Publicado 09/08/2026 05:00
Quem costuma ir ao supermercado com frequência já sente no bolso o impacto do aumento dos preços. Diante desse cenário, muitas famílias têm adotado estratégias para economizar sem abrir mão dos itens essenciais. Especialistas consultados por O DIA dão dicas para ajudar a reduzir o valor da compra e aliviar o orçamento no fim do mês.
PublicidadeNo Rio de Janeiro, o preço da cesta básica chegou a R$ 920,94 em junho, alta de 0,71% em relação a maio. Com isso, a capital fluminense registrou a terceira cesta básica mais cara do país. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Entre os itens pesquisados na Cidade Maravilhosa, nove tiveram alta nos preços em junho, entre eles: a farinha de trigo (5,13%), o tomate (4,60%), o feijão-preto (3,78%), a manteiga (1,57%), o arroz agulhinha (1,28%), a carne bovina de primeira (1,06%), o pão francês (0,67%), a banana (0,37%) e o leite integral (0,27%).
Por outro lado, os alimentos com maior queda nos preços em junho foram: o açúcar refinado (-7,16%), a batata (-5,07%), o café em pó (-4,78%) e o óleo de soja (-1,05%).
O economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (ibmec) Gilberto Braga afirma que a estimativa varia, mas que os gastos com supermercado podem comprometer até 25% do orçamento das famílias.

"Obviamente, varia de acordo com o perfil e renda de cada família, mas se estima que cheguem a até 25% nos lares com renda de até cinco salários mínimos", diz.
"Os brasileiros têm sentido um peso maior das compras de supermercado no orçamento devido à inflação elevada, prolongada por um tempo longo, acima da meta do Governo", frisa. "Sempre que isso ocorre, os preços sobem mais rápido e pesam mais do que a capacidade do trabalhador comum de recompor o seu poder de compra através de aumentos ou dissídios salariais."
Com o encarecimento dos produtos, o contador e diretor-presidente da Meta Assessoria, Vanderlei Goulart, destaca que o consumidor tem alterado a forma de comprar.
"Hoje o consumidor chega ao supermercado muito mais informado do que há alguns anos. Antes, a decisão de compra acontecia majoritariamente dentro da loja. Agora ela começa no celular. É comum que as pessoas consultem aplicativos, encartes digitais, programas de fidelidade e até redes sociais antes de sair de casa", pontua.
"Além disso, muitos consumidores já sabem quais itens estão mais caros, quais costumam entrar em promoção e até em qual rede vale mais a pena comprar determinado produto", completa o especialista.
Esse é o caso da dona de casa Silvia Tomé, de 54 anos. Rla diz sempre se planejar antes de ir às compras.
"Costumo me planejar com antecedência e faço uma lista do que será necessário para o mês. Antes de sair para as compras, verifico os armários para identificar o que realmente está faltando e o que apenas precisa ser reposto", conta.
A moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, também relata que não costuma comparar os preços antes.
"Não costumo pesquisar preços, porque vou ao mercado com frequência. Tenho percebido que os preços são bem semelhantes de um mercado para outro", diz. Apesar disso, Silvia explica que, para economizar, recorre às promoções e, em alguns casos, opta por marcas mais baratas.
"Aproveitar as promoções é sempre uma boa estratégia, e procuro tirar proveito delas sempre que possível. Ainda assim, levo apenas o que está na minha lista, sem comprar produtos em excesso", destaca. "Nesta semana, durante as compras do mês, a marca de macarrão instantâneo que costumo comprar estava mais cara. Por isso, escolhi outra opção, com um preço mais acessível."
Procurada por e-mail pela reportagem, a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Dicas para economizar
Para economizar e manter as contas em dia, o consultor financeiro e CEO da Mhydas Planejamento Financeiro, André Bobek, garante que a principal dica é comparar os preços.
"Existe uma diferença muito grande entre supermercados e, muitas vezes, até dentro da mesma rede", alerta o especialista.
André Bobek frisa que é importante acompanhar as variações dos valores e ficar de olho nas promoções.
"Também vale acompanhar os dias em que cada mercado faz promoção de hortifruti, carnes ou produtos específicos. Outro ponto importante é sempre comparar o preço por quilo, litro ou unidade, porque nem toda embalagem maior representa economia. E, talvez o mais importante de tudo, promoção só é vantagem quando você já precisava daquele produto. Comprar porque está barato normalmente aumenta o gasto; não reduz."
Apesar de não existir uma regra geral, o contador Vanderlei Goulart afirma que há categorias que aparecem com mais frequência nas campanhas promocionais, como bebidas, higiene e limpeza, alimentos industrializados, produtos de mercearia e itens de grande consumo, que costumam concentrar boas ofertas porque permitem negociações comerciais mais robustas entre indústria e varejo.
"É comum encontrar preços bastante competitivos em produtos próximos ao vencimento, itens sazonais e mercadorias adquiridas em grandes volumes. Além disso, frutas, verduras e carnes podem apresentar oscilações importantes ao longo do mês, já que dependem de fatores como safra, clima, logística e oferta disponível."
Erros mais comuns
Falta de uma lista de produtos, fazer compras com pressa e ir ao supermercado com fome estão entre os principais erros que levam os consumidores a gastar mais e pagar mais caro, destaca o consultor financeiro André Bobek.
"Outro erro muito comum é não comparar preços entre marcas e embalagens. No fim, o consumidor acha que economizou porque aproveitou uma oferta, mas muitas vezes levou produtos que nem precisava", afirma.
Também existem, segundo o especialista, recomendações que são populares, mas que, na prática, têm pouco impacto no orçamento.
"Muita gente acredita que comprar sempre a embalagem maior gera economia, mas isso nem sempre é verdade. Outros acham que atacado é automaticamente mais barato ou que trocar todas as marcas resolve o problema", completa.
"No fim, a maior economia continua sendo a mais simples: planejamento, comparação de preços e disciplina. Não existe truque que substitua uma boa gestão do dinheiro. Essa é a diferença entre quem apenas faz compras e quem administra o próprio orçamento."
Preço final dos alimentos
Os fatores que influenciam o preço final dos produtos vão além da inflação, ressalta Goulart.
"A inflação é apenas uma parte da equação. O preço que o consumidor encontra na prateleira resulta da soma de diversos custos ao longo da cadeia. Temos variações no preço das matérias-primas, custos de transporte, energia elétrica, combustíveis, embalagens, armazenagem, mão de obra, carga tributária e negociações comerciais entre indústria e varejo", explica.
Outro ponto que costuma passar despercebido, informa o especialista, é que o mesmo produto pode ter preços diferentes, dependendo da estratégia comercial adotada pelo fabricante ou pelo supermercado.
"Em alguns momentos, a indústria investe mais em ações promocionais para ganhar participação de mercado ou aumentar o giro de determinado item. Em outros, o varejista decide reduzir sua margem temporariamente para atrair consumidores para a loja. Ou seja, o preço não depende apenas do custo de produção, mas também de decisões estratégicas de toda a cadeia."
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