Publicado 31/03/2026 15:37
O mercado de mentoria empresarial no Brasil passa por expansão, impulsionado pelo avanço da economia digital e pelo aumento do número de empreendedores. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o setor ainda enfrenta problemas estruturais, como falta de padronização, ausência de certificação institucional e forte dependência da imagem individual dos mentores.
PublicidadeNesse cenário, o empresário Janguiê Diniz lançou a Mentor Capital Group (MCG), uma holding que pretende estruturar e organizar esse mercado por meio de regras internas, critérios de desempenho e modelo de governança corporativa.
Segundo o idealizador, o crescimento recente da mentoria não foi acompanhado por mecanismos formais de controle e . “A mentoria empresarial cresceu muito nos últimos anos, mas esse crescimento ainda não foi acompanhado pela mesma evolução em estrutura, governança e critérios objetivos de qualidade. Existe uma lacuna institucional clara nesse mercado”, afirma.
A empresa foi constituída como sociedade anônima de capital fechado e já nasce com auditoria formal, estrutura de governança e planejamento de abertura de capital no futuro. A proposta é criar um ecossistema que conecte mentores, empresários, investidores e conselheiros, com critérios definidos para participação.
Entre as iniciativas anunciadas está um sistema interno de certificação, que classifica os participantes conforme indicadores de desempenho, como faturamento, margem operacional, crescimento e satisfação de clientes. A estrutura prevê níveis hierárquicos e limites de participação em cada categoria, com exigências mais rigorosas conforme o avanço.
De acordo com a empresa, a certificação busca reduzir a assimetria de informações no setor, onde a escolha de mentores muitas vezes ocorre com base em reputação ou posicionamento de mercado. “Hoje, o mercado de mentoria ainda opera com muita assimetria de informação. Em muitos casos, a escolha de um mentor é feita por percepção e posicionamento, não por critérios objetivos de estrutura, governança e entrega real”, diz Diniz.
Outro eixo do modelo é uma metodologia própria de avaliação e desenvolvimento de empresas de mentoria, baseada em quatro dimensões de crescimento. A proposta é tornar esses negócios menos dependentes da figura do fundador e mais estruturados do ponto de vista operacional e financeiro.
Para sustentar a operação, a holding adotará um modelo de cobrança de royalties mensais, com percentuais variáveis conforme o nível de certificação dos participantes. A lógica prevê taxas menores para empresas consideradas mais estruturadas.
A governança da MCG inclui assembleia de acionistas, conselhos estratégico e consultivo, diretoria executiva e comitês técnicos voltados a áreas como ética, certificação e finanças. A empresa afirma que o objetivo é garantir transparência e padronização nas decisões.
O lançamento ocorre em um momento em que o mercado de mentoria empresarial cresce no país, mas ainda carece de regulamentação formal. Para o fundador, a tendência é que o setor passe por um processo de profissionalização nos próximos anos. “Todo mercado que cresce sem estrutura chega a um ponto de inflexão. Ou se organiza, ou começa a perder credibilidade”, afirma.
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