Publicado 30/06/2025 05:00
No Brasil, um dos setores que mais sofrem com a falta da mão de obra especializada é a indústria. Faltam técnicos de nível médio e profissionais de nível superior para ocupar as vagas. O País, que fala em neoindustrilização como um dos pilares da política econômica, enfrenta o desafio de capacitar estes profissionais. Por isso, O DIA conversou com os mais diversos agentes deste setor para entender o cenário atual.
Em nota, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) informou que vê o cenário de mão de obra como um dos principais desafios atuais da indústria. Segundo o órgão, há uma percepção crescente por parte das empresas sobre a dificuldade em contratar trabalhadores qualificados, situação que piorou desde a pandemia e ainda não retornou ao patamar anterior.
A escassez é global, mas no Brasil 80% das empresas relatam dificuldade em preencher vagas, colocando o País na 11ª posição no ranking global de escassez de talentos, como mostra a pesquisa Global Talent Shortage, do ManpowerGroup. Além disso, de acordo com o IBGE, o número de pessoas disponíveis para o trabalho formal ainda é baixo (62,4%).
De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o País precisará qualificar cerca de 14 milhões de profissionais até 2027, sendo 2,2 milhões de novos e 11,8 milhões que já estão no mercado.
Diante disso, o Senai informou atuar de forma estratégica junto a setores com maior urgência — como Construção Civil, Tecnologia da Informação e Comunicação, Alimentos e Bebidas e Energia — para desenvolver programas de formação rápida e efetiva, como o Plano Nacional de Qualificação para a Construção Civil, que promove formação de profissionais no próprio canteiro de obras.
Outra iniciativa é a oferta de cursos gratuitos para jovens e trabalhadores de baixa renda, tem como objetivo ampliar o acesso à educação profissional de qualidade, promovendo a inclusão produtiva e contribuindo para o enfrentamento da escassez de mão de obra qualificada na indústria.
Para o órgão, há lacunas estruturais que podem ser interpretadas como reflexo de políticas públicas insuficientes ou mal direcionadas.
Ações do governo
O DIA entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para entender mais sobre o que pode ser feito para melhorar a questão. A pasta confirmou que a política de neoindustrialização, dando centralidade a questões como sustentabilidade, transformação digital e geração de empregos de maior qualificação e renda.
A pasta também disse que O Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), coordenado pelo MDIC, criou um Grupo de Trabalho para debater ações voltadas à formação, qualificação e fixação de pessoal de nível superior para o desenvolvimento tecnológico para atuação na indústria.
As principais iniciativas nessa área, segundo o MDIC, estão sendo desenvolvidas pelos ministérios do Trabalho e Emprego (MTE), da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Procurado, o MEC informou que tem trabalhado com diversas ações visando ao aumento de matrículas de educação profissional e tecnológica (EPT) e a consequente formação de jovens e adultos para o mundo do trabalho.
Dentre as principais iniciativas, destaca-se a o investimento de R$3,9 bilhões, por meio do Novo PAC, para consolidação das unidades existentes da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e para implantação de 102 novos campi de institutos federais pelo Brasil, que vai gerar mais de 140 mil vagas, majoritariamente de cursos técnicos integrados ao ensino médio.
Com recursos do Programa de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, o Pronatec, o MEC também tem desenvolvido iniciativas em parceria com as redes de ensino e instituições ofertantes de EPT:
- Investimento de R$ 70 milhões para estados ofertarem 60 mil vagas na Escola de Tempo Integral na modalidade educação profissional;
- Programa Mulheres Mil: 109 mil vagas de qualificação profissional em mais de 527 municípios em um investimento de R$ 187 milhões;
- Cursos na área de energia renovável: 17 mil vagas (R$ 21 milhões de investimento);
- Cursos de Bioeconomia na Amazônia Legal: 12 mil vagas (R$ 12 milhões investidos);
- Capacita em Rede: 19 mil vagas (R$5 milhões);
Os ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) também foram procurados, mas não responderam aos questionamentos.
Médias salariais
Com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), levantados pelo Observatório Nacional da Indústria (ONI), da CNI, as áreas da indústria com os salários mais atrativos para profissionais técnicos são aquelas ligadas à mineração, logística portuária, indústrias químicas e petroquímicas e calibração e instrumentação.
Essas ocupações estão diretamente relacionadas a setores estratégicos e de alta complexidade tecnológica, o que eleva a demanda por profissionais qualificados. Entre os destaques, podemos citar:
- Técnicos em mineração, com média salarial de R$ 8.062,05;
- Técnicos em transportes por vias navegáveis e operações portuárias, com média salarial de R$ 7.122,79;
- Técnicos de produção de indústrias químicas, petroquímicas, refino de petróleo, gás e afins, com média salarial de R$ 6.972,27;
- Técnicos em calibração e instrumentação, com média salarial de R$ 6.830,19;
- Técnicos em mecânica veicular, com média salarial de R$ 6.792,09.
Essas ocupações ilustram bem o quanto a qualificação técnica pode gerar oportunidades de carreira e bons salários no setor industrial.
Situação no Rio de Janeiro
PublicidadeEm nota, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) informou que vê o cenário de mão de obra como um dos principais desafios atuais da indústria. Segundo o órgão, há uma percepção crescente por parte das empresas sobre a dificuldade em contratar trabalhadores qualificados, situação que piorou desde a pandemia e ainda não retornou ao patamar anterior.
A escassez é global, mas no Brasil 80% das empresas relatam dificuldade em preencher vagas, colocando o País na 11ª posição no ranking global de escassez de talentos, como mostra a pesquisa Global Talent Shortage, do ManpowerGroup. Além disso, de acordo com o IBGE, o número de pessoas disponíveis para o trabalho formal ainda é baixo (62,4%).
De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o País precisará qualificar cerca de 14 milhões de profissionais até 2027, sendo 2,2 milhões de novos e 11,8 milhões que já estão no mercado.
Diante disso, o Senai informou atuar de forma estratégica junto a setores com maior urgência — como Construção Civil, Tecnologia da Informação e Comunicação, Alimentos e Bebidas e Energia — para desenvolver programas de formação rápida e efetiva, como o Plano Nacional de Qualificação para a Construção Civil, que promove formação de profissionais no próprio canteiro de obras.
Outra iniciativa é a oferta de cursos gratuitos para jovens e trabalhadores de baixa renda, tem como objetivo ampliar o acesso à educação profissional de qualidade, promovendo a inclusão produtiva e contribuindo para o enfrentamento da escassez de mão de obra qualificada na indústria.
Para o órgão, há lacunas estruturais que podem ser interpretadas como reflexo de políticas públicas insuficientes ou mal direcionadas.
Ações do governo
O DIA entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para entender mais sobre o que pode ser feito para melhorar a questão. A pasta confirmou que a política de neoindustrialização, dando centralidade a questões como sustentabilidade, transformação digital e geração de empregos de maior qualificação e renda.
A pasta também disse que O Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), coordenado pelo MDIC, criou um Grupo de Trabalho para debater ações voltadas à formação, qualificação e fixação de pessoal de nível superior para o desenvolvimento tecnológico para atuação na indústria.
As principais iniciativas nessa área, segundo o MDIC, estão sendo desenvolvidas pelos ministérios do Trabalho e Emprego (MTE), da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Procurado, o MEC informou que tem trabalhado com diversas ações visando ao aumento de matrículas de educação profissional e tecnológica (EPT) e a consequente formação de jovens e adultos para o mundo do trabalho.
Dentre as principais iniciativas, destaca-se a o investimento de R$3,9 bilhões, por meio do Novo PAC, para consolidação das unidades existentes da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e para implantação de 102 novos campi de institutos federais pelo Brasil, que vai gerar mais de 140 mil vagas, majoritariamente de cursos técnicos integrados ao ensino médio.
Com recursos do Programa de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, o Pronatec, o MEC também tem desenvolvido iniciativas em parceria com as redes de ensino e instituições ofertantes de EPT:
- Investimento de R$ 70 milhões para estados ofertarem 60 mil vagas na Escola de Tempo Integral na modalidade educação profissional;
- Programa Mulheres Mil: 109 mil vagas de qualificação profissional em mais de 527 municípios em um investimento de R$ 187 milhões;
- Cursos na área de energia renovável: 17 mil vagas (R$ 21 milhões de investimento);
- Cursos de Bioeconomia na Amazônia Legal: 12 mil vagas (R$ 12 milhões investidos);
- Capacita em Rede: 19 mil vagas (R$5 milhões);
Os ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) também foram procurados, mas não responderam aos questionamentos.
Médias salariais
Com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), levantados pelo Observatório Nacional da Indústria (ONI), da CNI, as áreas da indústria com os salários mais atrativos para profissionais técnicos são aquelas ligadas à mineração, logística portuária, indústrias químicas e petroquímicas e calibração e instrumentação.
Essas ocupações estão diretamente relacionadas a setores estratégicos e de alta complexidade tecnológica, o que eleva a demanda por profissionais qualificados. Entre os destaques, podemos citar:
- Técnicos em mineração, com média salarial de R$ 8.062,05;
- Técnicos em transportes por vias navegáveis e operações portuárias, com média salarial de R$ 7.122,79;
- Técnicos de produção de indústrias químicas, petroquímicas, refino de petróleo, gás e afins, com média salarial de R$ 6.972,27;
- Técnicos em calibração e instrumentação, com média salarial de R$ 6.830,19;
- Técnicos em mecânica veicular, com média salarial de R$ 6.792,09.
Essas ocupações ilustram bem o quanto a qualificação técnica pode gerar oportunidades de carreira e bons salários no setor industrial.
Situação no Rio de Janeiro
Em entrevista a O DIA, Luiz Césio Caetano, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), detalhou como a situação dos trabalhadores de indústrias fluminenses.
"Em 2024, o estado do Rio de Janeiro encerrou o ano com 169 mil profissionais empregados com carteira assinada em ocupações técnicas da indústria", disse Caetano.
As áreas com maior concentração de trabalhadores foram Controle e Planejamento da Produção (27,2 mil empregados), Eletroeletrônica (26,3 mil), Metalmecânica (22,6 mil), Tecnologia da Informação (16,6 mil) e Logística (16,5 mil).
As áreas com maior concentração de trabalhadores foram Controle e Planejamento da Produção (27,2 mil empregados), Eletroeletrônica (26,3 mil), Metalmecânica (22,6 mil), Tecnologia da Informação (16,6 mil) e Logística (16,5 mil).
"Nessas ocupações, o salário médio de admissão foi de R$ 3.302 em 2024 — 46% acima da média de entrada no mercado formal fluminense (R$ 2.286). Entre as áreas ocupacionais, os maiores salários médios de admissão em 2024 foram registrados em Mineração (R$ 6.103), Material de Transporte (R$ 4.882), Automação (R$ 4.241), Controle e Planejamento da Produção (R$ 3.990) e Metalmecânica (R$ 3.788)", destaca.
Quase 4 mil vagas gratuitas em cursos técnicos
A Firjan Senai está com inscrições abertas para 3.960 vagas gratuitas em 19 cursos técnicos para todo o estado do Rio. As oportunidades abrangem diversas áreas e estão distribuídas em 23 unidades, localizadas em 17 municípios fluminenses. As inscrições, também gratuitas, devem ser feitas exclusivamente de forma presencial até 9 de julho.
Na Região Metropolitana, há vagas em Itaguaí, Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e São Gonçalo. Na capital, nos bairros de Vila Isabel, Maracanã, Tijuca e Benfica (Zona Norte) e Jacarepaguá e Santa Cruz (Zona Oeste). Ainda há vagas nos municípios de Petrópolis, Nova Friburgo, Barra do Piraí, Barra Mansa, Três Rios, Valença, Volta Redonda, Resende, Itaperuna, Campos e Macaé.
A Firjan Senai está com inscrições abertas para 3.960 vagas gratuitas em 19 cursos técnicos para todo o estado do Rio. As oportunidades abrangem diversas áreas e estão distribuídas em 23 unidades, localizadas em 17 municípios fluminenses. As inscrições, também gratuitas, devem ser feitas exclusivamente de forma presencial até 9 de julho.
Na Região Metropolitana, há vagas em Itaguaí, Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e São Gonçalo. Na capital, nos bairros de Vila Isabel, Maracanã, Tijuca e Benfica (Zona Norte) e Jacarepaguá e Santa Cruz (Zona Oeste). Ainda há vagas nos municípios de Petrópolis, Nova Friburgo, Barra do Piraí, Barra Mansa, Três Rios, Valença, Volta Redonda, Resende, Itaperuna, Campos e Macaé.
Para participar, os candidatos devem preencher os pré-requisitos (no site da Firjan) específicos dos cursos desejados, incluindo idade e escolaridade, além de renda familiar mensal per capita bruta seja de até 1,5 salário mínimo federal, comprovado por meio de uma autodeclaração.
Quem trabalha recomenda
Quem trabalha recomenda
Breno Oliveira, que trabalha embarcado no segmento de petróleo e gás, falou sobre o seu dia a dia e como escolheu a área. Ele, que mora em Angra dos Reis e tem 26 anos, está bem satisfeito até o momento.
"Eu realizei um curso de seis meses em uma empresa para poder atuar em uma embarcação portuária. Foram quatro meses de aulas teóricas e dois de estágio. Quando você entra, lá dentro você vai se informando mais e conhecendo novos cursos para se capacitar ainda mais. Determinados tipos de embarcação cobram diferentes especializações", conta.
"No momento estou atuando em um navio sonda que perfura poços de petróleo. Nossa rotina é dividia em dois turnos, o das 6h às 18h e o das 18h às 6h. Cada turno de 12h possui intervalos a cada 3h para fazermos refeições. Eu faço 14 dias em escala e 14 dias de folga", detalhou.

Para Breno, trabalhar embarcado é uma grande oportunidade. "Eu recomendo, por ser uma área bem remunerada, principalmente se a pessoa for solteira e ainda não tiver filhos, pois é um trabalho que exige muito de você e do seu psicológico, já que você fica confinado com muitas pessoas que você não conhece".
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