Dólar perdeu valor em comparação com o real nesta quinta (28)Valter Campanato/Agência Brasil
Publicado 28/05/2026 18:15 | Atualizado 28/05/2026 18:16
O dólar exibiu queda firme nesta quinta-feira (28), alinhado ao comportamento da moeda norte-americana no exterior, mas permaneceu acima da linha de R$ 5,03. A redução de prêmios de risco geopolítico, com sinais de avanço nas negociações entre Irã e Estados Unidos, e a leitura comportada da inflação na potência estrangeira abriram espaço para a valorização das divisas emergentes.
Publicidade
O real apresentou desempenho superior ao dos seus pares latino-americanos, recuperando parte do terreno perdido nas últimas semanas com o aumento dos ruídos políticos domésticos. A moeda brasileira pode ter se beneficiado também da conjugação de menor aversão ao risco com manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados, o que favorece os termos de troca do país.
Afora uma alta pontual na primeira meia hora de negócios, quando registrou máxima de R$ 5,0753, o dólar à vista operou em terreno negativo no restante do dia. Com mínima de R$ 5,0238, à tarde, encerrou o pregão em baixa de 0,57%, a R$ 5,0318. A divisa avança 1,60% ante o real em maio, após queda de 4,36% em abril. No ano, as perdas são de 8,33%.
O superintendente de câmbio do Banco Rendimento ressalta que a dinâmica do mercado segue atrelada à disputa diplomática internacional, que leva a episódios pontuais de variação no apetite ao risco: "Hoje tivemos uma reviravolta. Começamos o dia com notícias de ataques, mas depois veio a informação de um acordo para prorrogar o cessar-fogo, o que trouxe alívio para o mercado", afirmou o especialista.
Ele observa que o destino do real parece mais ligado, no curto prazo, ao cenário externo: "O Banco Central americano está com uma dor de cabeça com os preços de energia. Os dados de inflação hoje não trouxeram grande alívio. O mercado segue projetando mais riscos de alta de juros nos Estados Unidos. Isso deixa o dólar mais forte no exterior e impede a taxa de câmbio de voltar para a casa de R$ 4,90", avaliou o analista.
Os preços do petróleo apresentaram ligeira alta em meio ao vaivém de notícias sobre as tratativas de paz. O contrato do Brent para agosto, referência de preços para a Petrobras, fechou em alta de 0,49%, a US$ 92,70 o barril. Relatos da imprensa internacional informaram que as nações chegaram a um entendimento preliminar para um memorando de 60 dias que prevê a extensão do cessar-fogo e o início de negociações nucleares.
O índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, recuava por volta de 0,20% no fim da tarde. O indicador mais aguardado da semana, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) — métrica preferida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) — veio ligeiramente abaixo das expectativas, mas segue rodando na casa de 3% na comparação anual, acima da meta de 2%.
Analistas do setor privado internacional destacam que a medida de inflação fará pouco para dissuadir os membros do comitê de adotar uma postura rígida. Integrantes da liderança do banco central americano reforçaram publicamente que a política monetária está posicionada para lidar com as pressões inflacionárias provocadas pelo choque nos combustíveis e que a possibilidade de uma nova alta nas taxas de juros locais permanece aberta.
Leia mais