Com máxima de R$ 4,91, o dólar encerrou a R$ 4,89Valter Campanato/Agência Brasil
Publicado 12/05/2026 18:27
O dólar perdeu fôlego nas últimas duas horas de negociação no mercado local e encerrou a sessão desta terça-feira (12), próximo à estabilidade, na casa de R$ 4,89. Em dinâmica similar à observada na segunda-feira, o real conseguiu, em grande parte, se descolar da onda de fortalecimento da moeda norte-americana no exterior provocada pelo aumento das tensões geopolíticas. O impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã fez os preços do petróleo saltarem mais de 3%, com o barril do Brent alcançando US$ 107 o barril.
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A avaliação de analistas ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) é a de que a melhora dos termos de troca, com a escalada do petróleo, e a taxa de juros doméstica elevada mitigam os impactos da piora da aversão ao risco sobre a moeda brasileira. A leitura do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, embora em linha com as expectativas, reforçou a percepção de que o Banco Central será cauteloso no atual ciclo de calibração da política monetária.
Com máxima de R$ 4,9158, registrada no início da tarde, o dólar encerrou o dia a R$ 4,8954 (+0,08%). Foi o terceiro pregão consecutivo de fechamento abaixo da linha de R$ 4,90. O real apresentou nesta terça o segundo melhor desempenho entre as principais divisas globais, atrás apenas do peso chileno. A moeda americana já acumula baixa de 1,16% nas sete primeiras sessões de maio, após desvalorização de 4,36% em abril. No ano, as perdas são de 10,81%.
O head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, ressalta que, mesmo nos picos de estresse no exterior, o dólar apresenta fôlego muito limitado no mercado local. Esse padrão ficou patente no pregão desta terça, com a moeda sem forças para se sustentar acima de R$ 4,90. O real segue protegido pela perspectiva de manutenção de um 'carry' elevado nos próximos meses, diante da expectativa de que não haja espaço para uma taxa Selic abaixo de 13%, observa.
"Com a proximidade das eleições e nossos problemas fiscais, o dólar deveria estar acima de R$ 5,00. Mas a alta do petróleo favorece a balança comercial e, ao mesmo tempo, pressiona a inflação, impedindo o BC de cortar mais os juros. O IPCA de abril veio em linha com o esperado, mas esse 'em linha' já é ruim, porque é um nível muito elevado", afirma Chiumento, que vê chance de o dólar continuar caindo e se aproximar de R$ 4,80 no curto prazo.
O IPCA desacelerou de 0,88% em março para 0,67% em abril, variação idêntica à mediana da pesquisa Projeções Broadcast. No acumulado em 12 meses, o índice acelerou de 4,14% para 4,39% - resultado também de acordo com a mediana. Casas relevantes, como Itaú e Bradesco, apontaram piora qualitativa, com pressão altista em preços subjacentes.
A economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico, lembra que o Banco Central já ressaltou diversas vezes que está conduzindo apenas um "mero processo de calibração" da política monetária, que vai seguir em terreno restritivo. O Brasil, destaca a economista, continua a oferecer uma das maiores taxas de juros do mundo, tanto em termos reais quanto nominais.
"Em outras palavras, não haverá convergência para a taxa neutra no curto prazo, garantindo um diferencial de juros sustentado", afirma Damico, acrescentando que fatores como a melhora dos termos de troca, a matriz energética diversificada e a distância geográfica dos conflitos geopolíticos também tornam o real mais atraente.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em alta firme e rondava os 98,300 pontos no fim da tarde, após máxima aos 98,460 pontos. As taxas dos Treasuries avançaram em bloco, embora de forma modesta. O retorno do papel de 2 anos superou 4% na máxima do dia.
Divulgado pela manhã, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,6% em abril ante março e 3,8% na comparação anual, praticamente em linha com as expectativas. Já o núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,4% no mês e 2,8% na comparação anual. A avaliação predominante de analistas é a de que os números reforçam a perspectiva de postura cautelosa por parte do Federal Reserve, o banco central norte-americano.
À tarde, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que o CPI reforçou as preocupações com a pressão inflacionária. Em fala que sugere ausência de espaço para cortes de juros, Goolsbee disse que não há, no momento, desequilíbrio no duplo mandato do BC norte-americano, uma vez que o mercado de trabalho está basicamente estável, enquanto a inflação avança.
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