bom ficar atento à orientação de quem já passou pela experiência. Para Marcela e Lancellotti, encontrar o espaço ideal demanda tempo e paciência. “É como garimpar roupa em brechó. Vai procurando, até achar o melhor lugar”, explica a universitária. “Seja paciente, procure bastante e busque as plataformas, que ajudam muito”, aconselha o servidor.
*Reportagem da estagiária Nicole Rangel, sob supervisão de Marlucio Luna
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