Publicado 18/04/2023 15:37 | Atualizado 18/04/2023 15:39
A porta-voz do governo da Catalunha fez duras críticas ao vídeo divulgado pelo Real Madrid que aponta proximidades entre o Barcelona e o regime ditatorial de Francisco Franco, que durou entre 1929 e 1975. Patricia Plaja classificou o vídeo como uma "manipulação da história" e destacou que o conteúdo é de notícias falsas indecentes. Ela também pediu para o clube merengue apagar o vídeo e pedir desculpas.
"Posso dizer, em nome do Governo, que o vídeo que o Real Madrid transmitiu é uma manipulação tão grosseira da história que parece de um manual. São fake news indecentes, e o pior é que não vêm de um usuário específico. A importância não é pequena vindo de um clube de futebol com tantos torcedores e com tanta repercussão. É muito preocupante, irresponsável. Uma ofensa e um insulto aos milhares de pessoas que sofreram sob o regime de Franco, incluindo o FC Barcelona, sem ir mais longe, com o então presidente, Josep Suñol, que foi baleado pelo regime. Eles podem não se lembrar disso em Madri. Seria bom se o Madrid removesse o vídeo e pedisse desculpas por ter cruzado a linha vermelha", disse Patricia Plaja.
ENTENDA O CASO
Na última segunda-feira, 17, o presidente Joan Laporta concedeu entrevista coletiva para dar explicações sobre o "Caso Negrereira". O Barcelona é acusado de ter feito pagamentos de quase R$ 8 milhões para a empresa de José Maria Enriques Negereira, ex-vice presidente da Comissão de Arbitragem da Espanha, entre 2016 e 2018.
As notícias do caso se tornaram públicas em fevereiro deste ano. Em março, o Real Madrid se manifestou sobre o caso e se mostrou preocupado com as acusações. Durante a coletiva, então, Joan Laporta deu uma resposta aos Merengues e citou que o Real era o clube do regime (ditatorial).
"Há um clube que se sente prejudicado. Todos sabem que o Real Madrid é um clube historicamente e atualmente favorecido por erros de arbitragem. Foi considerado o clube do regime devido à sua proximidade ao poder político, económico e desportivo. Durante sete décadas, os presidentes dos árbitros foram ex-sócios do Real Madrid, ex-jogadores ou ex-treinadores. Às vezes, tudo ao mesmo tempo. Por 70 anos, aqueles que nomearam os árbitros que deveriam fazer justiça. Que este clube apareça no melhor período do nosso clube é um exercício de cinismo sem precedentes. Espero que este julgamento os exponha, eles possam ser desmascarados e colocados em seu lugar", disse o presidente do Barcelona.
Mais tarde, o Real Madrid rebateu as falas de Laporta com um vídeo de quase cinco minutos. Nele, os Merengues trazem arquivos de imagens e fazem apontamentos para mostrar a proximidade do clube catalão com o ditador Francisco Franco.
O clube de Madri, por exemplo, menciona que o Camp Nou, a casa do Barcelona, foi inaugurada por José Solé Ruiz, ministro de Franco. Em outro trecho do vídeo, o Real Madrid afirma que o Barça outorgou a Insígnia de Ouro e Brilhantes para o ditador.
Já em 1965, os Merengues apontam que o Barcelona nomeou Franco como sócio de honra. Ainda de acordo com o clube de Madri, os catalães condecoraram Francisco Franco em três oportunidades.
Além disso, o Real Madrid ainda buscou se desassociar da imagem de que era a equipe do regime ditatorial. No vídeo, os Merengues afirmam que, durante a Guerra Civil, tiveram jogadores exilados, presos e assassinados.
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