Ciro disse ser a favor do "voto útil contra a corrupção", e afirmou não permitir que o debate fique concentrado entre o que chamou de "coisa ruim" e "coisa pior"Foto: Mário Miranda/Amcham/Divulgação
Publicado 21/09/2022 21:57
O candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, usou ontem a ironia, durante sabatina promovida pelo Estadão em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), para responder sobre a estratégia de aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de pregar o voto útil contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) na reta final da campanha.
Ciro disse ser a favor do "voto útil contra a corrupção", e afirmou não permitir que o debate fique concentrado entre o que chamou de "coisa ruim" e "coisa pior". Ao apresentar suas propostas, citou a criação de 5 milhões de empregos em dois anos, a taxação de lucros e dividendos e a revogação do teto de gastos.
"O que está fazendo o fascismo de direita e de esquerda no Brasil? Porque, sim, há um fascismo de esquerda no Brasil liderado pelo PT. Eles estão querendo simplificar de uma forma absolutamente dramática o debate e querem simplesmente aniquilar alternativas. Isso é uma tragédia", afirmou.
Ciro disse que as pesquisas de intenção de voto, que colocam Lula na primeira posição e com chances de vitória em primeiro turno, mostram que um em cada três eleitores dizem votar no ex-presidente por uma razão pragmática.
"É o cara que vai tirar o Bolsonaro e sua falta de educação, sua grosseria, seu banditismo. A razão não é o Lula, nem a proposta do Lula, nem o dia seguinte. É o voto Caetano Veloso, boas pessoas, mas que todos estão com a vida ganha", disse o candidato do PDT. O cantor e compositor baiano havia declarado apoio a Ciro, mas nesta semana publicou um vídeo no qual defende o voto útil em Lula na reta final da disputa presidencial.
BOLSONARISMO
Questionado se suas críticas ao PT podem ser usadas como linha auxiliar para a campanha de Bolsonaro - há mensagens do pedetista sendo divulgadas nos canais de internet do presidente -, Ciro rechaçou que tenha feito qualquer elogio ao presidente e afirmou que o "gabinete do ódio que o Lula financia a custa de muito dinheiro roubado" produz fake news desse tipo.
"Nunca fiz nenhum elogio a Bolsonaro. Eu fui às ruas pelo impeachment. Eu assinei três pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Eu fui à Corte de Haia representar contra o caráter genocida do Bolsonaro", disse. "Sabe quem deu o voto decisivo para manter o orçamento secreto? O PT. O Lula salvou o Bolsonaro e só se explica a sobrevida do Bolsonaro porque o Lula o salvou "
No segundo bloco da sabatina, Ciro comentou sua atual posição nas pesquisas de intenção de voto, inferior ao que ele próprio registrava no mesmo período de 2018. Na época, ele tinha 11%; hoje oscila entre 6% e 8%. "Quase todas as pesquisas são pagas por bancos há dois anos. E os bancos têm a mesma intenção: confinar o ambiente político a mais do mesmo", declarou o pedetista.
EMPREGOS
Ciro disse que pretende criar 5 milhões de empregos nos dois primeiros anos de governo. Afirmou ainda que fará um pente-fino nas obras já licitadas e licenciadas para gerar vagas sem atender ao que chamou de "clientelismo corrupto". A prática, segundo ele, é adotada pelo governo com o orçamento secreto. "Vou cortar 20% das renúncias fiscais, cerca de R$ 70 bilhões."
Segundo o candidato, seu Plano Nacional de Desenvolvimento assume o compromisso de mudar a tecnologia, a inteligência e a institucionalidade em relação à segurança pública. "Sabe quanto é o orçamento desse ano? R$ 4,8 trilhões. Sabe quanto está indo para os bancos, por meio de juros? Nos últimos 12 meses, foram R$ 500 bilhões. Só de amortização e rolagem de dívida dá R$ 52 a cada R$ 100 de todo o orçamento. Sabe o que resta para segurança pública, uma das maiores emergências da sociedade? Apenas R$ 0,33 de cada R$ 100", disse.
Já em relação aos decretos de armas editados pelo governo Bolsonaro, o candidato do PDT afirmou que, se for eleito, "ninguém vai portar arma se não for autoridade".
TETO
Ciro afirmou que pretende revogar o teto de gastos nos seis primeiros meses de governo. "O teto está lá como impertinência absolutamente atécnica, aberrante e absolutamente violenta", declarou. O pedetista criticou a reunião, na segunda-feira, na qual o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles declarou apoio a Lula.
"Meirelles é o autor do teto de gastos, que não existe na literatura de país nenhum do mundo, e que, basicamente, protege o estado constitucional e o Tesouro Nacional como presa do sistema financeiro", disse. "E o (Guilherme) Boulos, que faz pose de grande líder das esquerdas no Brasil... (também estava na reunião). Alguém está sendo enganado. E tenho certeza de que não é o Meirelles que está enganando todo mundo. É o Lula. Me constrange saber que Dilma (Rousseff) foi desconvidada para essa reunião."
O candidato voltou a defender mudança no sistema tributário. Afirmou ser a favor da progressividade do Imposto de Renda e da cobrança sobre grandes fortunas. E disse que pretende introduzir um imposto sobre lucros e dividendos empresariais. "Eu, como ministro da Fazenda (no governo Itamar Franco), cobrei também."
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