Publicado 28/05/2026 15:03
A demanda por trabalhadores em diferentes segmentos da economia é o principal fator por trás da resiliência do mercado de trabalho brasileiro, que mantém a taxa de desemprego em níveis baixos apesar de fatores externos, como os juros elevados. A avaliação é da coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Adriana Beringuy.
PublicidadeSegundo dados da PNAD Contínua divulgados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril, uma queda de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, quando o índice era de 6,6%.
Na comparação com o trimestre entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, no entanto, houve alta de 0,4 ponto percentual.
“Tem um mercado que gera trabalho e renda e consegue manter-se sustentado porque há uma diversificação da produção. Hoje, não é só o setor público que contrata e nem só o setor privado. Esse espalhamento e essa difusão ajudam nessa resiliência do mercado de trabalho”, explicou Adriana.
Segundo a coordenadora, o cenário seria mais vulnerável caso a demanda por trabalhadores estivesse concentrada em apenas um setor, como o comércio ou a informalidade.
“Na medida em que consegue ter vários setores demandando trabalhadores, isso dá sustentabilidade ao mercado de trabalho. Isso ajuda a amortecer determinados efeitos até do ponto de vista macroeconômico, que é a questão das taxas de juros”, afirmou.
A pesquisa mostra ainda que o rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.732, mantendo estabilidade no trimestre e crescimento de 5,3% no ano.
Já a massa de rendimento real habitual atingiu R$ 377 bilhões, estável no trimestre e com aumento de 6,5% no acumulado anual, equivalente a R$ 22,9 bilhões.
No cenário de taxas de juros maiores, a coordenadora destacou a importância da manutenção dos trabalhadores no mercado, ainda mais em um momento de elevação no rendimento conforme vem ocorrendo.
“Mesmo diante desse rendimento crescente, as pessoas precisam estar imbuídas no mercado de trabalho para dar conta do consumo. Com taxas de juros elevadas, o consumo fica mais caro”, pontuou.
Ela acrescentou que, apesar da valorização do salário mínimo e do controle inflacionário contribuírem para o aumento da renda em algumas atividades, o custo do consumo segue pressionado.
“É necessário manter um bom nível de ocupação. A manutenção do consumo torna-se cada vez mais custosa diante dessa taxa de juros”, avaliou.
A coordenadora também destacou que o mercado de trabalho brasileiro tem conseguido reagir a efeitos adversos da economia sem perder sustentabilidade.
“É de fato um momento bastante interessante que estamos vivendo. Apesar dessas variáveis macroeconômicas nem tão favoráveis, ainda assim o mercado se mantém, tanto do ponto de vista quantitativo, com uma população ocupada significativa, quanto nos ganhos de rendimento do trabalhador”, observou.
Segundo Adriana, os efeitos da guerra no Oriente Médio ainda não são perceptíveis no mercado de trabalho brasileiro.
“A gente vê mais [o efeito da guerra] na variação de preços do combustível, mas isso se converte em efeito no mercado de trabalho e, a princípio, nesse momento, creio que ainda não seria perceptível”, comentou.
Carteira assinada
Os dados da PNAD Contínua de abril também apontam que o número de empregados no setor privado com carteira assinada, excluindo trabalhadores domésticos, chegou a 39,3 milhões.
O resultado representa estabilidade tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao mesmo período de 2025.
Já os trabalhadores sem carteira assinada no setor privado somaram 13,3 milhões, permanecendo estáveis no trimestre e no ano.
O número de empregados no setor público ficou em 12,9 milhões no trimestre, também estável no período, mas com crescimento de 3,4% no ano, o equivalente a mais 422 mil pessoas.
Os trabalhadores por conta própria somaram 26 milhões e mantiveram estabilidade no trimestre, embora tenham registrado alta de 2,3% no ano, com acréscimo de 580 mil pessoas.
O contingente de trabalhadores domésticos chegou a 5,4 milhões no trimestre, mantendo estabilidade no período. Na comparação anual, porém, houve queda de 4,7%, o equivalente a menos 268 mil pessoas.
A população fora da força de trabalho, atualmente em 66,5 milhões de pessoas, ficou estável em relação ao trimestre encerrado em janeiro de 2026. Na comparação anual, houve aumento de 1,6%, com acréscimo de 1,1 milhão de pessoas.
A população desalentada, estimada em 2,6 milhões de pessoas, manteve estabilidade no trimestre e apresentou queda de 15,3% no ano, o equivalente a menos 464 mil pessoas.
O percentual de desalentados ficou em 2,3%, estável no trimestre, e recuou 0,4 ponto percentual na comparação anual.
Pesquisa
A PNAD Contínua é a principal pesquisa sobre a força de trabalho no Brasil.
“Sua amostra abrange 211 mil domicílios espalhados por 3.500 municípios, visitados a cada trimestre. Cerca de 2 mil entrevistadores trabalham nessa pesquisa, integrados às mais de 500 agências do IBGE em todo o país”, informou Adriana Beringuy.
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