Irla Bela, 24 anos, queria crescer na empresa e fez curso de condutora Arquivo pessoal
Por Marina Cardoso
Publicado 08/03/2020 00:00 | Atualizado 09/03/2020 13:38

A desigualdade no mercado de trabalho ainda é muito grande, principalmente em relação à participação da mulher na inserção de um emprego formal. E este quadro não deve melhorar nos próximos anos. Isso porque, segundo aponta uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o cenário de igualdade deu uma freada. 

De acordo com a pesquisadora do órgão Luana Simões, o país tem vivido uma estagnação na contratação de mão de obra feminina por conta de problemas nem tão novos, mas super conhecidos.

"Após o crescimento, nos últimos três anos, a equiparidade se estagnou. Isso se explica muito pelo fato da responsabilidade em fatores domésticos. Com o envelhecimento da população, as mulheres ficam em casa cuidando dos idosos da família ou dos filhos ou qualquer outra pessoa com algum tipo de dependência. A taxa de desemprego para elas é maior", explica a pesquisadora. 

Ainda segundo Luana, o cenário só dificulta para as mulheres mesmo que tenham o nível de escolaridade maior do que os homens. "Apesar de empregadas, o contexto não melhora para elas. Atuam em ocupações mais precárias, ainda mais as mulheres negras, que ficam estaticamente no pior cenário. Enquanto a gente não conseguir reverter esse nó, a stiação não vai mudar. As mulheres voltam a ser ainda mais penalizadas e a falta de igualdade entre os sexos pode voltar a ser ainda maior como dos últimos três anos", afirma a pesquisadora.

 

Ocupações também para as mulheres
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Antes dominadas quase exclusivamente por homens, algumas funções despertaram o interesse das mulheres. Uma delas é de condutora de trem. No MetrôRio, atualmente são 24 mulheres conduzindo as composições nas três linhas da concessionária.
Uma delas é Irla Belo, 24 anos, que ingressou em 2018 no curso de formação para condutores. Mãe de uma filha de dois anos, trabalhava como bilheteira, mas já queria ir mais longe. "Existe o preconceito, muitas pessoas diziam que, por ser mulher, não iria conseguir, mas eu fui atrás e estou aqui. Precisei romper muitas barreiras", afirma Irla. 
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Além das dificuldades para alcançar o objetivo profissional, ela conta que conciliar trabalho e as responsabilidades domésticas complicam. "O maior problema, na minha opinião, é a dupla jornada em casa. Eu criava minha filha sozinha quando comecei o curso. Tive que contar com uma rede de mulheres. Se não fosse por elas, não estaria aqui hoje. O maior desafio das mulheres é conciliar tudo isso. Quando a gente também ganhar igualdade de direitos dentro de casa, também teremos igualdade de direitos no profissional", acredita. 
Já Vanessa Gomes começou sua trajetória na Aspen, empresa do ramo farmacêutico, em 2015, como diretora de operações, liderando diretamente mais de 150 pessoas entre o escritório do Rio e a fábrica em Serra (ES). Ela reconhece seu protagonismo em uma posição ocupada majoritariamente por homens.
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"Consegui ocupar posição de liderança ao competir de igual para igual com homens", afirma.

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