Com o fechamento do Estreito de Ormuz, barril de petróleo do tipo Brent está em torno de US$ 76,00Tania Rêgo/Agência Brasil
Publicado 12/07/2026 13:26
Após a retomada dos conflitos entre os Estados Unidos e o Irã, forças de Teerã anunciaram novamente o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita, em tempos normais, 20% do petróleo e do gás consumidos no planeta. Como consequência, o preço dos combustíveis no mundo é diretamente impactado pela redução da oferta e pelo aumento dos preços. Hoje, o barril de petróleo do tipo Brent está em torno de US$ 76,00.

Mesmo com a distância, o Brasil sofre diretamente com o conflito. O IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de junho, que registrou um acréscimo de 0,16%. Apesar do sinal positivo de desaceleração da inflação, esse cenário pode mudar drasticamente com a volta das ofensivas no Oriente Médio.

Como os combustíveis afetam a inflação?

Pela ausência de uma malha ferroviária ampla, o Brasil é um país extremamente dependente das rodovias para o transporte de produtos e matéria-prima. Com o aumento do preço dos combustíveis, o custo de operação das empresas e indústrias sobe simultaneamente.

Com a diminuição da margem de lucro dos produtores, a variação dos preços tende a afetar o consumidor. Por isso, outros produtos, como alimentos, mercadorias e serviços, também são impactados pelo conflito.

Reação do governo

Na tentativa de frear esse impacto, o governo tende a adiar cortes na Selic ou até mesmo elevá-la para reduzir a inflação. A manutenção da taxa de juros elevada ajuda a diminuir o ritmo da economia e a evitar que os preços subam por causa da demanda.

Uma das possíveis medidas, que já foi adotada, é a subvenção dos combustíveis. O diesel possui uma ajuda financeira de R$ 1,12 por litro, e a gasolina, de R$ 0,44. A decisão possibilita que o preço final dos combustíveis para o produtor ou o consumidor seja menor, além de também auxiliar na redução do preço de outros produtos. Conforme a situação mude, o governo pode estudar formas de aumentar ou diminuir a subvenção para priorizar o consumidor, mesmo que isso aumente os custos para os cofres públicos.

Outra estratégia que pode ser adotada é o aumento da presença de etanol e de biodiesel na composição da gasolina e do diesel. Atualmente, a gasolina possui 30% de etanol, e estuda-se o aumento para 32%. Já no diesel, 15% da composição do combustível é de biodiesel, e há a intenção de que essa proporção aumente.

O etanol e o biodiesel possibilitam um barateamento no custo do litro e uma maior independência do país em relação ao exterior, já que a produção nacional de ambos está entre as maiores do mundo.

Outros setores

O aumento do custo do barril de petróleo não afeta apenas a gasolina. Diversos produtos que consumimos possuem derivados do petróleo na composição ou na fabricação. Plásticos, roupas, calçados, produtos de higiene e beleza, medicamentos, itens de limpeza, fertilizantes, defensivos agrícolas, materiais de construção e eletrônicos também estão vulneráveis à mudança de preços.

Soluções para o uso do petróleo

Quase todo o setor de transporte, a indústria e a produção de bens utilizam combustíveis e derivados do petróleo. Essa dependência cria um cenário de vulnerabilidade a crises internacionais, como o conflito entre os Estados Unidos e o Irã.

O Brasil conta com uma matriz elétrica majoritariamente composta por fontes renováveis, como hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa. Essa condição coloca o país em uma posição muito favorável para uma transição energética limpa.

Ao acelerar a eletrificação dos transportes, a expansão do uso de biocombustíveis e o investimento em alternativas, como o hidrogênio verde, o impacto da elevação do preço do petróleo sobre a economia brasileira tende a diminuir. Além disso, essas medidas contribuem para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e avançar no combate às mudanças climáticas.
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* Matéria do estagiário Felipe Scofield
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