Publicado 07/08/2025 17:24
O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, recomendou nesta quinta-feira, 7, que se tenha paciência para ver o juro fazer efeito. "Esse foi primeiro Copom sem alta", disse ao se referir ao ciclo de alta da Selic e à mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic nos atuais 15% ao ano. Ele participou, em São Paulo, de evento sobre política monetária organizado pela Porto Seguro Asset.
PublicidadeO diretor reconhece que houve sinais, ainda que incipientes, de alteração nas expectativas de inflação, mas ponderou que a queda da inflação implícita significa que agentes notam compromisso do BC com a meta. Mesmo porque, de acordo com ele, é unânime no Copom o desconforto com as medianas do Focus acima da meta.
"Não vamos hesitar se percebermos que a alta dos juros até aqui não foi suficiente. Existe a possibilidade de mudança nas medianas de inflação do Focus. Quando a incerteza cair, é inexorável ver pessoas revisitando projeções de inflação", disse ele, acrescentando que a Focus alongou o prazo de Selic em 15% ao ano.
O diretor de Política Monetária do Banco Central afirmou ainda que a instituição tem a convicção de que a economia cresceu acima do potencial e precisa voltar.
Nilton reiterou que o BC não vai e não deve reagir a ruídos. "A convicção é de que a política monetária está apertada e funcionando existe. Vamos passar por período de incerteza e sinais díspares por bastante mais tempo", previu.
Fluxo negativo de crédito às famílias
David disse também que o mercado de crédito tem mostrado sinais de moderação. Essa avaliação já havia sido mencionada na última ata do Copom, publicada na terça-feira, 5.
"As famílias, hoje, já estão gastando mais dinheiro pagando os serviços da dívida e pagando os créditos do que com novos créditos. A gente chama de fluxo negativo para as famílias. Isso já foi observado no Copom anterior, e foi aumentado agora", comentou o diretor.
Excluindo os efeitos da resolução número 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN), também é possível observar um pequeno incremento na inadimplência, segundo o diretor. Todo esse comportamento está em linha com o funcionamento da política monetária no canal de crédito, afirmou.
David lembrou ainda que o novo crédito consignado privado teve, até agora, concessões menores do que o esperado, juros maiores do que se previa e um maior faseamento nas contratações. Ele considerou que a cautela demonstrada pelo BC ao não reagir ao anúncio do programa foi acertada.
Indagado sobre o projeto que isenta do imposto de renda (IR) quem ganha até R$ 5 mil por mês, o diretor respondeu que o BC só reagiria à medida quando ela estiver completamente definida. "A gente espera que as coisas sejam concretas e objetivas antes de tomar qualquer atitude", afirmou.
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