Publicado 20/05/2026 18:15
O dólar exibiu queda firme nesta quarta-feira, 20, marcada por amplo apetite ao risco no exterior, mas manteve-se acima da linha de R$ 5,00 no fechamento. Notícias sobre aumento do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizando avanço nas negociações com o Irã derrubaram as cotações do petróleo. Com redução dos temores inflacionários, as taxas dos Treasuries recuaram, o que abriu espaço para a recuperação de divisas emergentes.
PublicidadeAfora uma alta pontual pela manhã, quando registrou máxima de R$ 5,0576, o dólar à vista operou em queda no restante do dia. Com mínima de R$ 4,9999, na última hora de negócios, fechou em baixa de 0,74%, a R$ 5,0034, levando as perdas na semana a 1,27%. A moeda norte-americana ainda avança 1,02% frente ao real no mês, após desvalorização de 4,36% em abril. No ano, recua 8,85%.
"Moedas emergentes se valorizam hoje com um movimento de apetite ao risco. Temos notícias de passagem de navios pelo Estreito de Ormuz e alívio na curva de juros nos Estados Unidos", afirma o gestor de portfólio Marcelo Bacelar, da Azimut Brasil Wealth Management. "Trump está em um momento difícil, com a proximidade dos "midterms" (eleições legislativas de meio de mandato nos EUA) e, apesar de às vezes falar mais grosso, vai buscar um jeito de terminar a guerra."
No início da tarde, em conversas com repórteres, Trump afirmou que os EUA estavam "nos estágios finais" de negociação com o Irã, embora tenha voltado a reiterar que poderia retomar os ataques ao território iraniano se Teerã não agisse "de forma inteligente". As cotações do petróleo caíram quase 6% com as falas de Trump e notícias sobre o fluxo de petroleiros por Ormuz O contrato do Brent para julho, referência de preços para a Petrobras, fechou em baixa de 5,62%, a US$ 105,02 o barril.
Bacelar, da Azimut, ressalta que a volta do dólar para a casa de R$ 5,00 nos últimos dias, após a taxa de câmbio ter operado abaixo de R$ 4,90 no início de maio, é resultado tanto do estresse nas curvas globais de juros quando aumento do risco político local com a desidratação da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na esteira do Flávio Day 2.0.
"As curvas de juros ganharam inclinação, com o mercado até precificando uma alta das taxas nos EUA, por conta do petróleo elevado. Mas a parte política local fez preço também, principalmente no dia da divulgação do áudio de Flávio Bolsonaro", afirma Bacelar, em referência à mensagem enviada pelo senador ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro com pedido de recursos para uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O gestor da Azimut vê um quadro menos propício a uma nova rodada de apreciação do real, com o aumento da volatilidade em período eleitoral. Ele observa também que há um retorno do fluxo para as ações de empresas de tecnologia nos EUA, depois de um período de aporte mais forte em commodities que beneficiou muito os ativos brasileiros.
"Meu viés é mais neutro para o real. Temos, na margem, um cenário um pouco pior em relação a fluxo. De outro lado, o carrego é ainda muito elevado e tem papel fundamental em dar sustentação à moeda, porque é muito caro apostar contra", afirma o gestor da Azimut.
À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total na semana passada (de 11 a 15) foi positivo em US$ 3,027 bilhões, graças à entrada líquida de US$ 3,334 bilhões pelo canal financeiro. Em maio, até o último dia 15, o saldo total é positivo em US$ 1,588 bilhão.
O economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, observa que, a despeito do fluxo cambial positivo robusto na semana passada, o real depreciou mais de 3% no período. A moeda brasileira registrou, ao lado do florim húngaro, o pior desempenho entre divisas emergentes, em razão do aumento do risco político local. "A magnitude da desvalorização semanal da moeda foi a maior desde novembro de 2022", afirma Goldenstein, em nota.
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