Alckmin disse que a taxa das blusinhas também deve ser analisada pelo viés da geração de empregoReprodução / Youtube
Publicado 16/04/2026 18:51 | Atualizado 16/04/2026 18:55
Brasília - O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu nesta quinta-feira, 16, a cobrança de imposto de 20% sobre compras internacionais e até US$ 50 (que ficou conhecida como "taxa das blusinhas"). Disse que entendia, no momento da aprovação da medida, e continua entendendo como "necessário".

Alckmin também negou que haja qualquer discussão no governo no momento sobre uma eventual derrubada da taxa das blusinhas. A posição contrasta com outras alas do governo, que trabalham contra a medida às vésperas das eleições.

"Isso (taxa das blusinhas) foi aprovado pelo Congresso Nacional, lá atrás. Não há nenhuma decisão neste momento sobre esse tema. Não há nenhuma decisão nesse momento. Eu, lá atrás, e continuo a entender o que é necessário é porque, mesmo com a taxa, ainda a tarifa é menor do que a produção nacional", disse o presidente em exercício em entrevista coletiva na tarde desta quinta.

"Se você for somar aí 20% do imposto mais o ICMS dos estados, vai dar menos de 40%. O produtor nacional paga quase 50% (de imposto). Então, mesmo assim, ainda a tarifa está menor do que a produção nacional", completou.

Alckmin ainda defendeu a taxa das blusinhas a partir da perspectiva de geração de emprego em solo brasileiro. "Acho que é importante destacar a questão do emprego", disse, brevemente, evitando outros comentários sobre o tema.

A posição defendida por Alckmin contrasta diretamente com a defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista aos portais Brasil 247, Revista Fórum e DCM, Lula afirmou que "achava desnecessária a taxa das blusinhas" e que sabia do "prejuízo" que a medida trouxe ao governo.

Nesta quinta, em sua primeira entrevista coletiva como ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães seguiu o posicionamento do chefe e também defendeu a derrubada da medida.

"Se o governo decidir revogar a taxa das blusinhas, acho uma boa", afirmou a título pessoal, sem afirmar se defendia internamente no governo essa posição.
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Combustíveis
Alckmin afirmou que o governo brasileiro tem o dever de minimizar os efeitos da guerra no Oriente Médio envolvendo Irã, EUA e Israel.

"Nós estamos num momento excepcional, excepcional. Que queremos, não temos o condão de acabar com a guerra, mas temos o dever de minimizar os seus efeitos, que o mundo inteiro está sofrendo, o mundo todo", iniciou Alckmin. "O presidente Lula tomou um conjunto de medidas procurando reduzir o impacto no caso do diesel, medidas de subvenção, de retirada de impostos. Os estados têm até o dia 22 para aderir a redução também do ICMS", lembrou.

Ele ainda frisou que a proposta não é de adesão obrigatória. "Porque da outra vez quando isso foi feito, os Estados foram à justiça e o governo teve que pagar uma indenização de R$ 27 bilhões aos estados. Então, agora não é obrigatório, mas nós estamos confiantes que até o dia 22 a gente possa ter unanimidade. Esse é o trabalho, buscar unanimidade junto aos estados."

Sobre possível subvenção à gasolina, Alckmin disse que, neste momento, ela não está sendo avaliada, "até porque a Petrobras não aumentou a gasolina, ela não teve nenhum reajuste. O que teve reajuste foi no diesel". De manhã, o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, disse que o governo estuda uma série de medidas envolvendo combustíveis, dentre elas, uma para reduzir o preço da gasolina. Segundo Guimarães, o pacote anunciado até aqui, de subvenções sobre o óleo diesel, "não basta, porque tem agora a gasolina".

Alckmin, que está como presidente em exercício em virtude de viagem internacional do presidente Lula, concedeu uma coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira, 16, para comentar a portaria sobre os critérios de acesso ao Plano Brasil Soberano.
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