Publicado 10/11/2025 05:00
Rio - Ângelo Augusto é um cão de 7 anos, come filet mignon suíno e faz exames de sangue todo mês. A rotina de luxo seria digna de um influenciador pet, mas a tutora dele, a secretária Patrícia Bastos Chagas, jura que não há exagero.
Publicidade"Ele me salvou da depressão durante o isolamento. É meu amigo, meu companheiro. Já deixei de viajar e de comprar coisas pra mim, mas nunca deixei de cuidar dele", conta.
Patrícia gasta cerca de R$ 1,7 mil por mês com o cão, que foi diagnosticado com leucemia. O investimento inclui alimentação natural, remédios, brinquedos e até creche. "Ele não pediu pra ser adotado. Se eu o fiz, é pra cuidar da melhor forma possível", frisa.
Patrícia gasta cerca de R$ 1,7 mil por mês com o cão, que foi diagnosticado com leucemia. O investimento inclui alimentação natural, remédios, brinquedos e até creche. "Ele não pediu pra ser adotado. Se eu o fiz, é pra cuidar da melhor forma possível", frisa.
Já a empresária Bárbara Siciliano, de 32 anos, tenta equilibrar o orçamento sem abrir mão do cuidado com as duas cachorras, Zara e Tiquinha.
"Em média, gasto cerca de R$ 1 mil por mês com alimentação, plano de saúde, brinquedos e remédios. Quando o mês está apertado, cortamos saídas e pedidos de comida, mas nunca o que é delas", diz.

Dona de dois pet shops, Bárbara admite que, mesmo comprando a preço de custo, o impacto financeiro é grande.
"Ter loja ajuda, mas não isenta. A alimentação natural e o plano de saúde continuam pesando. Elas são parte da família, então é prioridade", explica
Histórias como as das duas mulheres ajudam a entender por que o mercado pet parece imune às crises. Segundo levantamento do Sebrae Rio, o Estado já conta com 22,1 mil estabelecimentos voltados ao setor, um crescimento de 49% desde 2020. O Rio de Janeiro é hoje o terceiro maior polo pet do País, com 8% do mercado nacional. O estudo mostra que 97% das empresas são de micro e pequeno porte — de empreendedores individuais a pequenas empresas familiares.
"O setor pet segue crescendo porque combina duas forças: o amor das pessoas pelos seus animais e a capacidade dos empreendedores de atender a essa demanda com criatividade. O resultado é um mercado dinâmico, cheio de inovação, que gera renda e oportunidades em praticamente todas as regiões do Estado", aponta a porta-voz do Sebrae Rio, Natalia Leitão.
Histórias como as das duas mulheres ajudam a entender por que o mercado pet parece imune às crises. Segundo levantamento do Sebrae Rio, o Estado já conta com 22,1 mil estabelecimentos voltados ao setor, um crescimento de 49% desde 2020. O Rio de Janeiro é hoje o terceiro maior polo pet do País, com 8% do mercado nacional. O estudo mostra que 97% das empresas são de micro e pequeno porte — de empreendedores individuais a pequenas empresas familiares.
"O setor pet segue crescendo porque combina duas forças: o amor das pessoas pelos seus animais e a capacidade dos empreendedores de atender a essa demanda com criatividade. O resultado é um mercado dinâmico, cheio de inovação, que gera renda e oportunidades em praticamente todas as regiões do Estado", aponta a porta-voz do Sebrae Rio, Natalia Leitão.
A capital concentra 39% dos pet shops, cerca de 8,5 mil, segundo o Sebrae, mas o movimento se espalha por todo o Estado. Cidades como São Gonçalo, Nova Iguaçu, Niterói e Duque de Caxias aparecem entre os principais polos.
De acordo com a Secretaria Estadual de Fazenda, há 3.639 empresas do setor, focadas nas vendas de produtos para os animaizinhos. Já na capital, a Secretaria Municipal de Ordem Pública contabiliza 3.589 registros. Os bairros com mais estabelecimentos são Barra da Tijuca (245), Campo Grande (191), Tijuca (184), Recreio dos Bandeirantes (163) e Copacabana (116).
De acordo com a Secretaria Estadual de Fazenda, há 3.639 empresas do setor, focadas nas vendas de produtos para os animaizinhos. Já na capital, a Secretaria Municipal de Ordem Pública contabiliza 3.589 registros. Os bairros com mais estabelecimentos são Barra da Tijuca (245), Campo Grande (191), Tijuca (184), Recreio dos Bandeirantes (163) e Copacabana (116).
O afeto que movimenta a economia
O vínculo entre humanos e animais é tão forte que já influencia o comportamento de consumo. Uma pesquisa da Serasa e do Instituto Opinion Box mostra que 65% dos tutores brasileiros estão dispostos a gastar o que for preciso com seus pets, e 52% já priorizaram o orçamento dos bichos em vez de outras despesas pessoais.
O vínculo entre humanos e animais é tão forte que já influencia o comportamento de consumo. Uma pesquisa da Serasa e do Instituto Opinion Box mostra que 65% dos tutores brasileiros estão dispostos a gastar o que for preciso com seus pets, e 52% já priorizaram o orçamento dos bichos em vez de outras despesas pessoais.
Os valores destinados aos pets variam bastante: 56% dos tutores desembolsam até R$ 300 por mês, enquanto 48% afirmam que os gastos equivalem a até 5% da renda mensal. Já 31% investem entre 6% e 10% do que ganham.
As principais despesas envolvem alimentação (83%), vacinas (38%), banho e tosa (35%), remédios (33%), consultas veterinárias (30%), brinquedos (21%) e exames (15%). Em 40% dos lares, os custos são divididos entre mais de uma pessoa.
As principais despesas envolvem alimentação (83%), vacinas (38%), banho e tosa (35%), remédios (33%), consultas veterinárias (30%), brinquedos (21%) e exames (15%). Em 40% dos lares, os custos são divididos entre mais de uma pessoa.
A dona do Almofadinhas Beleza Pet, localizado em Ramos, na Zona Norte carioca, Rita Nascimento, confirma esse movimento. "Eles são vistos como membros da família”, resume.
O estúdio oferece banho, tosa, hidratação e corte de unhas, com pacotes mensais entre R$ 120 e R$ 200. "Alguns clientes reduzem a frequência, por conta dos gastos, mas continuam. Outros dividem com familiares para não deixar de trazer o pet", conta.
Em Niterói, Gabriela Machado da Cruz, de 38 anos, proprietária do Pet Grooming Studio, relata que muitos procuram serviços de personalização de seus pets. No local, ela oferece acessórios, cenários fotográficos e pacotes temáticos. "Os clientes adoram as fotos e esperam ansiosos pelas campanhas de Natal", conta.
Para a psicóloga e professora Rachel Sette, do UniArnaldo Centro Universitário, o fenômeno é explicado por mecanismos neurobiológicos.
"As interações com os animais ativam o sistema límbico e liberam ocitocina, dopamina e serotonina — neurotransmissores ligados ao prazer e à regulação emocional. Os pets oferecem previsibilidade e segurança emocional em um mundo onde as relações humanas são cada vez mais instáveis", explica.
A psicóloga Michele Silveira complementa: "Vivemos um tempo de vínculos frágeis e relações apressadas. Os pets representam um espaço afetivo seguro — não julgam, não cobram e estão sempre presentes. Esse consumo é simbólico: expressa amor e pertencimento."
Ela acredita que o fenômeno dos “pais e mães de pet” deve crescer ainda mais. "Com o adiamento da parentalidade e a busca por autonomia, os animais se tornam figuras centrais de afeto. É um amor bonito — desde que não substitua o vínculo humano", alerta.
Mesmo com desaceleração, setor deve faturar R$ 77,2 bilhões em 2025
Mesmo com uma leve desaceleração nas projeções, o mercado pet nacional deve movimentar R$ 77,2 bilhões em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e o Instituto Pet Brasil (IPB). O crescimento previsto é de 2,4% em relação ao ano passado — abaixo dos 3,5% projetados no primeiro trimestre.
O segmento de alimentos industrializados continua liderando, representando 52,9% do faturamento. Em seguida vêm os serviços veterinários e estéticos, que juntos somam mais de R$ 8 bilhões.
Mesmo com uma leve desaceleração nas projeções, o mercado pet nacional deve movimentar R$ 77,2 bilhões em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e o Instituto Pet Brasil (IPB). O crescimento previsto é de 2,4% em relação ao ano passado — abaixo dos 3,5% projetados no primeiro trimestre.
O segmento de alimentos industrializados continua liderando, representando 52,9% do faturamento. Em seguida vêm os serviços veterinários e estéticos, que juntos somam mais de R$ 8 bilhões.
"O setor pet segue sólido, mas os resultados projetados para 2025 refletem os desafios econômicos e o peso da alta tributação sobre produtos e serviços", explica Caio Villela, presidente do IPB.
É o caso da empresária Adriana Souza, proprietária do pet shop Latidos e Miados, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Ela relata que impostos estão dificultando a viabilidade do negócio. "O que mais encarece são os impostos e despesas como luz e água. E a estratégia que encontrei para lidar com isso é não aplicar aumento", relata.
Para driblar os desafios, como a concorrência com pet shops on-line e a busca por preços mais em conta por parte dos consumidores, Benizete Delgado, gerente da empresa Casa do Pet, em Volta Redonda, no Sul Fluminense, conta que a rede aposta em negociação com fornecedores para promoções e no marketing digital como ferramenta essencial para equilibrar o jogo.
"Trabalhamos muito com marketing e fizemos da loja um ambiente familiar. Hoje, não trabalhar com redes sociais é nadar, nadar e morrer na praia. Não tem outra opção. As nossas vendas através das redes aumentaram 60%", relata.
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