Mary Fowler sofreu racismo durante passagem pelo futebol francêsAFP
Publicado 19/11/2025 14:30
Rio - A atacante australiana Mary Fowler, atualmente no Manchester City, da Inglaterra, denunciou em um livro autobiográfico que uma ex-companheira do Montpellier, da França, deu bananas de presente a ela e a outra jogadora negra em sua despedida do clube francês. No livro publicado nesta semana, intitulado como "Bloom", a jogadora de 22 anos fala de sua infeliz passagem pela equipe francesa entre 2020 e 2022.
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Fowler chegou muito jovem ao clube francês, com apenas 17 anos. Dois anos depois, se transferiu para o Manchester City. A atacante, que chegou a pensar em se aposentar durante a passagem, explicou que o Montpellier preparou uma festa de despedida para as jogadoras que estavam de saída naquele ano, mas que nem ela nem sua amiga holandesa Ashleig Weerden foram mencionadas pelo clube.
"Depois, quando entramos no vestiário, algumas de nossas companheiras de time perguntaram por que não havíamos recebido flores. Encolhemos os ombros, tão desconcertadas quanto elas. Algumas das meninas riram e logo outra jogadora nos deu algumas bananas, dizendo: 'Aqui, tomem isso'. Foi a cereja do bolo", revelou a atacante.
Mary Fowler e Ashleig Weerden eram as únicas jogadoras negras do elenco do Montpellier. No livro, a jogadora australiana afirmou que tentou muitas vezes "justificar de maneiras diferentes" e tentou imaginar que poderia se tratar de "um erro sem maldade". Porém, quando lembra de outros episódios, admite que não consegue considerar como "um simples engano".
"Não receber flores é uma coisa, mas sendo duas das únicas seis meninas negras do time, receber bananas não foi algo que eu pudesse simplesmente ignorar. Foi um acidente? Era a única coisa no vestiário que poderia nos dar? Ela fez isso com boa intenção? Mas quando lembro de quantas vezes nos sentimos assim no clube, fica difícil considerar como um simples engano", completou.
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