MaracanãDivulgação
Publicado 17/03/2023 06:00
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Por conta da briga entre vascaínos e flamenguistas antes do clássico válido pela décima rodada da Taça Guanabara, surgiu a possibilidade dos jogos das semifinais do Campeonato Carioca contarem apenas com a torcida do time mandante. No entanto, após uma reunião entre representantes do Governo do Estado do Rio de Janeiro e os dirigentes dos quatro clubes que estão nesta fase do Estadual, essa possibilidade caiu.
Como o tema está em alta, a reportagem do jornal O Dia foi para o Maracanã na noite da apresentação de Marcelo e no último Clássico dos Milhões para ouvir a opinião do torcedor. As respostas foram unânimes: todos os entrevistados se mostraram contra. 
O torcedor do Vasco Rafael Lucas Marqueta do lado do de fora do Maracanã antes do Clássico dos Milhões - Foto: João Alexandre Borges/O Dia
O torcedor do Vasco Rafael Lucas Marqueta do lado do de fora do Maracanã antes do Clássico dos MilhõesFoto: João Alexandre Borges/O Dia
"A graça do clássico é você fazer a competição lá na arquibancada. Não é sobre porrada, não é sobre nada disso. É sobre quem canta mais alto, e eu acho que, quando o jogo é torcida única, isso se perde, você não tem com quem competir. Então, você fica lá na arquibancada, e o jogo perde um pouco da graça", ressaltou o engenheiro Rafael Lucas Marqueta, de 27 anos.
Já o militar Lucas Nunes, de 24 anos, pontuou que a medida não resolveria o problema. Para corroborar o ponto de vista, ele citou exemplos de onde a torcida única foi adotada e a violência continuou. 
"Eu sou contra a torcida única porque não dá jeito. Se você ver em outros estádios que tem torcida única, continuam as brigas. Em São Paulo mesmo, também teve uma no fim de semana com a torcida do Athletico com a do Coritiba, sendo que nem era jogo deles. Lá é só torcida única. Então, isso não é jeito".
O torcedor do Flamengo Pedro Mariano do lado do de fora do Maracanã antes do Clássico dos MilhõesFoto: João Alexandre Borges/O Dia
 
Por sua vez, o analista de marketing Pedro Mariano, de 22 anos, destacou a importância de reeducar as pessoas. Além disso, ele acredita que a punição deva ocorrer pelo CPF - portanto, pela pessoa envolvida na confusão.  
"Sou contra torcida única. Acho que vale muito mais a reeducação do pessoal. A punição tem que começar a ser pelo CPF e não pelo CNPJ. Tem que começar a punir, tem gente que é agressor. Eu gosto de torcida organizada, mas hoje em dia está muito vandalismo", afirmou.
O torcedor do Flamengo Wilson Candido, à direita, do lado de fora do Maracanã antes do Clássico dos MilhõesFoto: João Alexandre Borges/O Dia
A opinião foi ao encontro do que disse o motorista Wilson Candido, de 50 anos. Assim como Pedro Mariano, ele jogou luz sobre a importância da educação. Na visão de Candido, adotar a torcida única não resolverá o problema da violência. 
"Eu sou contra porque nós temos que educar as pessoas. Não é separando que a gente vai educar ninguém. As pessoas têm que aprender a viver em convívio, todo mundo um com outro. Não adianta separar. Torcida única não vai resolver o problema. A pessoa não vai brigar no estádio, mas vai brigar a 500 metros. Quem vem com intuito de brigar é isso mesmo, não adianta. Torcida única, não", destacou.
O torcedor do Fluminense Celso Oliveira do lado de fora do Maracanã antes da apresentação de MarceloFoto: João Alexandre Borges/O Dia
Um ponto similar foi abordado pelo oficial de manutenção Celso Oliveira, de 57 anos. O torcedor acredita que é necessário conscientização para evitar brigas, como aconteceu no clássico entre Flamengo e Vasco na Taça Guanabara.
"Eu gosto das duas torcidas. Mas a gente vê coisas que são complicadas. Traz sua família para ver um jogo e, de repente, você não sabe o que vai acontecer. Mas eu gosto das duas torcidas, só tinha que ter uma conscientização para não ter esse tipo de briga", disse.
A VIOLÊNCIA
A reportagem do O Dia também perguntou aos torcedores se eles tinham medo de sair de casa em dia de jogo. As respostas, desta vez, não foram unânimes.   
Celso Oliveira e Lucas Nunes, por exemplo, disseram que não sentem medo. No entanto, admitiram que o cenário muda de figura quando algum familiar também vai ao estádio. 
"Não tem medo (de sair em dia de jogo). Só não tenho coragem de trazer a minha mulher. Os meus filhos já são crescidos, é até bom que me protegem (risos). Mas eu não tenho medo, não", disse Celso.
"Eu venho sozinho. Então, não tenho medo, não. Mas para quem vem acompanhado de família, filho, esposa, é perigoso. Eu venho há mais de dez anos, já conheço como funciona os clássicos aqui no Rio de Janeiro. Então, para mim já é mais tranquilo", completou Lucas. 
MaracanãArquivo / Prefeitura do Rio
Já Rafael Lucas e Pedro Mariano divergiram: o primeiro não sente medo, enquanto o segundo, sim. Por outro lado, ambos compartilharam as mesmas "técnicas" para chegar ao estádio e voltarem para casa em segurança.
"Eu, não, mas é porque estou há muito tempo vindo em jogos. Vou em jogo desde 2008, já estou acostumado. Meu primeiro Vasco x Flamengo foi em 2011. Nos meus primeiros, eu tinha medo, minha mãe tinha muito medo por mim, mal deixava eu sair. Meu primeiro Vasco x Flamengo vim escondido para o Maracanã. Hoje, eu não tenho mais medo, já sei como chegar, já sei os acessos, já sei o esquema. Então, não tenho medo, mas também evito vir de blusa, por exemplo, de transporte público. Quando venho de blusa, venho de carro de aplicativo ou de táxi. Só por segurança, porque a gente não sabe o louco que pode encontrar pela frente", contou Rafael. 
"Com certeza (sinto medo). Estou vindo aqui sozinho. Vou encontrar os amigos ali no Chicos (bar próximo ao Maracanã), mas daqui até em casa sozinho é complicado. Venho sem camisa, porque hoje em dia a covardia está grande", afirmou Pedro. 
Wilson Candido, por fim, foi direito: vai ao Maracanã há décadas e nunca teve medo de ir ao local.  
"Não, nunca senti. Frequento o Maracanã há mais de 40 anos. Nunca tive medo de frequentar", sintetizou.
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