Publicado 26/03/2026 21:31
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou ontem que o "conservadorismo" da política monetária adotada pela instituição dá vantagem para acompanhar o impacto na economia brasileira do conflito no Oriente Médio.
Publicidade"O conservadorismo que o Banco Central brasileiro adotou ao longo do ano de 2025 reservou para a gente uma posição melhor do que se não tivesse sido conservador", disse Galípolo durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do 1.º trimestre de 2026.
Para ele, a conduta permite à autoridade monetária uma "gordura" para analisar os desdobramentos do conflito. "Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias", disse ele, que reforçou uma condução cautelosa da política monetária.
Galípolo ponderou que, embora o Brasil seja exportador de petróleo, ainda é dependente da importação de uma série de ativos, por isso destacou ser importante acompanhar como esses preços irão se comportar a partir de agora. Para ele, a maior questão do conflito no Oriente Médio é o tempo para entendê-lo. "Esse tempo é diferente para cada um dos agentes", disse.
Galípolo observou que diversos governos de todo o mundo tiveram uma reação rápida ao choque de petróleo para conter seus impactos sobre os preços, alguns por meio de redução de impostos e outros com o uso de reservas emergenciais, por exemplo.
O banqueiro central também ponderou que avança a percepção de que o choque de oferta atual não afeta somente a questão logística, relacionada ao fechamento do Estreito de Ormuz, mas também a capacidade produtiva, que pode ser destruída e demora um tempo maior para ser recuperada. Uma outra dimensão de impacto, mencionou, é que os efeitos também devem afetar outros produtos e mercados.
PIB. O presidente do BC afirmou ainda que o impacto do aumento atual do petróleo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro precisa ser analisado. "O crescimento (da demanda por petróleo) precisa ser estudado com mais atenção, porque, historicamente, a gente estabelece essa correlação positiva entre o preço de petróleo e o crescimento da economia brasileira. No passado, quando o petróleo estava subindo, a gente tinha um ciclo de demanda global pressionando esse preço. Não é isso (que ocorre agora). O petróleo está subindo por outras razões."
Ele ponderou que a percepção dos bancos centrais é de que, em uma situação de choque de oferta, a tendência é ter mais inflação e menos crescimento.
Inflação
No RPM divulgado ontem, o Banco Central projeta que a inflação ficará fora do centro da meta (3%) pelos próximos dois anos. O IPCA acumulado em 12 meses deve atingir um pico de 3,9% no fim deste ano e cair a 3,1% - 0,1 ponto porcentual acima do alvo - no terceiro trimestre de 2028, a última projeção disponível.
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