Valor de fechamento da divisa nesta quarta-feira (22) atinge o menor patamar em pouco mais de dois anosFoto:Reprodução/Internet
Publicado 22/04/2026 18:34
Após operar em leve baixa ao longo da tarde, o dólar à vista ganhou fôlego na reta final do pregão e encerrou a sessão desta quarta-feira (22) estável, cotado a R$ 4,97. Operadores pontuam que o avanço do petróleo deu suporte ao real em dia de sinal predominante de alta da moeda americana no exterior e de queda aguda do Ibovespa.

A escalada da commodity contrabalança o aumento da percepção ao risco lá fora ao favorecer os termos de troca do país. A perspectiva de juros ainda elevados mantém a atratividade de investimentos e torna custosas as apostas contra a moeda brasileira.

Geopolítica e energia
Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicanos), ter anunciado extensão do prazo de cessar-fogo com o Irã, o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz segue comprometido. Trump reiterou o bloqueio a navios e portos iranianos. Já Teerã reportou a apreensão de duas embarcações na região.

À tarde, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump ainda não determinou o prazo para um cessar-fogo, desmentindo informações de bastidores. O governo americano aguarda uma resposta de lideranças iranianas. Mais cedo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que ameaças representam obstáculos à negociação.

Desempenho do real
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O diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, ressalta que o real tem se comportado bem diante das incertezas no Oriente Médio. "Desde o início do conflito, é a moeda que mais se valorizou. Há ainda espaço para se apreciar mais", afirma Weigt. O Brasil aparece bem posicionado por ser exportador líquido de petróleo e ter matriz energética diversificada.

A moeda americana já apresenta desvalorização de quase 4% em abril e está no menor nível de fechamento em pouco mais de dois anos. Em 2026, o dólar recua 9,38% em relação ao real, que exibe o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas do mundo.

Olhar do investidor estrangeiro
Economistas presentes nos encontros do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, relatam que investidores permanecem otimistas com mercados emergentes. O Bradesco afirma em relatório que o Brasil aparece em destaque como alternativa de investimento.

Segundo a equipe da XP Investimentos, investidores estrangeiros veem o país como um "vencedor relativo" em um ambiente geopolítico volátil. A condição de exportador de petróleo ajuda a sustentar o saldo comercial e fortalecer a moeda, o que auxilia o Banco Central no controle da inflação.
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