Ministro Fernandio HaddadFábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Publicado 13/03/2026 22:18
Brasília - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a dizer nesta sexta-feira, 13, que uma das coisas que gostaria de ter deixado entre os legados de sua gestão era um projeto de desenvolvimento de longo prazo, pensando 4, 5 ou 10 anos à frente.

O ministro, que deixará a Fazenda na próxima semana, reiterou essa queixa em entrevista ao portal de notícias independente Opera Mundi. De acordo com Haddad, o projeto até chegou a ser feito, mas não foi para frente por ter se tornado um projeto de pastas, em que se travou uma disputa para ver qual ministério o encabeçada.

"Seria um projeto de desenvolvimento do País, com vistas a 4, 10 anos à frente, mas virou uma disputa de ministérios", disse.
Publicidade
Juros
Haddad criticou o aumento da taxa de juros real desde meados de 2024. Ele foi questionado sobre por que a percepção da população em relação à economia está ruim, mesmo com indicadores econômicos performando bem.

"O Brasil desde a metade do ano de 2024 está aumentando a taxa de juro real. Nós estamos falando de dois anos, quase, de aumento da taxa de juro. É literalmente impossível que isso não tenha produzido efeitos também no bem-estar, sobretudo porque a gente sabe do nível de endividamento das famílias. Então, eu exploraria essa possibilidade", argumentou o ministro.

Em seguida, indagado sobre o fato de todos os atuais diretores do Banco Central terem sido indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Haddad disse que há um problema estrutural. "Existe essa coisa de mandato que não existia, de autonomia que não existia, mas assim, existe uma coisa estrutural no Brasil. Então, eu não quero fulanizar esse debate porque eu acho que não vai contribuir", respondeu.

"Nós estamos falando da menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil", continuou. Ele afirmou que há setores que vocalizam suas opiniões, sem especificar quais, que entendem que errar para mais é melhor do que errar para menos. "Tem uma ideia de que nós temos que sempre estar comprando credibilidade"

Leia mais