Impacto do reajuste é 'mitigado' por medidas do Governo Federal que zeraram alíquotas de PIS/Cofins, alega a companhiaÉrica Martin/Agência O Dia
Publicado 13/03/2026 12:43 | Atualizado 13/03/2026 15:53
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) um reajuste de 11,6% no preço do diesel, que passará a custar R$ 3,65 por litro a partir do sábado (14) nas refinarias da estatal, um acréscimo de R$ 0,38 por litro. O aumento, após 312 dias de preço congelado, é uma resposta à alta do preço do petróleo e seus derivados no mercado internacional. A empresa não alterou o preço da gasolina

A decisão foi tomada nesta sexta-feira após reunião da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, do diretor Financeiro, Fernando Melgarejo, e do diretor de Comercialização e Logística, Claudio Schlosser, como determina a governança da companhia.

"Mesmo após essa atualização, no acumulado desde dezembro de 2022, os preços de diesel A vendidos às distribuidoras registram redução acumulada de R$ 0,84 por litro, o equivalente a uma queda de 29,6%, considerada a inflação do período", disse a companhia em nota. "Ressalta-se que o impacto do reajuste anunciado para o consumidor final é mitigado, uma vez que o Governo Federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a comercialização de diesel", acrescentou a empresa.

A Petrobras estava segurando o aumento para evitar passar para o mercado interno a grande volatilidade que está sendo observada no mercado internacional por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã, com o petróleo operando em torno dos US$ 100 o barril. Na quinta-feira (12), porém, o governo anunciou medidas que amenizam o repasse de parte da defasagem de preços da estatal.

A defasagem do diesel nas refinarias da Petrobras atingiu recorde de 85% esta semana, e, no fechamento da quinta-feira, estava em 72%, dando espaço para um aumento de R$ 2,34 por litro, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Já o preço da gasolina registrou defasagem de 43% e poderia ser elevado em R$ 1,10 por litro, nas contas da entidade.
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Efeito combinado
A Petrobras afirmou que, para a estatal, o efeito combinado do ajuste de preços para as distribuidoras anunciado e o potencial benefício do programa de subvenção à comercialização do óleo, é equivalente a R$ 0,70 por litro. Seus efeitos para o consumidor são mitigados pelas medidas anunciadas na quinta-feira, 12, pelo governo, completa.

A subvenção prevê o pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias. "Diante do caráter facultativo do programa e do potencial benefício adicional, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia", diz, em nota, a companhia.

A efetiva assinatura do termo de adesão ficará condicionada à publicação e análise dos instrumentos regulatórios pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) relacionados ao preço de referência, necessários para a operacionalização da subvenção econômica.
Impacto no preço final
Magda Chambriard afirmou que a estratégia de preços da estatal funciona no cenário de volatilidade do petróleo. Ao explicar o reajuste do preço do diesel em R$ 0,38 por litro, a executiva disse que o aumento para a sociedade será de R$ 0,06 por litro.

"O reajuste está em consonância com nossa estratégia de preços. A adesão à MP (medida provisória do governo para tentar conter a alta dos preços) gera um valor recebido para a Petrobras de R$ 0,70. O governo desonera com a MP R$ 0,32", detalhou. A estatal não ajustou o preço da gasolina.

Decisão

A presidente da Petrobras enfatizou que não houve interferência do governo na decisão de reajustar o preço do diesel. "Por óbvio, houve conversa com o governo, ou não haveria adesão à medida provisória. Mas não houve interferência", disse durante entrevista à imprensa sobre o aumento no preço do combustível em 11,6% que começa a valer neste sábado, 14.

A executiva ressaltou que não acredita em grande impacto com o ajuste "se os postos não inflamarem suas margens". "Esperamos que, neste momento difícil, não haja aumento de margem de forma especulativa."

Na avaliação da Petrobras, a decisão do governo de atenuar preços demonstra a sua presteza em agir em um cenário de guerra. "Essa medida [MP] não é endereçada à Petrobras, mas a todos os agentes econômicos do diesel", pontuou.
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