Publicado 09/07/2025 15:00
Rio - O técnico Carlo Ancelotti, atual comandante da seleção brasileira, foi condenado nesta quarta-feira (9), na Espanha, a um ano de prisão por fraude fiscal. O italiano também recebeu uma multa de cerca de 386 mil euros (aproximadamente R 2,5 milhões) por não declarar corretamente parte de sua renda à Receita espanhola no ano de 2014, durante sua primeira passagem pelo Real Madrid.
PublicidadeO caso, no entanto, está longe de ser um episódio isolado. Nos últimos anos, astros como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Luka Modric, Marcelo e Xabi Alonso também foram investigados — alguns, condenados — por crimes fiscais semelhantes enquanto atuavam no país.
De acordo com a sentença da 30ª Seção da Audiência Provincial de Madri, Ancelotti deixou de pagar pouco mais de 1 milhão de euros em impostos, valor que abrange os exercícios fiscais de 2014 e 2015. No entanto, o técnico foi absolvido da acusação relativa ao segundo ano.
A condenação inclui, além da multa e da pena de prisão, a perda temporária de benefícios fiscais e a inabilitação para receber subsídios públicos na Espanha por três anos. O treinador alegou em juízo que confiou nos consultores indicados pelo Real Madrid e não teve a intenção de fraudar o Fisco. A CBF ainda não se manifestou. A punição a Ancelotti é mais uma de uma longa série de processos movidos pelas autoridades fiscais espanholas contra grandes nomes do futebol.
Messi e Cristiano Ronaldo recorreram, mas foram condenados
Em 2017, Lionel Messi foi condenado a 21 meses de prisão por sonegar impostos sobre receitas de direitos de imagem entre 2007 e 2009. A Justiça considerou que o jogador argentino e seu pai ocultaram cerca de 4,1 milhões de euros ao desviar recursos para paraísos fiscais. Como a pena era inferior a dois anos e ele não tinha antecedentes, Messi não cumpriu prisão, mas pagou uma multa de cerca de 2 milhões de euros.
Cristiano Ronaldo, por sua vez, fechou um acordo com a Justiça em 2019 e admitiu ter sonegado 14,7 milhões de euros entre 2010 e 2014, também em contratos de direitos de imagem. O português aceitou uma pena de 23 meses de prisão e o pagamento de uma multa de 18,8 milhões de euros. Conforme publicou a BBC, a acusação afirmava que ele usou empresas registradas na Irlanda e nas Ilhas Virgens Britânicas para mascarar os ganhos.
Outro caso de repercussão internacional envolveu Neymar, investigado em razão de sua transferência do Santos para o Barcelona, em 2013. A promotoria espanhola chegou a pedir dois anos de prisão e multa de 10 milhões de euros ao jogador, mas retirou as acusações em 2022, nos últimos dias do julgamento. O processo teve início após denúncia do grupo DIS, que detinha 40% dos direitos econômicos do atacante e alegava ter sido lesado em uma negociação subfaturada.
A venda foi anunciada por 17,1 milhões de euros, valor que teria sido pago oficialmente pelo clube catalão ao Santos. A DIS, por sua fatia, recebeu 6,84 milhões. Meses depois, o próprio Barcelona admitiu que a operação, na realidade, custou 57 milhões de euros, dos quais 40 milhões foram destinados à empresa N&N, sigla para Neymar e Nadine, pais do jogador. A partir daí, teve início uma batalha judicial que revelou uma cifra ainda mais alta.
Segundo investigação conduzida pelas autoridades espanholas, o valor total da transação foi de 86,2 milhões de euros. Além de Neymar, também foram acusados no processo seus pais, Neymar da Silva Santos e Nadine Gonçalves; os ex-presidentes do Barcelona Sandro Rosell e Josep Maria Bartomeu; o ex-presidente do Santos Odílio Rodrigues; além dos dois clubes. Todos negam as acusações. Apesar de a promotoria espanhola ter retirado as denúncias, a parte privada, representada pela DIS, manteve o processo na Justiça.
Marcelo também não escapou
Luka Modric também enfrentou problemas com o Fisco espanhol. O croata, eleito o melhor jogador do mundo em 2018, aceitou uma pena de oito meses de prisão por omitir mais de 870 mil euros em declarações de 2013 e 2014. A sentença foi convertida em multa de 1,2 milhão de euros. A informação foi divulgada pelo El Mundo.
Marcelo, lateral multicampeão pelo Real Madrid, entrou em acordo com a Justiça espanhola em 2018 para encerrar um processo semelhante. O ex-jogador da seleção brasileira e do Fluminense havia sido acusado de não pagar impostos devidos sobre rendimentos de direitos de imagem em 2013. A pena de quatro meses de prisão foi convertida em multa de cerca de 750 mil euros, segundo veículos como AS e Marca.
Já o atual técnico do Real Madrid, Xabi Alonso, foi absolvido em 2019 após ser acusado de fraudar cerca de 2 milhões de euros entre 2010 e 2012, período em que atuava como jogador do clube. Naquele ano, a promotoria de Madri chegou a pedir cinco anos de prisão e uma multa de 4 milhões de euros ao ex-volante. O tribunal, no entanto, entendeu que, embora os métodos usados na gestão de seus direitos de imagem fossem incomuns e chamativos, não houve ilegalidade. Alonso foi inocentado ao lado de seus ex-assessores Iván Zaldúa e Ignasi Maestre.
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