Copom pode começar a reduzir a SelicMarcello Casal Jr/Agência Brasil
Publicado 05/03/2026 14:45 | Atualizado 05/03/2026 14:47
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta quinta-feira, 5, que, apesar das mudanças recentes no cenário, mantém uma boa convicção nesse instante de que será possível começar a reduzir a Selic na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, que ocorrerá em duas semanas.
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Ele frisou não estar "antecipando o Copom" e, ao ser questionado sobre o ritmo que será adotado, de 0,25 ponto percentual ou de 0,50 ponto, disse que o ciclo atual é bastante particular e requer que "tudo seja feito sob medida".

Nilton David participou de evento do Goldman Sachs, em São Paulo Momentos antes, foi questionado se o Copom ainda estaria confortável com um corte de 0,50 ponto nesta reunião. Sem citar a magnitude citada na questão, Nilton repetiu que o BC "não fica confortável" - a mesma máxima foi dita em outras falas durante o mesmo evento - e emendou que isso deveria ser lido com algo bom.

"É uma construção. A sinalização foi dada para a próxima reunião, não é um forward guidance de quero abaixar ao longo da curva em hipótese alguma. O nosso nível de convicção foi suficiente para a próxima reunião naquele instante", afirmou o diretor.

Efeitos das tensões do Oriente Médio

Questionado sobre os efeitos do aumento das tensões no Oriente Médio, Nilton ponderou que o evento causa uma "alteração" nas condições, em relação ao que havia em janeiro, que não pode ser ignorada. "Você tem que estar em outro planeta para ignorar uma coisa dessas. Óbvio que está entrando nas equações."

Ainda sobre o conflito, Nilton afirmou não ser possível saber se o Copom teria tomado uma decisão diferente se o ataque realizado pelos Estados Unidos e Israel ao Irã tivesse ocorrido antes.

Em referência a um momento anterior da palestra, no qual afirmou que questões geopolíticas são inerentes a história da humanidade, Nilton esclareceu que não gostaria de ser mal interpretado pelos participantes e enfatizou que a guerra é relevante para o cenário e não pode ser ignorada. Na sequência, voltou a enfatizar que há uma incerteza sobre como o conflito pode afetar o horizonte relevante de 18 meses.
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