Publicado 05/05/2026 09:49
O Comitê de Política Monetária (Copom) reafirmou nesta terça-feira (5) que os passos futuros do processo de calibração da taxa Selic podem incorporar novas informações sobre os impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre a inflação. Também reforçou serenidade e cautela na condução da política monetária
"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", disse.
A mensagem consta na ata da reunião de abril do Copom, publicada nesta manhã. No encontro, encerrado na última quarta-feira, 29, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50%.
Foi a segunda redução seguida da taxa básica de juros. Na reunião anterior, em março, o Copom havia dado início ao ciclo de "calibração" ao levar os juros de 15% para 14,75% - o primeiro corte em quase dois anos.
Na ata publicada nesta terça, o colegiado repetiu que a decisão de cortar a Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para ao redor da meta ao longo do horizonte relevante. "Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", emendou.
O Copom repetiu as projeções para a inflação já apresentadas no comunicado. O colegiado prevê alta de 4,6% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2027, atual horizonte relevante da política monetária, espera alta de 3,5% para o IPCA, acima do centro da meta, de 3,0%.
Para os preços livres, projeta altas de 4,5% em 2026 e 3,5% em 2027. Para os administrados, altas de 4,8% e 3,6%, respectivamente.
Todas as projeções partem do cenário de referência, com trajetória de juros do Relatório Focus (publicado em 27 de abril) e bandeira amarela de energia elétrica em dezembro de 2026 e 2027. A taxa de câmbio começa em R$ 5,00 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.
Publicidade"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", disse.
A mensagem consta na ata da reunião de abril do Copom, publicada nesta manhã. No encontro, encerrado na última quarta-feira, 29, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50%.
Foi a segunda redução seguida da taxa básica de juros. Na reunião anterior, em março, o Copom havia dado início ao ciclo de "calibração" ao levar os juros de 15% para 14,75% - o primeiro corte em quase dois anos.
Na ata publicada nesta terça, o colegiado repetiu que a decisão de cortar a Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para ao redor da meta ao longo do horizonte relevante. "Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", emendou.
O Copom repetiu as projeções para a inflação já apresentadas no comunicado. O colegiado prevê alta de 4,6% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2027, atual horizonte relevante da política monetária, espera alta de 3,5% para o IPCA, acima do centro da meta, de 3,0%.
Para os preços livres, projeta altas de 4,5% em 2026 e 3,5% em 2027. Para os administrados, altas de 4,8% e 3,6%, respectivamente.
Todas as projeções partem do cenário de referência, com trajetória de juros do Relatório Focus (publicado em 27 de abril) e bandeira amarela de energia elétrica em dezembro de 2026 e 2027. A taxa de câmbio começa em R$ 5,00 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.
Alterações mais amplas no balanço de riscos
Assim como na reunião de março, o Copom mais uma vez debateu alterações mais amplas no balanço de riscos para a inflação no encontro de abril.
No 13º parágrafo, o comitê detalha que, por um lado, considerou que a demora na resolução do conflito no Oriente Médio, com informações incompletas e contraditórias, aumenta a probabilidade de impactos mais duradouros para as cadeias de produção e distribuição.
Por outro, diz, foi debatido que a duração do conflito até esse momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028.
"Nesse contexto, o Comitê reafirma seu compromisso no combate dos efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo e seus derivados, e serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em cenário de incerteza elevada", conclui.
No 13º parágrafo, o comitê detalha que, por um lado, considerou que a demora na resolução do conflito no Oriente Médio, com informações incompletas e contraditórias, aumenta a probabilidade de impactos mais duradouros para as cadeias de produção e distribuição.
Por outro, diz, foi debatido que a duração do conflito até esse momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028.
"Nesse contexto, o Comitê reafirma seu compromisso no combate dos efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo e seus derivados, e serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em cenário de incerteza elevada", conclui.
Calibração
O Copom afirmou, na ata de sua mais recente reunião, que julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da Selic, na medida em que o período prolongado de manutenção dos juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica.
Isso, segundo o colegiado, criou condições para que sejam possíveis ajustes no ritmo e na extensão da calibração dos juros, à luz de novas informações, de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.
O documento foi divulgado nesta terça-feira, 5. Na última quarta-feira, 29, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 14,50% ao ano.
"Após considerar que os eventos recentes não impediriam o prosseguimento desse ciclo, o Comitê concluiu que, para a decisão dessa reunião, a redução de 0,25p.p. na taxa básica de juros é a mais adequada", disse o colegiado.
Segundo o Copom, ficou estabelecido que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinados ao longo do tempo, à medida que novas informações sejam incorporadas às suas análises O colegiado reforçou o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária.
"Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras", reiterou.
Isso, segundo o colegiado, criou condições para que sejam possíveis ajustes no ritmo e na extensão da calibração dos juros, à luz de novas informações, de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.
O documento foi divulgado nesta terça-feira, 5. Na última quarta-feira, 29, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 14,50% ao ano.
"Após considerar que os eventos recentes não impediriam o prosseguimento desse ciclo, o Comitê concluiu que, para a decisão dessa reunião, a redução de 0,25p.p. na taxa básica de juros é a mais adequada", disse o colegiado.
Segundo o Copom, ficou estabelecido que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinados ao longo do tempo, à medida que novas informações sejam incorporadas às suas análises O colegiado reforçou o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária.
"Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras", reiterou.
Mercado de Trabalho
O Comitê afirmou que segue acompanhando detidamente o mercado de trabalho. "A taxa de desemprego tem, recorrentemente, se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho", disse, no 7º parágrafo da ata.
O colegiado afirmou que segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, "enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia".
O colegiado afirmou que segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, "enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia".
Atividade doméstica
O Comitê também afirmou que a atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação no crescimento, tal como antecipado pelo colegiado. O Copom observou que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta.
Na sequência, afirmou que "os efeitos da política monetária restritiva por período prolongado sobre a demanda agregada, que já se faziam presentes na desaceleração dos componentes cíclicos do PIB no final de 2025, ainda se fazem sentir no início de 2026 por meio da desaceleração do saldo de crédito, em particular de créditos livres".
Ainda sobre a atividade econômica, pontuou no 6º parágrafo que a moderação e a própria heterogeneidade das trajetórias de crescimento entre diferentes setores e mercados são compatíveis com a política monetária em curso.
"Mercados mais sensíveis às condições financeiras apresentam maior desaceleração, ao passo que mercados mais sensíveis à renda apresentam maior resiliência. Naturalmente, em momentos de inflexão no ciclo econômico, observam-se sinais mistos advindos de indicadores econômicos", emendou.
O colegiado também analisou que, para o primeiro trimestre de 2026, os indicadores preliminares continuam apontando na direção de uma retomada da atividade econômica em relação ao final de 2025. Este movimento, afirmou, é consistente com projeções e expectativas de uma variação positiva do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, ainda que menor que em 2025.
Na sequência, afirmou que "os efeitos da política monetária restritiva por período prolongado sobre a demanda agregada, que já se faziam presentes na desaceleração dos componentes cíclicos do PIB no final de 2025, ainda se fazem sentir no início de 2026 por meio da desaceleração do saldo de crédito, em particular de créditos livres".
Ainda sobre a atividade econômica, pontuou no 6º parágrafo que a moderação e a própria heterogeneidade das trajetórias de crescimento entre diferentes setores e mercados são compatíveis com a política monetária em curso.
"Mercados mais sensíveis às condições financeiras apresentam maior desaceleração, ao passo que mercados mais sensíveis à renda apresentam maior resiliência. Naturalmente, em momentos de inflexão no ciclo econômico, observam-se sinais mistos advindos de indicadores econômicos", emendou.
O colegiado também analisou que, para o primeiro trimestre de 2026, os indicadores preliminares continuam apontando na direção de uma retomada da atividade econômica em relação ao final de 2025. Este movimento, afirmou, é consistente com projeções e expectativas de uma variação positiva do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, ainda que menor que em 2025.
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