Publicado 06/11/2025 13:07
Rio - O traçado do novo Autódromo do Rio foi anunciado, nesta quinta-feira (6), em coletiva de imprensa, que contou com a presença do prefeito Eduardo Paes, na Cidade das Artes. Com capacidade para 120 mil pessoas, com foco em ultrapassagens e velocidade média dos carros será de 241 km/h, o investimento será de mais de R$ 1,3 bilhão de reais. A expectativa é que as obras se iniciem no início de 2026 e dure cerca de dois anos. O terreno, de mais de dois milhões de metros quadrados, será no Parque de Guaratiba, Zona Oeste carioca.
PublicidadeO projeto será feito em uma área de mais de dois milhões de metros quadrados, que pertence a Prefeitura do Rio, e utilizará apenas 2% do terreno. Os outros 98% serão destinados a um parque ambiental. O plano das obras foram aprovados pela Câmara de Vereadores do município e contará com integração ao sistema de BRT, com uma estação exclusiva para o local.
"Esse é um projeto com recurso privado, que não tem dinheiro do imposto do carioca. É um trabalho de longo prazo, mas já está mais do que comprovado que grandes eventos, grandes equipamentos esportivos e tornar o Rio mais internacional é bom para a economia da cidade, é bom para quem mais precisa. Gera mais empregos. Temos visto isso em tudo de grande que acontece na cidade. Esse é o objetivo com esse autódromo. Agora o desafio é trazer de volta a Fórmula 1, a motovelocidade, a Fórmula Indy. É pensar em todas as alternativas que pudermos ter aqui no Rio", disse Eduardo Paes.
O consórcio responsável pelo desenvolvimento do autódromo — liderado pela Genial Investimentos — e a Rock World, que assumirá a gestão inicial, apresentaram em detalhes o projeto do Parque Autódromo de Guaratiba. O desenvolvimento técnico e conceitual ficou a cargo da Populous, enquanto o traçado da pista foi assinado pela Driven International.
O projeto prevê que o espaço seja usado não somente para as competições automobilísticas, mas também para grandes eventos e pelo público. Toda a estrutura poderá ser aproveitada para outros fins além do esportivo, como áreas de convenções, comércios, salas de reuniões e mais.
Ainda estão previstas as construções de um prédio para a parte operacional do autódromo, e vilas para entusiastas do esporte. De acordo com o gerente de projetos da Popoulos, Thiago Nunes, o espaço servirá para atrair turistas para o local.
“Nós estamos prevendo vilas, que são áreas de locação para entusiastas de todo o mundo, onde você pode pagar o aluguel por um período e ter acesso à pista, com a acomodação. São maneiras de flexibilizar o uso do autódromo”, afirmou ele, que ainda garantiu a sustentabilidade do projeto.
"Buscamos trazer a integração com toda a região de Guaratiba, fazendo com que o empreendimento se torne um hub de desenvolvimento da região. E isso com respeito ambiental, com áreas de proteção, respeitando a hidrologia local, lagoas e a vegetação de mangue", disse.
Durante a coletiva, Eduardo Paes citou a crise que o Rio enfrentou na última semana, com a megaoperação nos Complexos do Alemão e da Penha, que terminou com 121 mortos, sendo quatro policiais, se tornando a ação mais letal da história do Brasil. De acordo com Paes, a cidade melhorou sua imagem poucos dias depois, quando recebeu o Fórum de Líderes da COP30, nesta semana.
“Eu tenho a absoluta convicção de que um equipamento desse é fundamental para a economia do Rio de Janeiro. A gente acredita que essa cidade pode tudo. Ninguém é imbecil de achar que o Rio é o paraíso, porque tem que ter os problemas, mas essa é uma cidade desejada que tem capacidade de se recuperar de uma crise de imagem em menos de uma semana. A gente viveu isso semana passada, foi uma semana difícil, mas se recuperou muito rapidamente pela presença do prefeito de Londres, prefeito de Paris e do príncipe William”, disse.
Sustentabilidade
A expectativa é que conceitos de preservação e ecológicos sejam implementados desde a execução de sua obra. A estrutura do local deve contar com sistema de reuso de água, captação de água da chuva e iluminação de LED. Os prédios poderão contar com tetos verdes, o entorno poderá contar com jardins de chuva e bueiros ecológicos.
A pista do Autódromo do Rio foi projetada segundo as diretrizes da FIA Grau 1 e da FIM Grau A, o que permite receber as principais categorias do automobilismo e motociclismo mundial. Com 4,7 km de extensão, o circuito terá quatro retas — duas delas principais e paralelas — e 10 curvas, podendo ser adaptado para até 11 tipos de competições.
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O traçado foi desenvolvido pelos mesmos especialistas responsáveis pelos circuitos de Mandalika, na Indonésia, e Navarra, na Espanha. A estrutura permanente ficará a cargo de uma empresa internacional de design esportivo, envolvida em projetos como Silverstone e a arena Sphere, em Las Vegas, e incluirá arquibancadas, paddock, boxes, camarotes, lojas, estacionamento e heliponto.
O traçado foi desenvolvido pelos mesmos especialistas responsáveis pelos circuitos de Mandalika, na Indonésia, e Navarra, na Espanha. A estrutura permanente ficará a cargo de uma empresa internacional de design esportivo, envolvida em projetos como Silverstone e a arena Sphere, em Las Vegas, e incluirá arquibancadas, paddock, boxes, camarotes, lojas, estacionamento e heliponto.
Não será o primeiro autódromo que a cidade do Rio irá abrigar. O antigo traçado da cidade, localizado atualmente no bairro da Barra Olímpica, foi desativado e demolido em 2012 para a construção do Parque Olímpico para a Rio 2016. O local foi sede do GP do Brasil da Fórmula 1 por 10 edições, de 1978 a 1989.
Ao fim de seu discurso, Paes aproveitou para alfinetar a cidade de São Paulo. “E para terminar, eu deixo um desafio: São Paulo, aumenta o volume que a Fórmula 1 vai voltar para o Rio”, riu ele.
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