Publicado 25/12/2025 05:00
O ano de 2025 ficará marcado na história econômica do Brasil como um período de extrema volatilidade, quebra de recordes no mercado financeiro e tensões diplomáticas sem precedentes. Das guerras comerciais aos colapsos de gigantes empresariais, confira os eventos que moldaram o ano.
PublicidadeJaneiro
O ano começou com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em 20 de janeiro. No setor de tecnologia, o mercado financeiro viveu dias de instabilidade: a Nvidia perdeu temporariamente o posto de empresa mais valiosa dos EUA para a Microsoft, após o lançamento do sistema chinês DeepSeek. Trump iniciou seu mandato reforçando que as tarifas seriam sua principal ferramenta de "independência econômica". O mercado financeiro no Brasil ficou preocupado. Bolsa e câmbio logo sentiram os efeitos da posse de Trump, com quedas no Ibovespa e alta da cotação da moeda norte-americana.
Fevereiro
Em 1º de fevereiro, os EUA impuseram tarifas de 25% sobre produtos do México e Canadá, e de 10% sobre a China. A resposta chinesa foi imediata: Pequim anunciou uma taxação sobre combustíveis, veículos e máquinas agrícolas norte-americanas, além de apresentar queixa à Organização Mundial do Comércio (OMC).
No campo monetário, Trump começou a pressionar publicamente o Federal Reserve (Fed), chamando Jerome Powell, o presidente do Banco Central dos EUA, de "atrasado" por não reduzir as taxas de juros para acompanhar sua política comercial.
Março
O mês foi difícil para a indústria nacional. Em 12 de março, entraram em vigor as tarifas de 25% sobre aço e alumínio importados pelos EUA, afetando diretamente o Brasil, que é o segundo maior exportador de aço para o mercado norte-americano. Em discurso ao Congresso, Trump citou nominalmente o Brasil como um país que impõe tarifas "injustas" aos EUA.
No setor aéreo, a Gol viu o tribunal de falências de Nova York agendar para maio a audiência decisiva de seu plano de reestruturação financeira de US$ 1,87 bilhão.
Abril
Em 2 de abril, batizado por Trump de "Dia da Libertação", entraram em vigor tarifas recíprocas contra diversos países. O Brasil foi taxado em 10%.
A economia interna foi abalada pela Operação Sem Desconto, que revelou uma fraude bilionária de R$ 6,3 bilhões em descontos não autorizados no INSS entre 2019 e 2024. O escândalo levou à demissão do presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, e gerou consequências graves para o governo, que agora busca formas de ressarcir os aposentados lesados.
Maio
O agronegócio, setor mais forte da economia brasileira, sofreu neste mês, com a confirmação do primeiro foco de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. A China, principal destino do frango brasileiro, suspendeu as compras por 60 dias, e o governo estimou perdas mensais de até US$ 200 milhões em exportações. Ao todo, 24 destinos impuseram embargos totais ou parciais ao Brasil.
No fim do mês, a Justiça dos EUA aprovou o plano da Gol para sair do processo de Chapter 11 (recuperação judicial), sinalizando um fortalecimento das empresas aéreas brasileiras.
Em 22 de maio, o governo Lula editou um decreto aumentando as alíquotas do IOF para tentar cumprir as metas do arcabouço fiscal.
Junho
O semestre terminou com um forte impasse político-econômico. Nos dias 25 e 26 de junho, o Congresso Nacional derrubou o decreto do IOF, impondo derrota ao governo que resultou em uma perda de arrecadação estimada em R$ 12 bilhões.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, criticou duramente a manutenção da taxa Selic em 15%, afirmando que o patamar prejudica o financiamento do setor rural. Por outro lado, o agronegócio teve uma vitória: em 26 de junho, a OMSA ratificou o Brasil como livre da gripe aviária, permitindo que 17 países, como Japão e Iraque, retomassem as importações.
Julho
O mês começou sob tensão com um ataque hacker contra a C&M Software, que resultou no desvio de pelo menos R$ 800 milhões de contas reservas no Banco Central. O suspeito, um funcionário terceirizado, foi preso dias depois.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), validou o decreto do presidente Lula que aumentava as alíquotas do IOF, após o governo e o Congresso não chegarem a um acordo.
Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, justificando a medida com ataques políticos ao STF e ao governo Lula. No entanto, ao oficializar o decreto no dia 30, Trump incluiu 694 exceções — como aviões da Embraer, suco de laranja e celulose —, o que consolidou nas redes sociais e em Wall Street o termo "TACO" (Trump Always Chickens Out), sugerindo que o presidente "amarela" ou recua em suas ameaças mais radicais.
Agosto
A Avenida Faria Lima, coração financeiro do País, foi o epicentro da Operação Carbono Oculto, a maior da história contra a lavagem de dinheiro do crime organizado. A força-tarefa bloqueou mais de R$ 3,2 bilhões em bens de grupos que infiltraram o PCC na cadeia de combustíveis.
No Banco Central, Gabriel Galípolo reafirmou que a Taxa Selic permaneceria em 15% por período prolongado devido à inflação fora da meta.
Setembro
O foco voltou-se para a seguridade social com a Operação Cambota, que prendeu o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Ele é acusado de operar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias que movimentou dezenas de milhões de reais em propinas e desvios.
Outubro
O setor corporativo foi sacudido pelo pedido de recuperação judicial do Grupo Ambipar, motivado por irregularidades financeiras e renúncia de diretores.
No cenário global, os EUA anunciaram um financiamento de US$ 20 bilhões para a Argentina para conter a crise de liquidez de Javier Milei.
O mês terminou com um alívio diplomático. Após Trump anunciar tarifas de 100% contra a China e Pequim prometer "lutar até o fim", os líderes Trump e Xi Jinping reuniram-se em Busan. O acordo reduziu tarifas chinesas de 57% para 47% em troca da retomada da compra de soja americana e combate ao fentanil. No Brasil, a bolsa renovou recordes após o encontro presencial entre Lula e Trump na Malásia, onde iniciaram negociações para revisar as tarifas contra o País.
Novembro
O mês foi marcado pelo encerramento da trajetória da Oi, que teve sua falência decretada pela Justiça do Rio após quase dez anos de recuperação judicial.
No setor financeiro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master após a descoberta de uma fraude de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes, culminando na prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro, durante a Operação Compliance Zero.
Enquanto isso, no cenário global, investidores da Tesla aprovaram um bônus histórico de aproximadamente US$ 1 trilhão para Elon Musk, aproximando-o do título de primeiro trilionário do mundo.
No Brasil, o presidente Lula sancionou a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma medida que deve beneficiar cerca de 15 milhões de contribuintes a partir de 2026.
Já o agronegócio nacional recebeu um alívio estratégico com a decisão de Donald Trump de suspender a sobretaxa de 40% sobre o café e as carnes, em uma medida retroativa que sinalizou o avanço das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Dezembro
O ano encerrou com o mercado de ações em euforia, com o Ibovespa superando os 164 mil pontos, impulsionado pelo crescimento de 0,1% no PIB do terceiro trimestre, o que aumentou as apostas em cortes de juros para 2026. No entanto, apesar do otimismo da B3, o Brasil terminou 2025 saindo do grupo das 10 maiores economias do mundo no ranking global.
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